Planta da AMG para produção de carbonato de lítio segue no papel
A AMG Brasil ainda não tirou do papel o plano de construir uma planta dedicada à produção de carbonato de lítio. Fontes do mercado apontam que os preços do produto são o motivo pelo qual o projeto, até o momento, não se materializou.
Os valores estão em recuperação, contudo, não chegam nem perto do pico atingido em 2022. A cotação atual já atinge a casa dos US$ 15 mil por tonelada, o maior nível em quase dois anos. No entanto, na época de “ouro”, a tonelada era vendida a mais de US$ 80 mil.
O projeto da subsidiária da holandesa AMG Critical Materials N.V. se arrasta desde 2019. Naquele ano, a empresa e o governo de Minas Gerais assinaram um protocolo de intenções que previa a instalação na região Central do Estado, entre as cidades de Nazareno e São Tiago, onde a companhia produz, entre outros minerais críticos, o concentrado de lítio.
Em 2022, a planta química, que representaria um avanço na cadeia produtiva do mineral, voltou à tona. A AMG informou que as etapas de engenharia seriam concluídas em 2023, a construção começaria no exercício seguinte e as operações teriam início em 2026.
Dois anos depois, em um encontro com representantes do governo estadual, diretores da subsidiária e da controladora manifestaram mais uma vez a intenção de executar o projeto. Na ocasião, foi dito que os estudos de viabilidade da unidade estavam em fase avançada.
Ainda em 2024, a empresa afirmou que esperava definir o local da instalação no mesmo ano. A região Central, entre Nazareno e São Tiago, não era a escolha, mas sim, uma das opções, já que outras regiões, como o Triângulo Mineiro, os Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, além do Espírito Santo, também surgiram como alternativas.
Na mesma oportunidade, a companhia disse que os estudos de engenharia básica haviam sido concluídos e após a definição da localidade da planta de carbonato, o próximo passo seria realizar os estudos de engenharia detalhada. No novo cronograma, a construção começaria entre o fim deste ano e o começo de 2026, com o start das operações em 2028.
Empresa diz que não desistiu do empreendimento
Segundo fontes do mercado, a planta química da AMG ainda não prosperou, assim como outros empreendimentos de lítio anunciados para o Estado, porque as empresas estão “com o pé no freio”, aguardando os preços aumentarem para melhorar as condições dos projetos.
Em nota, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) afirma que o projeto da companhia continua em andamento, em processo de revisão de alguns estudos técnicos para adequação ao contexto atual do mercado do lítio e aos avanços da tecnologia.
“A Sede, junto à Invest Minas [Agência de Promoção de Investimentos do Estado de Minas Gerais], está em contato constante com a AMG e prestando assistência necessária para garantir que o projeto seja implementado, conforme as condições do mercado”, ressalta.
Já o CEO da AMG Brasil, Fabiano Costa, garante que a companhia não desistiu de nenhum dos empreendimentos com foco em minerais críticos e segue empenhada em construir no País um dos mais avançados complexos industriais voltados para esses materiais, com destaque para lítio e tântalo. Para isso, segundo ele, a empresa segue com estudos de viabilidade, incluindo análises locacionais e de capacidade operacional da futura planta.
“A implementação do projeto segue alinhada aos cronogramas previstos inicialmente”, diz.
“Empreendimentos desse porte estão sujeitos a eventuais flutuações nas suas datas de execução, uma vez que os prazos dependem dos resultados apontados pelos estudos de viabilidade. Esses estudos analisam fatores diversificados, como custos e investimentos, incluindo capex, requisitos legais, análises de riscos, entre outros aspectos essenciais para a tomada de decisão”, argumenta.
Ainda segundo Fabiano Costa, os estudos mais recentes da AMG indicam que o investimento na planta de carbonato de lítio será de US$ 250 milhões, podendo chegar a US$ 270 milhões. Conforme o CEO, a unidade deverá gerar cerca de 140 empregos diretos. Ele acrescenta que a empresa avalia opções de instalação em Minas Gerais e no Espírito Santo.
Planta de tântalo segue em expansão e AMG estuda novas ampliações
Em paralelo à planta química de lítio, a AMG havia anunciado também que iria expandir a produção anual de tântalo de 100 mil libras para 400 mil libras.
Fabiano Costa revela que as fases 1 (espirais e hidrociclones torre 1) e 2 (separação magnética) desse projeto foram concluídas em outubro e estão em ramp-up, enquanto a 3 (pré-concentração de grossos e finos) está em construção, com previsão de iniciar as operações até o segundo trimestre de 2026. O valor total do investimento é de US$ 14,2 milhões.
De acordo com o executivo, a empresa avalia novas ampliações para a unidade. Para a planta de concentrado de lítio, não há, por enquanto, previsão de novas expansões. O executivo sublinha que, após a recente expansão, a produção dessa instalação já se aproxima de 130 mil toneladas anuais, o que representa uma alta produtiva de 44% e o reaproveitamento de 3,8 milhões de toneladas por ano de rejeito de tântalo. O CEO também ressalta que a geração de CO2 caiu com a implementação de um sistema de tubulação de bombeamento da matéria-prima para alimentação da unidade, em substituição a caminhões.
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