Economia

Setor de joias em Minas Gerais tenta ‘driblar’ sobretaxas para seguir exportando

Produtores de joias em Minas Gerais reclamam de excessos de taxas, o que pode inviabilizar a produção a exportação
Setor de joias em Minas Gerais tenta ‘driblar’ sobretaxas para seguir exportando
Crédito: Adobe Stock

Minas Gerais, como grande produtor de joias preciosas e semipreciosas, tem autoridade para reivindicar melhores condições para o setor. E os produtores de gemas estão preocupados com as sobretaxas impostas aos produtos brasileiros nos mercados externos, principalmente nos Estados Unidos.

De acordo com o Sindicato das Indústrias de Joalherias, Ourivesarias, Lapidações e Obras de Pedras Preciosas, Relojoarias, Folheados de Metais Preciosos e Bijuterias no Estado de Minas Gerais (Sindijoias Ajomig), o peso do excesso de taxas — inclusive uma alíquota global de 15% — sobre a produção mineira e nacional será sentido por toda a cadeia, incluindo o consumidor final.

“Essa conta vai ser paga por alguém. No curto prazo, somos nós, empresários; a médio prazo, são os fornecedores e os clientes; e, a longo prazo, é o consumidor final. É inevitável”, afirmou o presidente do Sindijoias Ajomig, Murilo Graciano.

“Qualquer sobretaxa vai provocar algum impacto. E isso ocorre porque as tarifas incidem sobre a entrada da mercadoria nos EUA, independentemente de os produtos terem sido vendidos ou exportados em consignação”, completou Graciano.

Pedido de ajuda ao governo

Na terça-feira (3), o Sindijoias Ajomig participou de uma audiência com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Durante a reunião, foi apresentado um documento assinado pelo sindicato e pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, solicitando apoio do governo federal diante das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos, que afetam toda a cadeia produtiva de gemas e pedras preciosas no Brasil.

Murilo Graciano
Murilo Graciano prevê reação do setor diante do cenário adverso | Foto: Divulgação Arquivo Pessoal

A principal reclamação do setor é a adoção, por parte dos EUA, de um pacote tarifário que incluiu inicialmente uma alíquota de 10% sobre a maioria das importações brasileiras e, posteriormente, um regime de tarifas que chegou a 50% sobre grande parte dos produtos exportados pelo Brasil.

Segundo o Sindijoias Ajomig, essas medidas integram uma estratégia protecionista e de retaliação política e econômica, com potencial para reduzir as exportações brasileiras, pressionar margens de lucro e levar empresas a buscar mercados alternativos ou a deslocalizar parte da produção para manter acesso ao mercado norte-americano.

“O setor vai reagir para manter a produtividade e o faturamento, mesmo diante de um cenário adverso”, disse o presidente do Sindijoias Ajomig, Murilo Graciano.

Oriente Médio

Além do tarifaço, os exportadores demonstram preocupação com a crise no Oriente Médio. O cenário de tensão na região, somado à forte presença militar dos Estados Unidos, gera incertezas e insegurança para os negócios.

“Pode haver instabilidade cambial, aumento dos preços do metal – especialmente o ouro – e impacto sobre as rotas logísticas internacionais. Isso gera custos maiores, prazos de envio incertos e um ambiente de negócios mais volátil, com baixos investimentos na reposição de estoques de gemas”, conclui Graciano.

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