Inflação de Belo Horizonte sobe 0,21% em setembro, puxada pela alta da gasolina

Itens como etanol (12,60%), excursões (4,05%), condomínio residencial (1,18%), torneira, cano e material hidráulico (8,96%) e vidro (5,67%) também pressionaram o índice
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Inflação de Belo Horizonte sobe 0,21% em setembro, puxada pela alta da gasolina
Crédito: Marcelo Casal Jr/ABr

Após registrar deflação de 0,16% em agosto, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo de Belo Horizonte (IPCA-BH) registrou inflação de 0,21% em setembro, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead). A aceleração foi puxada, principalmente, pela gasolina comum, que subiu 4,78%.

Embora não tenha o mesmo peso sobre o índice que a gasolina, o etanol teve alta de 12,60% e também contribuiu para o resultado, de acordo com o gerente de pesquisa da instituição, Eduardo Antunes. Além dos dois combustíveis, excursões (4,05%), condomínio residencial (1,18%), torneira, cano e material hidráulico (8,96%) e vidro (5,67%) foram itens que pressionaram o custo de vida na capital mineira.

Por outro lado, o automóvel novo apresentou queda de 2,65% e foi o principal responsável por frear a inflação no mês. Aniversário/festa (-4,05%), lanche (-1,93%), perfume (-8,66%) e queijo minas padrão (-11,26%) também influenciaram nesse sentido.

Cenário para os próximos meses

Com o resultado de setembro, o IPCA-BH acumulou alta de 3,89% no ano e de 4,38% nos últimos 12 meses. Antunes avalia que, dificilmente, haverá deflação em outubro, novembro e dezembro, logo, é mais provável que o índice feche 2026 mais próximo do teto da meta de inflação estabelecido pelo Banco Central (BC), de 4,50%, do que do centro da meta, de 3%.

“Não é uma inflação tão alta perto das outras que já vivenciamos, mas está muito longe do considerado razoável para a economia, que seriam os 3% usados como referência”, observa.

Para o gerente de pesquisa, também é possível que a inflação em Belo Horizonte fique acima do limite da meta. Ele salienta que os produtos não alimentares já acumulam alta de 4,50% nos últimos 12 meses e o índice é bastante suscetível ao que acontece nesse grupo.

Conforme Antunes, o que geralmente pressiona a inflação de produtos não alimentares nos últimos meses do ano são os itens de vestuário, devido ao aumento sazonal da demanda. Outro ponto de atenção é sobre o item excursões, que engloba viagens e tende a seguir pressionando o grupo em razão dos feriados e das festividades do período.

Alimentos também podem pesar

Ainda que a inflação da alimentação na Capital esteja em um patamar menor, de 3,81% nos últimos 12 meses, o gerente de pesquisa da Fundação Ipead afirma que é preciso ficar de olho no comportamento desse grupo até dezembro por causa das festas de fim de ano.

Antunes pondera que o período eleitoral não tem impactado o índice tanto quanto era esperado. Segundo ele, o mercado reagiu positivamente ao resultado da votação no primeiro turno, o que pode ajudar, de alguma forma, os preços não subirem daqui para frente. No entanto, ressalta que a inflação dos alimentos já costuma subir no fim do ano com alta na demanda.

“O Brasil é um caso à parte. Mesmo com notícias consideradas boas para o mercado, ele tem suas próprias dinâmicas e suas próprias manias, vamos dizer assim. Ele mesmo se movimenta e se tiver que aumentar, vai aumentar de qualquer jeito”, afirma.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)


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