Indústria de papel e celulose cresce mais de 10% em Minas
Diferentemente do que ocorreu em 2024, quando recuou 0,8%, a produção da indústria de celulose, papel e produtos de papel em Minas Gerais subiu 10,1% em 2025, conforme a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada neste mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o segundo maior avanço entre as atividades observadas pelo levantamento, atrás do de veículos automotores (12,1%), o que chama a atenção.
Esse resultado significativo está ligado à expansão das exportações das duas empresas do setor em Minas Gerais consideradas gigantes, segundo o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão no Estado de Minas Gerais, Antônio Baggio. Ele afirma que, entre as intermediárias, que são algumas, observou-se uma alta menor, de cerca de 3%, e, entre as centenas de pequenas, o incremento foi ainda menos intenso, de 2%.
De acordo com o executivo, as gigantes no Estado são a Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) e a LD Celulose. A primeira produz celulose branqueada de fibra curta de eucalipto no município de Belo Oriente, no Vale do Rio Doce, enquanto a outra tem fábrica de celulose solúvel em Indianópolis, no Triângulo Mineiro.
“Como estas duas empresas citadas cresceram mais e representam muito mais no faturamento, é natural que ‘levantem’ o índice”, destaca. “As empresas menores sofreram com aumentos de custos e falta de mão de obra”, pondera.
As intermediárias, conforme Baggio, são, por exemplo, a Paraibuna Embalagens – fabricante de papel para embalagens e papelão ondulado em Juiz de Fora, na Zona da Mata – e a Klabin – que produz embalagens de papel ondulado em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Já no grupo das pequenas, figuram empresas como a Imballaggio, que fabrica sacos de papel em Lagoa Santa, também na RMBH.
Alta nos custos e escassez de trabalhadores
Sobre os desafios que parte do setor enfrentou, o executivo explica que o papel e as aparas de papel, com as quais se faz papel reciclado, subiram, em média, 18% no ano passado. Além disso, houve aumento dos salários. Esses fatores fizeram os custos crescerem.
Já a escassez de trabalhadores, na visão de Baggio, tem relação com os programas de assistência social do governo federal, como o Bolsa Família e o Gás do Povo. O vice-presidente do Sinpapel diz que, “longe de ajudar os necessitados ou incapazes”, com o que o sindicato concorda, essas iniciativas “acabam beneficiando preguiçosos em sua maioria”.
Copa do Mundo e eleições devem impor obstáculos em 2026
Analisando o cenário para a indústria mineira de papel e celulose em 2026, Baggio crê em um novo cenário de crescimento para o mercado de celulose de fibra curta. No entanto, para os convertedores, isto é, as empresas que transformam papel em sacos e chapas de papelão ondulado em caixas, o ano tende a ser negativo, na avaliação dele.
O executivo afirma que os convertedores sofrerão muita quebra de produção com a Copa do Mundo, época em que o dinheiro do consumidor “some”. Também serão afetados por um agravamento da falta de mão de obra devido às eleições, pois, nesses períodos, existem muitos empregos informais concorrendo com os formais e atraindo os trabalhadores.
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