Frota das locadoras mineiras cresce em 2025 e consolida liderança do Estado no setor
A frota total das locadoras de Minas Gerais cresceu 2,5% em 2025 frente ao ano anterior, subindo de 1,34 milhão para 1,37 milhão de unidades. De acordo com o Anuário Brasileiro do Setor de Locação de Veículos 2026, esse foi o terceiro ano consecutivo de avanço, consolidando a posição de liderança do Estado no mercado nacional.
O levantamento realizado pela Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis (Abla) demonstra que o mercado fechou o último ano com 4.251 locadoras mineiras ativas, um crescimento de 16,27% ante 2024 (3.656). Esse volume é o equivalente a 11,47% do total no Brasil (37.047). Minas Gerais é o segundo Estado com maior número de empresas, ficando atrás apenas de São Paulo, com 7.458 em atividade no exercício anterior.
O conselheiro e diretor regional da entidade em Minas Gerais, Luciano Miranda Chagas, avalia o desempenho do setor no Estado como positivo, apesar de alguns desafios. Ele relata que as empresas tiveram de enfrentar algumas barreiras relacionadas a custos, insegurança jurídica e ao processo de implementação da reforma tributária.
Quanto à dominância das locadoras mineiras, Miranda destaca que a presença de grandes companhias como a Localiza&Co, por exemplo, faz com que outros negócios possam surgir e crescer em Minas Gerais, inspirados nestes cases de sucesso. Outro fator relevante, segundo o especialista, é a boa relação do Poder Público estadual com o setor, oferecendo maior facilidade no processo de emplacamentos e alíquota reduzida do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Para o diretor regional da Abla, o ambiente no mercado mineiro propicia esse crescimento. Ele destaca que Minas Gerais foi um dos primeiros a estabelecer uma alíquota de 1% de IPVA para locadoras de veículos, em 2004. Desde então, outros 17 estados seguiram esse modelo, porém, sem a mesma expertise e agilidade no atendimento e na prestação de serviço.
“Existem vários fatores que tornam Minas Gerais um Estado amigável para quem lida com locação”, diz.

O estudo aponta que o mercado nacional alcançou faturamento bruto de R$ 61,7 bilhões em 2025, o que representa um crescimento de 16,6% na comparação com 2024 (R$ 52,9 bilhões). Já a frota atingiu o número recorde de 3,4 milhões de unidades, após um aumento de 7% ante o período anterior (3,2 milhões).
Portanto, as empresas mineiras concentram 40,13% do total de veículos no País, sendo o único grupo a superar a barreira de 1 milhão de unidades. Para efeito de comparação, as locadoras sediadas em São Paulo aparecem em segundo lugar, com 791.114 automóveis, seguidas por aquelas do Paraná, com 420.998 no total.
A frota total de Minas Gerais saltou de 1,24 milhão em 2022 para a quantidade atual de 1,37 milhão de unidades. Vale ressaltar que esses números refletem o tamanho do mercado de locação de veículos de maneira geral, somando a frota das chamadas “locadoras puras” e também das empresas que exercem a locação como atividade secundária.
Dados da frota por categorias
O Estado segue na liderança absoluta no ranking da categoria de automóveis e comerciais leves, com uma frota de 1,02 milhão de unidades, o que representa um crescimento de 4,22% ante 2024 (983.817). Esse volume corresponde a mais da metade (59,69%) do total registrado no Brasil (1,71 milhão).
Além disso, Minas Gerais também lidera a lista nacional no segmento de caminhões locados, com 24.158 unidades em 2025, o equivalente a 42,94% da frota no País (56.263). As locadoras mineiras também apresentaram bons resultados quanto à frota total de motocicletas (6.357), ônibus e micro-ônibus (2.279) e de implementos rodoviários (2.186), sendo o terceiro maior mercado nestas categorias.
Emplacamentos em Minas Gerais

A pesquisa realizada pela Abla também demonstra que o Estado lidera o ranking nacional de emplacamentos no setor de locação, com 495.757 unidades ao longo de 2025. Esse número equivale a 43,09% do total de veículos emplacados pelas locadoras de todo Brasil (1,15 milhão).
Minas Gerais concentra quase o dobro do segundo colocado, São Paulo, que registrou 220.102 emplacamentos no período. Miranda ressalta que esse desempenho está diretamente ligado ao tamanho do mercado mineiro e das empresas sediadas na região. Para ele, a presença de grandes companhias com frotas volumosas proporciona um número elevado nesse indicador.
O especialista pontua que esse resultado também demonstra que as locadoras mineiras têm investido na aquisição de novos veículos. “Isso também demonstra que houve uma renovação da frota e que realmente houve um crescimento em um patamar relevante”, afirma.
Dados de emplacamentos por categorias
As locadoras do Estado apresentam uma concentração massiva de emplacamentos na categoria de automóveis e comerciais leves, com 401.162 unidades, o equivalente a 63,78% do total nacional (628.970). Para efeito de comparação, São Paulo, que ocupa a segunda posição, registrou 87.872 unidades emplacadas.
Minas Gerais também permanece no topo da lista de emplacamento de caminhões no setor, com 3.373 licenciamentos, respondendo por 27,51% do total no Brasil e logo à frente do Paraná (2.323) e de São Paulo (2.023). As empresas sediadas no Estado também se destacam em outros segmentos, como de ônibus e micro-ônibus, com 396 unidades emplacadas, ficando atrás apenas de São Paulo (602).
O Estado ainda ocupa a terceira posição tanto na análise entre as motocicletas, com 3.023 unidades, quanto entre os implementos rodoviários, com 164 no total. Em ambos os casos, ele só está abaixo dos estados do Paraná e São Paulo.
Geração de empregos e mão de obra qualificada

O número de funcionários no setor de locação de veículos em Minas Gerais subiu 5,6% nos dois últimos anos, passando de 16.631 para 17.562 empregos diretos. Dessa forma, conforme dados do anuário, o mercado mineiro corresponde a aproximadamente 15% dos mais de 120 mil postos de trabalho no País, ocupando a segunda posição, atrás apenas de São Paulo (27.509).
Miranda relata que o Estado possui muitas pessoas que já estão acostumadas a atuar nesse mercado. Porém, ele ressalta que as locadoras de veículos, assim como em outros setores da economia, também têm enfrentado dificuldades para encontrar mão de obra qualificada. “Temos muitos bons profissionais, mas ainda falta mais”, completa.
O conselheiro da Abla destaca que cada empresa possui uma estratégia própria para enfrentar esse desafio. Miranda menciona que no caso do Grupo Emtel, por exemplo, onde ele ocupa o cargo de CEO, a aposta está na contratação de profissionais mais jovens e na formação dessas pessoas.
Perspectivas para o futuro do setor de locação
Quanto ao futuro do setor de locação de veículos, o especialista afirma que ainda há muito espaço para crescimento dentro de dez a 15 anos, tanto em Minas Gerais quanto no restante do Brasil. Ele ressalta que o mercado nacional ainda é muito pequeno se comparado com o de outros países mais desenvolvidos.
“Nós ainda temos uma grande margem de possibilidades de crescimento; ainda temos muitos mercados a serem atingidos. Apesar de todos os desafios, a expectativa é positiva”, diz.
Entre os fatores que contribuem para esse otimismo está a projeção de queda da taxa básica de juros, a Selic, e a realização das eleições neste ano. Miranda menciona que setores como o de mineração, infraestrutura, Poder Público, indústria, mercado de máquinas e o agronegócio oferecem grandes oportunidades para o desenvolvimento das locadoras no mercado.
“Existe uma tendência de algumas empresas deixarem a frota própria e partirem para a locação. A cultura da propriedade tem acabado ao longo dos últimos anos em vários setores”, conclui.
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