Exclusivo: CBL dá início a expansões no Jequitinhonha e cogita sócio para a mineração após fechar sociedade envolvendo a refinaria
A Companhia Brasileira de Lítio (CBL), pioneira no segmento no País, tem executado planos estratégicos que fortalecem sua presença no mercado. O grupo vê o momento como ideal para tomar decisões importantes em meio à recuperação dos preços do lítio.
Em entrevista exclusiva ao Diário do Comércio, o CEO Vinícius Alvarenga afirma que a CBL deu início à expansão das operações no Vale do Jequitinhonha e tem o compromisso de concluí-las em dois anos. Os projetos para ampliar a unidade de mineração, localizada entre Itinga e Araçuaí, e a refinaria, que fica em Divisa Alegre, estavam no radar desde 2024, porém foram deixados em modo de espera devido às baixas históricas do lítio.
Cabe pontuar que serão gerados de 350 a 400 empregos diretos com essas ampliações. Atualmente, o quadro da CBL na região é composto por cerca de 800 colaboradores.
O executivo também revela que o grupo cogita a entrada de novos sócios minoritários. Existe a possibilidade de vender uma parte relevante da área de mineração, assim como foi feito recentemente com a refinaria, mantendo o controle com os atuais acionistas.
Há algum tempo, a CBL desmembrou a mineração e a refinaria. Com isso, passou a controlar dois negócios: o primeiro manteve o nome do grupo e o segundo foi denominado CBL Refinaria S.A. O entendimento foi de que o spin-off era necessário, pois se tratam de operações com características distintas, além de que o ingresso de sócios novos poderia gerar mais valor aos acionistas atuais e potencializar o desenvolvimento das duas unidades.

Segundo Alvarenga, o braço de mineração tem atraído o interesse do Oriente Médio. Não é certo que uma sociedade será fechada, no entanto, é possível para a continuidade da expansão iniciada, que custará cerca de US$ 90 milhões e elevará a capacidade de produção de concentrado de espodumênio de 50 mil toneladas (t) anuais para 115 mil/t.
Conforme ele, a CBL tem know-how, competitividade e recursos auditados que permitem uma nova ampliação para atingir uma capacidade instalada de 200 mil/t por ano. Esse projeto poderia ser executado logo na sequência do atual, mas não há nada definido.
Venda de parte da refinaria para a Altmin
Como anunciado neste mês, a CBL fechou acordo para venda de 33% da CBL Refinaria para a Altmin por US$ 40 milhões. A empresa indiana é cliente do grupo desde 2019 e, inclusive, foi a primeira a comprar carbonato de lítio grau bateria.
O CEO da CBL diz que a Altmin é uma das empresas da Índia que está se estabelecendo no segmento, aproveitando uma política de Estado do país para adensar a cadeia do lítio. Alvarenga explica que a Altmin será fabricante de cátodos de baterias de íon-lítio, que tem como principal insumo o produto fornecido pela planta química.
Ele ressalta que o braço de refino do grupo atraiu diversos interessados da Europa e do Oriente Médio, além dos indianos. O que despertou o forte interesse do mercado foi participar da única planta de químicos de bateria em operação industrial fora da China.
Vale salientar que o montante aportado pela Altmin na sociedade será totalmente destinado ao projeto de ampliação da refinaria, que triplicará a capacidade de produção anual, passando de 2 mil/t para 6 mil/t de carbonato de lítio grau bateria e hidróxido de lítio. A ampliação custará mais do que isso, contudo, o valor não foi revelado.
“Essa expansão busca, principalmente, ganho de escala para dar mais competitividade e também modernização em automação e controle”, destaca o CEO. “Faremos uma planta estado da arte, aproveitando todo know-how e tecnologia desenvolvidos pela CBL”, pontua.
Acordo de offtake com a empresa indiana
Embora viabilize a expansão da refinaria, Alvarenga ressalta que o recurso do equity não é o mais importante da negociação com a Altmin. Conforme ele, de forma concomitante à sociedade, foi selado um contrato de offtake, com prazo de 15 anos, com a empresa indiana para o fornecimento de carbonato de lítio grau bateria, em volumes e bases bem atrativas para a CBL Refinaria.
Os envios do produto para a Altmin começam em patamares menores, entretanto, quando a planta química estiver ampliada, chegarão a 5 mil/t, segundo o executivo. Neste caso, cabe mencionar que as mil/t que vão restar da produção expandida serão divididas em vários tipos de carbonato e de hidróxido de lítio para atender o mercado brasileiro.
“Mesmo com esse contrato de fornecimento de carbonato de grau bateria para a Altmin, ainda manteremos, prioritariamente, o atendimento ao mercado doméstico, que consome quantidade pequena, mas importante, de hidróxido de lítio e carbonato de lítio destinados a indústrias relevantes, como as de lubrificantes, medicamentos, cerâmica, vidros especiais, entre outras. É um consumo pequeno, porém vamos priorizar”, afirma o CEO da CBL.
“A gente espera que, no futuro, o mercado brasileiro de eletrificação permita a produção local de baterias, para que possamos realizar uma nova expansão para atender ao mercado brasileiro de baterias, que hoje, infelizmente, não possui produção. Não há demanda no Brasil que justifique a fabricação de baterias. Esperamos que haja uma política de Estado, uma estratégia ou um projeto de governo que mobilize o adensamento da cadeia de valor do lítio, para que possamos também atender a esse segmento no Brasil”, pondera.
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