Economia

Indústria mineira registra alta de 4,1% no faturamento em dezembro

Fiemg afirma que alta taxa de juros deve ser estender por 2026
Indústria mineira registra alta de 4,1% no faturamento em dezembro
Eventual crescimento da produção neste ano deve ser sustentado pela retomada gradual do crédito interno, pela queda lenta dos juros e controle da inflação | Foto: Reprodução Adobe Stock

O faturamento da indústria mineira aumentou 4,1% em dezembro de 2025, comparado a novembro do mesmo ano. No acumulado do ano, a variação foi positiva em 1,8%, segundo o levantamento dos Indicadores Industriais (Index), realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), divulgado nesta segunda-feira (9).

O aumento entre os meses, aponta a federação, é decorrente do aumento dos pedidos em carteira, tanto nas empresas de extração (2,1%), como nas indústrias de transformação (3,8%). O faturamento anual também teve melhora. A indústria extrativa mineral teve aumento de 9,6%; e a de transformação apresentou uma alta de 1,1%.

“Foi um faturamento puxado tanto pela indústria do segmento extrativo mineral, quanto pelo segmento de transformação. São reflexos do aumento dos pedidos em carteira em ambos os segmentos”, comentou o economista da Fiemg, Arthur Augusto.

Um dos principais responsáveis pelos resultados, principalmente no setor de transformação, foram as vendas de final de ano, afirmou o economista. Já que o pico de produção normalmente é entre setembro e outubro, buscando atender os eventos, como a Black Friday e o Natal.

Apesar da melhora, a Fiemg afirmou que a indústria mineira demonstrou resiliência em meio a um cenário considerado adverso ao longo de 2026, muito devido ao valor da taxa básica de juros (Selic), definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) em 15% ao ano. É o maior patamar desde julho de 2006, quando foi definido em 15,25% ao ano.

“É um juros muito alto. Ele tem alguns efeitos perversos sobre o consumo e sobre o investimento e sobre o consumo. Eleva o endividamento das famílias, as que tem alguma dívida vê a parcela da renda disponível para consumo ser espremida devido ao pagamento dessas dívidas; e também, quando vão comprar um bem de consumo durável, é muito difícil um parcelamento. Você compra um, mas no final do parcelamento pagou dois ou até três. Isso inibe o consumo”, afirmou Arthur Augusto.

Já para o empresário o cenário faz com que seja mais seguro a aplicação deste dinheiro em banco ao invés de realizar algum investimento produtivo, como comprar uma máquina ou uma planta industrial, aponta o economista. Desta forma, o empresário passa a retardar possíveis investimentos.

Desaceleração deve seguir em 2026

Com a possível manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano, a tendência é de que o cenário de desaceleração de consumo se prolongue por 2026, aponta o economista da Fiemg, Arthur Augusto.

“No próximo ano a gente projeta uma continuidade deste cenário de desaceleração, principalmente em função dos juros altos e da política monetária contracionista. As sinalizações que o Banco Central tem passado em seus comunicados, nas suas atas, é de que eles vão manter essa política restritiva ao longo de 2026”, afirmou.

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