Minas Gerais atrai R$ 128,5 bilhões em investimentos em energia e mineração até 2032
Estão em andamento, até 2032, R$ 128,5 bilhões em investimentos nos setores de energia e mineração em Minas Gerais, com previsão de gerar 97,5 mil empregos diretos e indiretos. É o que aponta o “Book de Empreendimentos – Minas e Energia 2026”.
O documento mapeia, no Brasil, aportes em execução nessas áreas que somam R$ 1,2 trilhão no período, capazes de criar 2,9 milhões de vagas. Há potencial para que os recursos aplicados cheguem a R$ 4 trilhões até 2035, de acordo com o levantamento.
A publicação, lançada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) nesta semana, mostra que os projetos minerais abrangem a maior parte do valor que está sendo investido no Estado. São R$ 70,2 bilhões, com previsão de geração de 14,8 mil postos de trabalho.
Apenas no segmento de minério de ferro estão em curso R$ 45 bilhões. Os R$ 25,2 bilhões restantes se dividem entre as áreas de lítio, terras-raras, nióbio, fertilizantes, ouro e titânio. Em nota, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) realça que Minas Gerais se destaca no setor mineral tanto pelos minerais tradicionais quanto pelos estratégicos.
“O Estado abriga minerais críticos essenciais para novas tecnologias e energias limpas. Destacam-se o volume de projetos de pesquisa e novos empreendimentos para terras-raras, além do lítio, em que o Estado poderá ter uma das maiores operações de rocha dura do mundo”, afirma, se referindo ao projeto da australiana PLS em Salinas, na região Norte.
A entidade também ressalta que Minas Gerais lidera a projeção de investimentos da mineração para o período de 2026- 2030, conforme levantamento do próprio Ibram. Os projetos são focados em minério de ferro, ouro, nióbio e fertilizantes, além de outros minerais. O valor previsto pelo instituto é de U$$ 19,7 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões na cotação atual), ou seja, a cifra supera a que o Ministério de Minas e Energia estima no book.
Aportes no setor energético
Ainda conforme o mapeamento do MME, os aportes que estão sendo executados em Minas Gerais até 2032 no setor energético são menores em relação ao setor mineral, ao totalizar R$ 58,3 bilhões. No entanto, os projetos têm capacidade de criar mais empregos: 82,7 mil.
Na divisão dos valores, a área de petróleo e gás soma R$ 726,8 milhões, dos quais R$ 651,4 milhões em gás natural e R$ 75,4 milhões em transporte e escoamento. Em combustíveis sustentáveis, notadamente em hidrogênio de baixo carbono, a cifra é de R$ 519,1 milhões.
Já os investimentos em geração, transmissão e distribuição de energia chegam a R$ 56,9 bilhões, com destaque para o último segmento, com R$ 31,5 bilhões. Para o consultor independente para assuntos de energia, Rafael Herzberg, os projetos indicados refletem a tradição brasileira de focar no aumento da oferta, mas sem assegurar a sua competitividade.
“O Brasil está sempre na rabeira do mercado quando a métrica é custo por quilowatt-hora de energia consumida entre os Brics, que são também nossos concorrentes em muitas frentes”, ressalta. “Nada neste ‘book de empreendimentos’ indica sobre os resultados que estes projetos oferecem ao País. Serão competitivos? Melhorarão os indicadores de interrupções não planejadas?”, questiona.
Segundo Herzberg, do lado da demanda, o Brasil está bem atrás. Ele cita, por exemplo, que o País tem um dos maiores índices de roubos de energia do mundo e que o documento do Ministério de Minas e Energia não indica qualquer iniciativa que países que ocupam a ponta do mercado estão adotando, como programas capilarizados de resposta à demanda.
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