Inflação na RMBH supera média nacional e atinge 1,05% em setembro

Maior impacto no mês veio do grupo Habitação, enquanto a Educação apurou queda no período
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Inflação na RMBH supera média nacional e atinge 1,05% em setembro
Foto: Reprodução/ Adobe Stock

A inflação da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) teve alta em setembro, depois de registrar queda em agosto. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), avançou 1,05%, acelerando 0,76 ponto percentual em relação a agosto, que havia registrado baixa de 0,29%. O resultado superou o índice nacional, que foi de 0,82%.

Com isso, o IPCA da RMBH acumula alta de 3,84% no ano até setembro e de 4,16% em 12 meses. Entre as 16 regiões pesquisadas pelo IBGE, apenas Vitória (1,08%) e Goiânia (1,07%) registraram inflação maior.

Com exceção do grupo Educação, que apresentou queda de 0,01%, todos os grupos analisados registraram alta em setembro na RMBH. O maior impacto veio do grupo Habitação, que teve acréscimo de 2,03% no mês.

O fim da incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas no mês de agosto, foi o maior impacto negativo, fazendo com que a energia elétrica residencial subisse 6,63% em setembro na RMBH. Somado a isso, a continuidade da vigência da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos, contribuiu para os altos valores.

No entanto, o economista e professor do UniBH, Fernando Sette Junior, ressalta que a inflação de setembro não pode ser atribuída exclusivamente à recomposição das tarifas de energia. “O período também apresentou pressões relevantes sobre transportes, combustíveis e alimentos, demonstrando que o encarecimento do custo de vida alcançou diferentes componentes do orçamento das famílias”, diz.

Outro grupo que contribuiu para o resultado na RMBH foi Transportes, com alta de 1,84%, motivado pela alta das passagens aéreas e dos combustíveis, que registrou variação positiva de 4,34%. O reajuste de 8,42% nas tarifas do táxi, vigente desde o dia 8 de agosto em Belo Horizonte, também contribuiu com o aumento registrado no mês.

Na avaliação de Sette Junior, o impacto econômico desses dois grupos ultrapassa o aumento imediato das despesas familiares. Segundo ele, energia e transporte são insumos fundamentais para o funcionamento das empresas e, consequentemente, influenciam os custos de produção, distribuição e comercialização de bens e serviços. “Quando essas despesas aumentam simultaneamente, os estabelecimentos enfrentam maior dificuldade para preservar suas margens de rentabilidade, especialmente em um ambiente no qual os consumidores apresentam limitações para absorver novos reajustes”, diz.

Entretanto, o professor do UniBH considera importante não desconsiderar Alimentação e Bebidas, que também registrou aumento expressivo de 1,16%, influenciado pela alta das raízes e legumes (23,96%). “Habitação e Transportes foram pressões centrais, mas a alimentação também teve participação relevante no resultado”, avalia.

Além desses três grupos, outros seis registraram alta no mês de setembro: Vestuário (0,79%), puxado pela alta das roupas femininas (1,6%); além dos grupos Artigos de residência (0,75%), Comunicação (0,54%), Despesas pessoais (0,48%) e Saúde e cuidados pessoais (0,14%).

Na opinião de Sette Junior, o desafio agora é “verificar se essas pressões permanecerão concentradas em determinados produtos e serviços ou se acabarão sendo transmitidas para outros segmentos da economia”, avalia.

Outro ponto de observação é que, apesar de a RMBH registrar a terceira maior inflação mensal do País, a região apresenta alta de 4,16% nos últimos 12 meses, inferior aos 4,58% observados nacionalmente. “Isso indica que o resultado de setembro, embora elevado, ainda não caracteriza um processo regional de inflação mais persistente que o brasileiro. A preocupação central deve estar nos possíveis efeitos sobre a atividade econômica”, diz o economista.

Perspectivas da inflação na RMBH nos próximos meses

Para os próximos meses, a perspectiva, na opinião do economista-chefe da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, é de aceleração da inflação em Belo Horizonte e no Brasil. Isso porque, na avaliação dele, apesar dos sinais crescentes de desaceleração econômica, o mercado de trabalho permanece bastante aquecido, pressionando custos de mão de obra e preços, especialmente no setor da construção civil.

Segundo ele, o balanço de riscos para o restante do ano segue assimétrico e as expectativas de mercado para o IPCA de 2026 voltaram a avançar nas últimas semanas.

Entre os principais riscos, Pio destaca os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os combustíveis e os custos produtivos. Além disso, ressalta a importância de observar as pressões potenciais sobre os alimentos associadas ao fortalecimento do El Niño no quarto trimestre. “A confirmação do cenário de um El Niño muito forte no último trimestre de 2026, ampliaria o risco de altas em alimentos e energia”, avalia.

No ambiente doméstico, é necessário acompanhar os efeitos do impulso fiscal, marcado pela continuidade dos déficits fiscais em agosto de 2026, e as repercussões das políticas de crédito sobre a atividade econômica. “Ambos os fatores podem contribuir para limitar a potência da política monetária, reduzindo sua capacidade de desacelerar a economia e conter as pressões inflacionárias”, finaliza.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.


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