Economia

Fazenda vê forte aceleração do PIB no início de 2026 sob efeito da nova isenção do IR

Em nota informativa, a SPE avaliou que esse movimento deve ser seguido de uma desaceleração gradual da atividade
Fazenda vê forte aceleração do PIB no início de 2026 sob efeito da nova isenção do IR
Foto: Adriano Machado / Reuters

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda projetou nesta terça-feira (3) uma “aceleração acentuada” do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, em ritmo próximo a 1% em relação ao último trimestre de 2025, sob efeito, em especial, do aumento da renda disponível das famílias com a ampliação da isenção do Imposto de Renda a trabalhadores.

Em nota informativa, a SPE avaliou que esse movimento deve ser seguido de uma desaceleração gradual da atividade, com a dissipação do efeito de políticas públicas sendo parcialmente compensada por uma redução do custo de crédito, em meio à perspectiva de cortes de juros pelo Banco Central.

Para o ano fechado de 2026, a secretaria estima que o crescimento do PIB será de 2,3%, sem alterações em relação a projeção divulgada em fevereiro, mesmo ritmo de alta verificado em 2025, segundo dados do IBGE divulgados nesta terça-feira. No quarto trimestre, o PIB cresceu 0,1%.

Entrou em vigor em janeiro deste ano a nova regra do Imposto de Renda da pessoa física, com ampliação da faixa de isenção para quem recebe até R$5 mil mensais e cobrança menor para salários de até R$7 mil, o que pode dar impulso ao consumo das famílias.

Na avaliação da SPE, o crescimento do PIB de 2026 na ótica da demanda terá maior contribuição do consumo doméstico e menor efeito do setor externo.

Do lado da oferta, a pasta espera uma desaceleração acentuada da agropecuária, compensada por um ritmo maior de crescimento da indústria e dos serviços.

Em relação ao resultado consolidado de 2025, a secretaria disse que a desaceleração foi mais pronunciada nos setores cíclicos da economia, com crescimento passando de 4,0% em 2024 para 1,5% no ano passado, o que indica que a política de juros contracionista exerceu impacto relevante sobre a atividade.

“Não fosse a contribuição da agropecuária e da indústria extrativa, pela ótica da oferta, e do setor externo, pela ótica da demanda, a economia teria apresentado desempenho ainda mais fraco nos últimos dois trimestres de 2025”, afirmou.

O BC tem mantido a taxa Selic em 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas, mas indicou que iniciará neste mês um ciclo de corte nos juros básicos.

Conteúdo distribuído por Reuters

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