Economia

Guerra no Oriente Médio traz riscos para o setor de minério de ferro no Brasil

Prolongamento do conflito pode aumentar custos do setor e pressionar margens
Guerra no Oriente Médio traz riscos para o setor de minério de ferro no Brasil
As produtoras brasileiras de minério de ferro podem ser impactadas por uma desaleceração da economia mundial | Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Alisson J. Silva

O setor de minério de ferro no Brasil, caso a guerra no Oriente Médio seja prolongada, pode ser impactado negativamente. O conflito impõe riscos no longo prazo, principalmente relacionados a custos, pressionando as margens das empresas.

A escalada da guerra, com reflexo no Estreito de Ormuz, passagem marítima crucial para o mercado de petróleo, tende a aumentar os preços de energia, encarecendo insumos essenciais à mineração, como eletricidade, combustíveis e logística, explica o economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), João Pio.

O especialista ressalta que, além disso, como o País é exportador líquido de petróleo, a valorização do barril melhora os termos de troca e pode levar à apreciação cambial, o que reduz a receita em reais das exportações das empresas.

“Na prática, isso pressiona as margens do setor, mesmo em um cenário de preços internacionais mais elevados”, afirma.

Com uma eventual extensão do conflito, as produtoras brasileiras de minério de ferro também podem ser impactadas por uma desaceleração global, consequência do aumento dos preços de energia, que afetam a indústria e a siderurgia em cascata, observa o planejador financeiro CFP® e sócio da iHUB Investimentos, Lucas Sharau.

Na análise de Pio, do ponto de vista da demanda, o quadro é mais favorável. Isso porque a Ásia, principal destino do minério de ferro produzido no Brasil, deve apresentar impactos relativamente limitados sobre a atividade econômica, ainda que em cenários mais adversos, o que sugere a manutenção da demanda externa do setor.

“No geral, o principal risco não está na queda das exportações, mas na compressão de margens”, reitera o economista-chefe da Fiemg. “Custos mais elevados, logística mais cara e um câmbio menos favorável tornam o desafio central do setor à preservação da rentabilidade em um cenário de conflito prolongado”, salienta.

Conflito pode ser benéfico em outra perspectiva

Por outro lado, um possível prolongamento da guerra no Oriente Médio pode favorecer parte do setor de minério de ferro no País, embora não elimine o risco central, com o conflito batendo no crescimento mundial, aumento de custos e demanda do aço, de acordo com o especialista da Valor Investimentos, Virgílio Lage.

“Se houver prêmio para um minério de alta qualidade e fornecedores confiáveis, empresas expostas ao nicho podem defender melhor a rentabilidade, como é o caso da Vale”, pontua.

Já o sócio da iHUB Investimentos destaca que há um efeito positivo no curto prazo: o aumento da procura por minério de ferro. Sharau esclarece que, por ser um ativo estratégico e com perspectivas de aumento no custo logístico, muitas empresas acabam por aumentar os estoques ou, eventualmente, até mudar a matriz de fornecimento para que se mantenham competitivas em custo, sem ter impactos tão grandes na ponta, procurando a eficiência que o próprio mercado constantemente persegue.

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