Economia

Indústria do cimento movimenta cerca de R$ 10 bilhões em Minas

Volume representa um crescimento de 5% frente a 2024 e foi impulsionado pelo aquecimento do mercado de trabalho, somado ao avanço de projetos, como Minha Casa Minha Vida
Indústria do cimento movimenta cerca de R$ 10 bilhões em Minas
Volume de cimento produzido em MG representa alta de 5% frente a 2024; MCMV impulsionou setor no Brasil | Foto: Divulgação Intercement

Apesar dos juros elevados, a indústria de cimento em Minas Gerais produziu aproximadamente 20 milhões de toneladas do insumo em 2025, movimentando uma cifra de R$ 10 bilhões. O volume representa um crescimento de 5% frente a 2024 e foi impulsionado pelo aquecimento do mercado de trabalho, somado aos reforços de projetos federais como Minha Casa Minha Vida (MCMV).

As projeções são do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Com esse resultado, o Estado se consolida como o maior produtor da categoria no País, impulsionando toda a cadeia produtiva da construção.

De acordo com o presidente do SNIC, Paulo Camillo Penna, apesar dos desafios, o avanço no Estado e no País são positivos, especialmente sobre uma base forte de crescimento já registrada em 2024. A empregabilidade, que registrou a menor taxa de desemprego histórica, e aumento da massa salarial apresentaram uma correlação importante no consumo de cimento.

“Dois terços do cimento brasileiro vêm ensacado para construções informais e pequenas reformas. É um volume expressivo que impactou positivamente a categoria”, destaca.

Somado a isso, a retomada e a evolução de programas como o Minha Casa Minha Vida (MCMV) são vistas como fundamentais para o reaquecimento do setor. A cada 2 milhões de unidades habitacionais entregues, o impacto estimado é de um acréscimo de cerca de 10 milhões de toneladas nas vendas de cimento.

A entidade avalia que, durante o governo Bolsonaro (2018-2022), o programa Casa Verde e Amarela teve desempenho aquém do esperado. A partir de 2023, com o retorno às origens, a iniciativa voltou a apresentar resultados excepcionais, com atuação conjunta entre governo e empresas para manter o ritmo de contratações e entregas.

Outro vetor de consumo importante no último ano foi o uso do cimento para o programa de pavimento rígido, que segue ganhando velocidade no País. Estados como Paraná, Goiás, São Paulo e Distrito Federal já adotaram a solução, que oferece maior durabilidade, menor necessidade de manutenção e melhor desempenho para o tráfego pesado, além de reduzir custos ao longo do ciclo de vida das rodovias.

Apesar do avanço na adoção em diferentes localidades, a categoria lamenta não conseguir sensibilizar os gestores de Minas Gerais para testarem a solução. “Minas ainda não conseguiu implementar o pavimento rígido nem mesmo em caráter experimental. Cerca de um terço do cimento do País é produzido no Estado e, ainda assim, não há sequer um metro de estrada com esse tipo de pavimentação”, salienta Penna.

No País, as vendas de cimento encerraram 2025 com um total de 67 milhões de toneladas comercializadas, acumulando uma alta de 3,7%, o que representa 2,4 milhões de toneladas a mais sobre o ano anterior. Todas as regiões apresentaram crescimento anual acumulado, com liderança do Nordeste (7,2%), seguido por Norte (4,0%); Sul (3,1%); Sudeste (2,7%) e Centro-Oeste (1,9%).

Em ano atípico, setor projeta avançar pelo menos 1,5%

Em 2026, por se tratar de um ano atípico, com Copa do Mundo, feriados prolongados e eleições, as expectativas são cautelosas, embora otimistas. Inicialmente, o setor projeta um crescimento de cerca de 1,5%, a depender da economia e do desempenho de programas públicos.

Ainda assim, a indústria do cimento trabalha para otimizar polos industriais e aumentar eficiência e competitividade, especialmente no que tange ao uso da energia térmica, principal custo do setor. “Há dez anos, a energia era produzida a partir do coque de petróleo. Hoje estamos investindo para modernizar a matriz, incorporando desde lixo urbano, resíduos industriais e biomassa”, acrescenta o dirigente.

Atualmente, 30% do coque já é substituído por fontes alternativas, superando a média da América Latina, de 22%. Até 2050, a meta é chegar a até 65%, resultado em linha ao de grandes potências europeias.

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