Economia

Imposto de Renda 2026: confira quais deduções são importantes para aumentar a restituição

Saúde sem limite, teto na educação e nova faixa de isenção exigem simulação para definir o modelo mais vantajoso
Imposto de Renda 2026: confira quais deduções são importantes para aumentar a restituição
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O início do período de declarações do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) está se aproximando e, com ele, aumentam as dúvidas sobre quais despesas declarar para conseguir uma restituição mais vantajosa. Conforme especialistas, os gastos com a saúde são o principal instrumento para reduzir o imposto devido e melhorar o valor a ser restituído. A legislação permite abatimento integral desses gastos, desde que comprovados.

Professora da área de gestão e comércio do Senac em Juiz de Fora, Scheila Silva afirma que muitos contribuintes desconhecem o alcance dessa dedução. “As despesas com saúde são uma das deduções mais relevantes, justamente por não possuir teto”, diz.

Nesse contexto, a conselheira do Conselho Regional de Contabilidade de Minas Gerais (CRCMG), Suely Maria Marques de Oliveira, reforça que, para garantir a restituição completa dos gastos com saúde, é necessária a documentação fiscal. “As despesas com saúde podem ser deduzidas integralmente, desde que todos os gastos estejam comprovados por notas fiscais e recibos”, afirma.

Saúde: o que pode ser deduzido

Podem ser abatidos integralmente:

  • Consultas médicas e odontológicas;
  • Psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos;
  • Exames laboratoriais e serviços radiológicos;
  • Internações hospitalares;
  • Planos de saúde;
  • Aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas ou dentárias, com finalidade médica.

Para 2026, há uma mudança operacional: recibos de profissionais liberais da área de saúde devem ser emitidos por meio da plataforma Receita Saúde. Segundo Suely Oliveira, o contribuinte poderá acessar diretamente o sistema para consultar os gastos registrados.

Educação: limite individual por pessoa

As despesas com educação também reduzem a base de cálculo do imposto, mas possuem um teto anual individual. Em 2025, o limite foi de R$ 3.561,50 por contribuinte ou dependente, no entanto, para este ano, a Receita Federal ainda não revelou o novo limite. Declarar as despesas com educação é vantajoso porque esse valor pode ser utilizado separadamente para cada pessoa declarada.

Entram na dedução:

  • Educação infantil;
  • Ensino fundamental e médio;
  • Graduação;
  • Pós-graduação.

Não são dedutíveis:

  • Cursos de idiomas;
  • Cursos de arte ou esporte;
  • Material escolar;
  • Transporte;
  • Procedimentos estéticos.

Dependentes: atenção à renda própria

Cada dependente reduz a base de cálculo do imposto. No entanto, a inclusão exige cautela quando há renda própria.

Scheila alerta que, se o dependente tiver rendimentos tributáveis elevados, a soma desses valores à renda do titular pode superar o benefício da dedução fixa. “Se a renda dele for significativa e superar as vantagens que a dedução traz, pode ser mais vantajoso não incluí-lo como dependente. O ideal é simular a declaração com e sem o dependente”, orienta.

Suely reforça que o dependente deve estar corretamente informado na ficha específica da declaração e que rendimentos próprios precisam ser avaliados antes da inclusão.

Outras deduções relevantes

Também reduzem o imposto devido:

  • Contribuições ao INSS oficial (abatimento integral)
  • Pensão alimentícia judicial, nos termos da decisão
  • Despesas com dependentes

Esses valores diminuem a base de cálculo. Se o imposto retido na fonte for superior ao valor devido após as deduções, a restituição aumenta.

Nova faixa de isenção altera impacto das deduções

A partir de 2026, há isenção total para quem recebe até R$ 5 mil por mês, com redução gradual do imposto até R$ 7.350. Segundo Scheila, a mudança altera a lógica do planejamento tributário. “Quem ganha até R$ 5 mil mensais fica isento sem precisar utilizar deduções para zerar o imposto. Para quem recebe entre R$ 5.001 e R$ 7.350, há redução proporcional antes mesmo de considerar as deduções”, explica.

Para rendas superiores, as deduções continuam estratégicas para reduzir o imposto e ampliar a restituição. Suely pondera que a isenção mensal não elimina a necessidade de atenção na declaração anual. Rendimentos de diferentes fontes podem ser somados no ajuste, gerando imposto a pagar. “Uma coisa é o limite mensal por fonte. Na declaração de ajuste anual, as rendas são somadas”, afirma.

Simplificada ou completa: é preciso comparar

O contribuinte pode optar entre o modelo simplificado e o completo. No ano-base anterior, o desconto simplificado foi limitado a R$ 17.640. Se as despesas dedutíveis ultrapassarem esse valor, o modelo completo tende a ser mais vantajoso, especialmente em casos de tratamentos médicos ou odontológicos de maior custo.

A recomendação das especialistas é realizar simulação no próprio programa da Receita antes da entrega para identificar qual modelo resulta em menor imposto ou maior restituição.

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