Minas Gerais alcança em 2025 superávit histórico na balança comercial desde 2011
Minas Gerais registrou em 2025 o maior saldo da balança comercial desde 2011. O superávit no ano passado foi de US$ 27,3 bilhões, enquanto o registrado 14 anos atrás chegou a US$ 28,3 bilhões – o melhor desempenho da história.
Na composição do resultado, as exportações e as importações foram recordes. No ano passado, o Estado vendeu US$ 45,7 bilhões e comprou US$ 18,3 bilhões. Até então, os maiores valores eram, respectivamente, US$ 42,1 bilhões, marca atingida no exercício imediatamente anterior, e US$ 17,6 bilhões, cifra observada em 2022.
Ao comparar com a performance de 2024, o saldo do Estado subiu 9,2%. Nesse mesmo confronto, a alta percentual dos embarques foi de 8,6% e dos desembarques de 7,8%.
Os dados constam na plataforma Comex Stat, da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic) e foram divulgados pelo governo federal nesta terça-feira (6).
Café e ouro impulsionam as exportações
Carro-chefe de Minas Gerais, o minério de ferro liderou a pauta de exportações do Estado em 2025, com US$ 12,2 bilhões. Entretanto, a receita com as vendas da commodity mineral diminuiu 3,2% em relação a 2024.
A pesquisadora da Fundação João Pinheiro (FJP), Maria Aparecida, ressalta que, em 2011, esse produto foi o responsável por puxar o crescimento dos embarques e o superávit do Estado, ao contrário do ano passado, quando o café se destacou.
A commodity agrícola, segundo colocada da lista, gerou uma receita de US$ 11,3 bilhões em 2025, o que representa um crescimento de 44,1% frente ao exercício imediatamente anterior. Conforme o analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Felipe Ramon, o valor das vendas da mercadoria cresceu em razão de uma alta nos preços internacionais – que já vinha ocorrendo há alguns anos.
“Para se ter uma dimensão desse aumento no preço, apesar desse incremento no valor, o volume exportado foi 11% menor que em 2024”, afirma.

Outro item que impulsionou o resultado do Estado no ano passado foi o ouro, que ocupou a terceira posição do ranking. As exportações do produto totalizaram US$ 3,2 bilhões, avanço de 76,9% quando comparado a 2024. Nesse caso, o volume subiu 25%, de acordo com Ramon.
“Em 2024, o ouro era o quinto produto mais exportado. Em 2025, saltou para terceiro. Isso devido ao tarifaço (tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos), que fez uma insegurança ser criada em volta do dólar, e a demanda pelo ouro naturalmente aumenta nesse cenário, por ser um ativo financeiro mais seguro”, salienta.
Adubos/fertilizantes lideram as importações
Do lado das importações, cuja pauta é mais diversificada, os adubos ou fertilizantes químicos (exceto fertilizantes brutos) foram os produtos mais comprados por Minas Gerais no ano passado. Os mineiros gastaram US$ 1,2 bilhão com essas mercadorias, o que equivale a um avanço de 17,3% ante o montante do exercício imediatamente anterior.
A segunda posição do ranking foi ocupada por medicamentos e produtos farmacêuticos (exceto veterinários), com US$ 790,1 milhões, avanço interanual de 26,2%. Já em terceiro lugar ficaram os veículos de passageiros, com US$ 703 milhões e queda de 29,2%.
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