Plano Nacional de Mineração quer reduzir dependência de minério de ferro e da China
O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu, na sexta-feira (9), uma consulta pública, que ficará disponível até dia 8 de fevereiro, sobre a minuta atualizada do Plano Nacional de Mineração 2050 (PNM 2050). O documento visa, entre outros pontos, à redução da dependência do minério de ferro, principal mineral produzido e exportado pelo Brasil, e da China, principal parceiro comercial e destino de mais da metade dos envios do produto.
O PNM 2050 orienta o desenvolvimento da mineração no horizonte de 2025 a 2050. A nova versão do plano define como parte da visão de futuro que parcela significativa da produção nacional seja composta por minerais críticos e estratégicos. A ideia é diversificar a pauta exportadora tanto em conteúdo quanto em direcionamento, apoiando setores estratégicos da indústria, energia e agricultura, fortalecendo a competitividade e a sustentabilidade do País.
Essa ambição compõe um dos objetivos traçados no documento. O objetivo 2 enfatiza a importância do mapeamento geológico, da pesquisa mineral e do aproveitamento eficiente do patrimônio mineral, como foco em minerais críticos e estratégicos, reconhecendo justamente que a baixa diversificação da produção, a ociosidade de áreas minerárias e o baixo investimento em pesquisa mineral limitam o potencial econômico do setor.
“Ao ampliar o conhecimento geológico, reduzir áreas ociosas, diversificar a produção e priorizar minerais estratégicos como lítio, cobre, grafita, potássio e fosfato, dentre outros, o Brasil assegura insumos fundamentais para a transição energética e segurança alimentar, além de outros diversos segmentos”, destaca trecho do PNM 2050.
Vulnerabilidade do setor mineral
O documento ressalta que a manutenção de relações comerciais fortemente concentradas na exportação ou importação em poucos bens minerais e mercados aumenta a vulnerabilidade do setor mineral brasileiro, especialmente diante do atual contexto geopolítico, marcado por conflitos armados, restrições de oferta e crescente adoção de medidas protecionistas.
“Guerras e disputas geoeconômicas têm levado países a priorizar o abastecimento interno, ampliar estoques estratégicos e rever políticas comerciais como resposta a ações de outros atores internacionais”, explica trecho do plano sobre o contexto do setor e os cenários.
“Nesse cenário, eventuais mudanças na política comercial ou industrial da China podem afetar significativamente a demanda por minério de ferro brasileiro, reforçando a necessidade de diversificação de mercados e de produtos como estratégia para mitigar riscos”, complementa o documento, depois de apresentar dados que ilustram à expressiva concentração das exportações em um único bem mineral e direcionado majoritariamente a um único mercado.
De acordo com o PNM 2050, em 1990, a China importava apenas 2% do minério de ferro brasileiro, participação equivalente a 5% dos embarques totais nacionais. Em 2009, esses percentuais elevaram-se para 59% e 9%, respectivamente. Já em 2024, o produto representou aproximadamente 8,9% das vendas externas do País, tendo o mercado chinês como principal destino, com participação de 66,6%.
Cabe dizer que, em 2025, o percentual de participação da China nas exportações de minério de ferro do Brasil foi de 67,5% e a commodity respondeu por 8,3% de todos os embarques. Os dados constam na plataforma Comex Stat, da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic).
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