Ganhadores do Nobel dizem que IA pode aumentar desigualdade e prejudicar emprego no Brasil
Esther Duflo e Abhijit Banerjee, ganhadores do Prêmio Nobel de Economia em 2019, avaliam que a inteligência artificial pode acabar com uma série de empregos e aumentar a desigualdade social no Brasil.
“Você não vai precisar de pessoas para fazer contabilidade porque a IA vai fazer melhor. Você não vai precisar de pessoas para fazer pesquisas jurídicas porque a IA vai fazer melhor, e acho que isso deve acontecer para toda uma classe de empregos”, diz Banerjee.
O casal de economistas esteve no Brasil nesta quarta-feira (25), em evento na Pinacoteca, em São Paulo (SP). A cerimônia marcou o início da Lemann Collaborative, uma iniciativa com o objetivo de apoiar a formulação de melhores políticas públicas no Brasil.
A Lemann Collaborative faz parte da Fundação Lemann, organização filantrópica familiar liderada pelo empresário Jorge Paulo Lemann. A cooperação terá parceria com a Universidade de Zurique (Suíça) e com o J-PAL (Laboratório de Ação contra a Pobreza Abdul Latif Jameel), liderado por Banerjee e Duflo.
No evento, o casal conversou com a reportagem e avaliou que os empregos voltados à população de classe média poderão ser perdidos com o avanço da IA. Para Banerjee, o declínio desse tipo de trabalho, realizado em escritórios, deve ser mais rápido que a queda de trabalhos braçais, que também poderão ser substituídos, porém mais lentamente.
Duflo afirma que, no Brasil, a situação pode ser mais prejudicial devido à dependência da economia de serviços.
“No Brasil, essa classe de trabalho baseada em serviços serve como um grande trampolim para pessoas de classe baixa ascenderem à classe média. Na medida em que esses empregos são os mais invadidos pela IA, isso vai criar um grande buraco onde as pessoas poderiam começar a subir na escala social. Então, isso tornaria o Brasil um lugar pior”, afirma.
Por outro lado, a economista também avalia que a IA pode ajudar o Brasil a crescer no mercado de serviços por quebrar barreiras linguísticas. Nesse sentido, o país pode competir por um conjunto de empregos que prestam serviços internacionais, hoje dominados por países de língua inglesa.
GANHADORES DO PRÊMIO NOBEL
O casal ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2019, juntamente com o economista americano Michael Kremer. Na ocasião, o prêmio foi concedido porque os economistas fizeram experimentos educacionais em países pobres, como o Quênia e a Índia, e tiveram resultados positivos.
Durante o estudo, os ganhadores evidenciaram que refeições gratuitas em escolas e mais livros didáticos no currículo escolar são eficazes para a aprendizagem desses alunos, especialmente para os que têm maiores dificuldades de aprendizado.
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