Economia

Na hora da crise: como montar uma estratégia de renegociação de dívidas

Planejamento financeiro é crucial para empresas que buscam aliviar o caixa, evitar inadimplência e preservar a reputação no mercado
Na hora da crise: como montar uma estratégia de renegociação de dívidas
Foto: Reprodução Adobe Stock

Mais do que uma tática de sobrevivência, a renegociação de passivos de uma empresa deve ser vista como parte estratégica do planejamento financeiro. Para isso, é fundamental que o empresário tenha um planejamento e real noção das finanças do negócio.

“É preciso ter clareza sobre a capacidade de pagamento da empresa. Um compromisso de renegociação deve ser quitado com o resultado da empresa, e não ser tratado como se fosse parte da operação. Isso é um erro recorrente”, ressalta o CEO da Avante Assessoria, especializada em reestruturação financeira empresarial, Benito Pedro Vieira Santos.

A renegociação de passivos tem impacto direto na continuidade e na expansão do negócio. Ao aliviar o caixa, a empresa ganha fôlego para investir, evita inadimplência e preserva sua reputação no mercado..

“Se a dívida compromete mais de 30% do Ebitda, a renegociação deixa de ser uma opção e passa a ser uma medida de sobrevivência. Por outro lado, se a empresa tem potencial de crescimento, alongar prazos pode transformar passivos em oportunidades”, ressalta Santos.

Como fazer uma renegociação que não comprometa o futuro da empresa

Para saber como proceder de forma correta, o especialista lista dicas fundamentais na hora de realizar essa operação.

Primeiro passo: o diagnóstico financeiro

Antes da renegociação, é fundamental entender o ponto de equilíbrio do negócio. É preciso mapear os custos operacionais, despesas patrimoniais, endividamento atual, ativos disponíveis e indicadores como Ebitda, margem líquida e liquidez corrente.

Passo 2: priorize os passivos

Inicialmente, renegociar todas as dívidas ao mesmo tempo pode ser inviável. Assim, o CEO da Avante recomenda uma metodologia de priorização baseada em urgência e impacto:Prioridade 1: dívidas com juros mais altos ou que afetam a operação diretamente (como fornecedores estratégicos);

  • Prioridade 2: passivos fiscais, que podem ser renegociados por meio de parcelamentos como Refis;
  • Prioridade 3: empréstimos com garantias reais.

Também avalie a flexibilidade de cada credor.

Passo 3: customize a renegociação de acordo com o perfil de cada credor:

Bancos

  • Apresente demonstrativos atualizados e um plano de recuperação consistente;
  • Negocie a substituição de dívidas caras por linhas de crédito mais baratas;
  • Utilize garantias reais para obter melhores condições.

Fornecedores

  • Proponha prazos maiores ou descontos para pagamentos à vista;
  • Negocie exclusividades em troca de melhores termos.

Fisco

  • Aderir a programas como Refis ou buscar transações tributárias para reduzir multas e juros;
  • Avalie possibilidades de compensação de créditos fiscais.

Transação tributária como estratégia de reestruturação

Em último lugar, vale destacar também as dívidas fiscais. Além de poderem entrar nos tradicionais parcelamentos como o Refis, há a opção de adesão à transação tributária. Diferentemente do parcelamento convencional, esse mecanismo jurídico permite uma negociação mais flexível, com possibilidade de descontos expressivos, prazos estendidos e até suspensão de execuções fiscais.

A modalidade tem sido utilizada com sucesso por empresas de diferentes portes, inclusive em situações de recuperação judicial.

A transação tributária não é apenas uma alternativa de pagamento, mas sim uma oportunidade real de reestruturação fiscal. Ela oferece ao contribuinte a chance de ajustar seus débitos com base em sua capacidade financeira atual, o que é essencial em um contexto de recuperação ou expansão”, conclui o advogado Thiago Santana Lira.Colaborador

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas