Juros altos e pleno emprego desaceleram criação de vagas formais em Minas; entenda
O pleno emprego no Brasil e a alta taxa de juros podem ter contribuído para que Minas Gerais encerrasse 2025 com saldo menor na geração de empregos formais. Conforme levantamento do Sebrae Minas, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Estado fechou o ano passado com redução de 43% frente a 2024 na criação de vagas formais.
Apesar da redução, o analista do Sebrae Minas Marcílio Duarte ressalta que a criação de 79 mil vagas em 2025, mesmo sendo menor do que o saldo de 2024, quando o Estado registrou 139 mil novos postos de trabalho, ainda é relevante, já que o Brasil vive um momento de quase pleno emprego.
“Ainda está muito cedo para afirmar quais foram os motivos para a queda, mas sabemos que é um saldo positivo. Há uma queda nos meses de novembro e dezembro em função da sazonalidade, mas isso já era esperado”, comenta.
Segundo Duarte, pelo fato de a maior parte das pessoas estar empregada, naturalmente fica mais difícil esse saldo crescer. Além disso, fatores macroeconômicos também interferem nos resultados.
“Por exemplo, o setor da indústria depende muito de crédito, que, no momento, está mais caro. Também há fatores como custos, que contribuem para enfraquecer um pouco o setor e dificultar bons resultados. Outro segmento afetado é a construção civil. São áreas mais dependentes da taxa de juros e que acabam sofrendo mais”, pontua.
Serviços e comércio lideram as contratações no Estado
De janeiro a dezembro, na análise setorial, o setor de serviços liderou a geração de empregos (45,6 mil) no Estado, seguido por comércio (20,2 mil) e indústria (14 mil). A construção civil, por sua vez, apresentou retração expressiva, com fechamento de 7,5 mil postos.
No mesmo período, as micro e pequenas empresas (MPEs) foram responsáveis por sustentar a criação líquida de postos de trabalho, com saldo positivo de 81,6 mil vagas, enquanto as médias e grandes empresas encerraram o ano com saldo negativo de 3,3 mil.
Dificuldade de contratação aparece no dia a dia dos negócios
A dificuldade apontada nos números também aparece no dia a dia dos negócios. Mesmo comércio e serviços sendo setores com mão de obra mais simples, contratação rápida e fácil absorção, os segmentos que mais empregam também encontram dificuldades.
Nesta semana, por exemplo, um anúncio da distribuidora de gás e água Quero Gás para a contratação de um entregador chamou atenção nas redes sociais e em grupos de WhatsApp.

Pagando acima da média do mercado, a vaga oferece salário de R$ 3 mil, comissão por venda, vale-transporte, refeição e alimentação, além de um gás por mês. No entanto, Gerson Moreira, atendente da empresa responsável por receber os currículos, diz que, mesmo assim, não está fácil preenchê-la. “Essa vaga fica constantemente aberta. A gente anuncia, recebe cerca de 20 currículos, seleciona uns oito para entrevista e um ou dois aparecem”, comenta.
Expectativa é de melhora moderada em 2026
De acordo com o analista do Sebrae Minas Marcílio Duarte, apesar do ritmo mais moderado, os dados de confiança do empresário mostram melhora para 2026, com boas expectativas para os próximos meses. No entanto, ele pondera que o ambiente segue desafiador.
“Os dados de confiança empresarial mostram melhora no início de 2026, especialmente nas expectativas para os próximos meses. Ainda assim, o ambiente segue desafiador, com condições financeiras mais restritivas no cenário macroeconômico atual, o que tende a limitar decisões de consumo e investimento”, diz.
Apesar disso, Duarte comenta que, em Minas Gerais, setores estratégicos tendem a sustentar o crescimento no curto prazo. A expectativa é de avanço moderado no começo deste ano, com destaque para a mineração, impulsionada por novos projetos, e para a agropecuária, especialmente o café, em função do ciclo de bienalidade positiva previsto para 2026.
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