Economia

Conflitos no Oriente Médio elevam alerta sobre custo do gás natural em Minas

Guerra no Oriente Médio tem potencial para afetar o preço final de gás natural, aumentando custos da indústria e da eletricidade
Conflitos no Oriente Médio elevam alerta sobre custo do gás natural em Minas
Foto: Divulgação/Gasmig

A escalada dos conflitos no Oriente Médio tem afetado não só os países da região, mas todo o mercado global de combustíveis, incluindo o Brasil e Minas Gerais. Uma das fontes de energia que podem impactar o mercado energético nacional e estadual, além do petróleo, é o gás natural. Apesar de ser um grande produtor, o Brasil importa parte do seu consumo, e a precificação do gás é indexada aos valores do barril de petróleo, cotado em dólar.

Dois setores acompanham com atenção o que pode acontecer no mercado de gás natural em Minas Gerais: a indústria e o setor de energia elétrica. O preço final do gás natural para revenda pode sofrer reajustes com potencial de influenciar os custos dessas áreas. Como há apenas uma distribuidora do produto no estado, a Gasmig, a dependência desse único fornecedor tende a impactar fortemente tanto o preço final da energia elétrica quanto o custo dos produtos gerados pela indústria.

]”A indústria acompanha com muita atenção a escalada da guerra no Oriente Médio — não só pela questão do diesel e da gasolina. O gás natural está em nossas análises constantes. Cerca de 92% do gás natural consumido em Minas tem a indústria como principal usuária, e esse produto vem da Gasmig. Mesmo sendo produzido localmente, os preços são tabelados como um derivado do petróleo, que recentemente foi cotado a 120 dólares”, comenta o coordenador de Mercado de Energia da Fiemg, Sérgio Pataca.

Pataca demonstra preocupação imediata com a próxima cotação do barril de petróleo, já que as negociações de um cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã não parecem ser um cenário de curto prazo. “Houve uma queda recente no valor do barril de petróleo pelo acordo de não ataque às infraestruturas do Irã. Mas a indústria ainda está muito tensa nesse sentido — principalmente a indústria mineira, que consome 92% do gás natural do estado. Se houver um aumento muito expressivo no próximo reajuste, que é o de abril, já acreditamos que haverá impactos do preço do barril de petróleo no custo do gás natural e, consequentemente, no custo desse consumo para a indústria”, completa.

Eletricidade mais cara

O efeito cascata de um aumento expressivo do gás natural tem outro ponto de tensão: uma possível alta nas contas de energia elétrica. O Gás Natural Liquefeito (GNL) normalmente é importado da Arábia Saudita e de outros países do Golfo Pérsico. Se esse tipo de gás, utilizado em usinas termelétricas no Brasil, encarecer significativamente, o custo da energia também subirá.

“A guerra envolvendo o Irã impacta, principalmente, o custo do transporte relacionado ao diesel e à gasolina, mas também pode elevar o custo da energia elétrica, devido às usinas de gás natural, que têm representatividade no Brasil. Cerca de 9% da energia no país vem de fontes termelétricas, gerando um efeito em cadeia que resulta em energia mais cara para a indústria e para o consumidor final”, explica o economista da Fiemg, Sérgio Pataca.

Cenário extremo

No início da guerra entre Ucrânia e Rússia, houve um aumento muito expressivo no preço do gás natural, o que chegou a inviabilizar seu uso em algumas indústrias ao redor do mundo. Certas empresas chegaram a substituir seu combustível por alternativas menos eficientes, como lenha ou carvão, por questões de custo. Esse cenário extremo não se repetiu no Brasil, mas o receio de que a produção industrial caia em função da alta nos combustíveis é real entre os industriais do país e de Minas Gerais.

“Há muito foco nas questões do diesel e da gasolina, mas existe um esquecimento de que o gás também é um importante insumo para a indústria”, finaliza Sérgio Pataca, da Fiemg.

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