Minas Port investe R$ 200 milhões em terminal logístico no Espírito Santo
O Grupo Minas Port, originário de Itaúna, no Centro-Oeste de Minas Gerais, está investindo cerca de R$ 200 milhões em um terminal multimodal em Fundão, no Espírito Santo. A informação é do diretor comercial e de planejamento, Maurício Araújo.
O empreendimento ocupará uma área de 320 mil metros quadrados, dividida em duas partes. Uma será dedicada à movimentação de granéis, carvão, petcoke, coque, gesso natural, minérios e fertilizantes. A outra atuará como um hub logístico, com armazéns para estocagem de produtos, inclusive cargas em contêineres.
O Terminal Multimodal de Fundão estará diretamente conectado à linha dupla da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), o que evita esperas características de linhas singelas. A estrutura também terá dez gates de descarga.
“O nosso terminal comportará 40 vagões por vez e mais de 80 no total”, pontua Araújo. “É um terminal para alta produtividade operando de forma simultânea entre carga e descarga por gravidade”, acrescenta.
Segundo ele, mais de 50% da área destinada à movimentação de granéis já estão pavimentadas e a unidade encontra-se licenciada e apta a receber mercadorias pelo modal rodoviário. O empreendimento possui integração logística com os principais portos do Espírito Santo, incluindo Portocel, Porto de Vitória, TPS e TPM.
O Grupo Minas Port tem atuação relevante na comercialização de seus materiais em unidades onde mantém terminais próprios, com destaque para os portos do Açu, no Rio de Janeiro, e de Imbituba, em Santa Catarina.
A expectativa é que a operação ferroviária no terminal em Fundão, considerada o principal objetivo estratégico logístico, tenha início no segundo semestre de 2027, após a conclusão das interligações e adequações de infraestrutura necessárias.
A negociação do grupo com a VLI Logística, que fará a movimentação por trilhos, está em andamento, finalizando aprovação dos projetos de interligação ferroviária. Os lados desenharam uma matriz de cargas de mais de 6 milhões de toneladas anuais, volume que deve ser alcançado a partir do segundo ano de atividades, conforme o diretor.
O terminal vai movimentar as cargas do Grupo Minas Port na importação e exportação. O complexo também terá uma área alfandegada.
Já no hub logístico, serão construídos armazéns para uso próprio e para locação a terceiros. Araújo diz que há conversas em curso para fechar com grandes players do mercado.
Misturadora de fertilizantes no Porto do Açu
Outro investimento em andamento da Minas Port é a construção de uma misturadora de fertilizantes no Porto do Açu, com capacidade produtiva de 850 mil toneladas anuais e orçada em R$ 200 milhões. O projeto foi anunciado em meados de 2024.
A primeira fase da planta, de envase em big bags, está em operação desde setembro, com capacidade de 90 toneladas por hora, segundo o diretor comercial e de planejamento. Nessa etapa, já foram investidos cerca de R$ 70 milhões. A expectativa é que, até o fim de 2027, a fase de mistura fique pronta e permita também o ensacamento em sacos de 50 quilos.
Em meio à intensa crise global de oferta e à forte pressão sobre os preços do enxofre, o Grupo Minas Port ampliou sua atuação na comercialização dessa matéria-prima estratégica, com o objetivo de garantir maior segurança de abastecimento e contribuir para a continuidade das operações industriais dependentes do insumo.
O enxofre é destinado à utilização em diferentes processos produtivos, com destaque para clientes no Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia, em Sete Lagoas, na região Central de Minas Gerais, em Fortaleza de Minas, no Sul do Estado, e em municípios do entorno.
Embora também comercialize a granel, o Grupo Minas Port aposta no envase para atender a mais clientes, incluindo empresas de pequeno porte.
Conforme Araújo, além da alta demanda por enxofre, há uma grande procura por ureia, insumo que será adquirido para atendimento ao mercado brasileiro, podendo ser comercializado em big bags, com fornecimento diretamente do terminal de envase.

Sobre a etapa de mistura, ele afirma que será importante para acabar com a triangulação logística, em que o material chega ao porto, segue para uma misturadora no interior e só depois vai ao cliente. Com a mistura no porto-indústria, os custos diminuem.
“A redução, somente com a capacidade de mistura que teremos na planta, deve superar R$ 100 milhões por ano e isso reflete diretamente no preço do produto para o agro”, ressalta.
Incentivos são essenciais para expansão
Com todos os investimentos feitos com capital próprio até o momento, o Grupo Minas Port apresentou um plano de investimento ao Fundo da Marinha Mercante (FMM), que oferece linhas com prazos mais longos e juros menores do que as de mercado, mas ainda não obteve resposta. Araújo considera esses incentivos fundamentais para expansão.
“Esses mecanismos nos permitem preservar o caixa e direcionar mais recursos para novos projetos e ampliação das nossas operações. Temos um ciclo importante de investimentos pela frente. Somente nos terminais que estão em construção, são mais de R$ 300 milhões previstos”, salienta o diretor comercial e de planejamento.
“Ter acesso a esses incentivos aumenta nossa capacidade de investir sem comprometer o fluxo de caixa. Isso nos dá condições de continuar crescendo e ampliando nossa infraestrutura para atendimento aos clientes”, reitera.
Por fim, ele frisa que o Grupo Minas Port não é apenas uma trading que compra no exterior e vende no mercado interno, mas sim, um grupo que investe em infraestrutura própria e que dispõe de terminais portuários, estrutura logística e capacidade operacional integrada, oferecendo soluções door-to-door (porta a porta, na tradução literal) para os clientes.
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