Economia

Crise no Oriente Médio ameaça custos do agronegócio em Minas

Escalada da violência no Oriente Médio coloca os produtores do agro de Minas em alerta e gera preocupação; Faemg dá dicas de como proceder
Crise no Oriente Médio ameaça custos do agronegócio em Minas
Escalada do conflito no Oriente Médio está causando preocupação no agronegócio em Minas Gerais | Foto: RS Via Fotos Públicas

O fechamento do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, próximo à costa do Irã e dos Emirados Árabes, no Oriente Médio, pode se tornar um problema para o agronegócio de Minas Gerais. O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.

O Irã ameaçou atacar e incendiar navios que transitem pelo local, como forma de retaliação aos EUA e a Israel, que atacaram o país recentemente e causaram a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Como o Brasil é grande importador de petróleo, o insumo — essencial para movimentar a engrenagem do agro mineiro e da economia de todo o País — pode encarecer os custos de produção e escoamento. Por isso, cresce a preocupação com os rumos do conflito.

“A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã levou ao fechamento do Estreito de Ormuz e consolidou uma preocupação concreta, que já vínhamos acompanhando junto à nossa Confederação da Agricultura. Eventos geopolíticos acontecem longe das nossas porteiras, mas os efeitos chegam rápido ao mercado e ao campo”, explica a assessora técnica do Sistema Faemg Senar, Aline Veloso.

“Com o bloqueio da rota, mesmo que temporário, o impacto é imediato: alta no preço do petróleo, pressão sobre os combustíveis e aumento nos custos logísticos globais”, completa.

“Faca de dois gumes”

Apesar das preocupações com a escalada da violência entre EUA, Israel e Irã — que pode se alastrar pelo restante do Oriente Médio —, um efeito da crise pode ser positivo para o agronegócio mineiro: a valorização das exportações de Minas para o mercado árabe.

Por outro lado, a conta das importações também pode ficar mais salgada, encarecendo as operações de produção.

“Em cenários de crise internacional, o dólar tende a se valorizar — o que já está acontecendo. Isso pode até favorecer as exportações, mas encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas”, comenta Aline Veloso.

“Assim, podemos até prospectar maior receita em reais, mas também enfrentaremos custos mais altos, inclusive de produtos que importamos ou que passam pela região afetada pelo conflito”, explica a assessora.

Fertilizantes

Outros insumos relevantes para o agro do estado e provenientes do Oriente Médio são os fertilizantes nitrogenados. Minas Gerais importa boa parte do que consome em suas lavouras.

“Qualquer instabilidade prolongada pode pressionar ainda mais os preços dos insumos agrícolas. Minas Gerais é um estado com grande diversidade produtiva — com forte presença do café, leite, grãos, frutas e proteína animal —, e o aumento de insumos impacta diretamente o custo de produção, pressionando as margens e aumentando a incerteza no planejamento da safra futura”, pontua Aline Veloso.

Dicas ao produtor

A Faemg tem orientado seus associados e parceiros a reforçar a gestão de risco em suas propriedades.

Mesmo que o fechamento de rotas logísticas seja temporário, as empresas precisarão se adaptar, pois o conflito geopolítico pode influenciar preços e comprimir as margens de quem produz.

A entidade também sugere planejar as compras de insumos com antecedência, avaliar instrumentos de proteção de preços e manter atenção redobrada ao fluxo de caixa.

Por fim, capacidade de adaptação e visão estratégica serão essenciais neste momento — assim como a cobrança por ações governamentais e diplomáticas que evitem expor ainda mais o setor produtivo a riscos.

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