Economia

Planta da AMG para produção de carbonato de lítio segue no papel

Projeto da subsidiária da holandesa AMG Critical Materials N.V. se arrasta desde 2019
Planta da AMG para produção de carbonato de lítio segue no papel
A AMG Brasil produz concentrado de lítio entre os municípios de Nazareno e São Tiago, na região Central de Minas | Foto: Divulgação Fabricio Guedes

A AMG Brasil ainda não tirou do papel o plano de construir uma planta dedicada à produção de carbonato de lítio. Fontes do mercado apontam que os preços do produto são o motivo pelo qual o projeto, até o momento, não se materializou.

Os valores estão em recuperação, contudo, não chegam nem perto do pico atingido em 2022. A cotação atual já atinge a casa dos US$ 15 mil por tonelada, o maior nível em quase dois anos. No entanto, na época de “ouro”, a tonelada era vendida a mais de US$ 80 mil.

O projeto da subsidiária da holandesa AMG Critical Materials N.V. se arrasta desde 2019. Naquele ano, a empresa e o governo de Minas Gerais assinaram um protocolo de intenções que previa a instalação na região Central do Estado, entre as cidades de Nazareno e São Tiago, onde a companhia produz, entre outros minerais críticos, o concentrado de lítio.

Em 2022, a planta química, que representaria um avanço na cadeia produtiva do mineral, voltou à tona. A AMG informou que as etapas de engenharia seriam concluídas em 2023, a construção começaria no exercício seguinte e as operações teriam início em 2026.

Dois anos depois, em um encontro com representantes do governo estadual, diretores da subsidiária e da controladora manifestaram mais uma vez a intenção de executar o projeto. Na ocasião, foi dito que os estudos de viabilidade da unidade estavam em fase avançada.

Ainda em 2024, a empresa afirmou que esperava definir o local da instalação no mesmo ano. A região Central, entre Nazareno e São Tiago, não era a escolha, mas sim, uma das opções, já que outras regiões, como o Triângulo Mineiro, os Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, além do Espírito Santo, também surgiram como alternativas.

Na mesma oportunidade, a companhia disse que os estudos de engenharia básica haviam sido concluídos e após a definição da localidade da planta de carbonato, o próximo passo seria realizar os estudos de engenharia detalhada. No novo cronograma, a construção começaria entre o fim deste ano e o começo de 2026, com o start das operações em 2028.

Empresa diz que não desistiu do empreendimento

Segundo fontes do mercado, a planta química da AMG ainda não prosperou, assim como outros empreendimentos de lítio anunciados para o Estado, porque as empresas estão “com o pé no freio”, aguardando os preços aumentarem para melhorar as condições dos projetos.

Em nota, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) afirma que o projeto da companhia continua em andamento, em processo de revisão de alguns estudos técnicos para adequação ao contexto atual do mercado do lítio e aos avanços da tecnologia.

“A Sede, junto à Invest Minas [Agência de Promoção de Investimentos do Estado de Minas Gerais], está em contato constante com a AMG e prestando assistência necessária para garantir que o projeto seja implementado, conforme as condições do mercado”, ressalta.

Já o CEO da AMG Brasil, Fabiano Costa, garante que a companhia não desistiu de nenhum dos empreendimentos com foco em minerais críticos e segue empenhada em construir no País um dos mais avançados complexos industriais voltados para esses materiais, com destaque para lítio e tântalo. Para isso, segundo ele, a empresa segue com estudos de viabilidade, incluindo análises locacionais e de capacidade operacional da futura planta.

“A implementação do projeto segue alinhada aos cronogramas previstos inicialmente”, diz.

“Empreendimentos desse porte estão sujeitos a eventuais flutuações nas suas datas de execução, uma vez que os prazos dependem dos resultados apontados pelos estudos de viabilidade. Esses estudos analisam fatores diversificados, como custos e investimentos, incluindo capex, requisitos legais, análises de riscos, entre outros aspectos essenciais para a tomada de decisão”, argumenta.

Ainda segundo Fabiano Costa, os estudos mais recentes da AMG indicam que o investimento na planta de carbonato de lítio será de US$ 250 milhões, podendo chegar a US$ 270 milhões. Conforme o CEO, a unidade deverá gerar cerca de 140 empregos diretos. Ele acrescenta que a empresa avalia opções de instalação em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Planta de tântalo segue em expansão e AMG estuda novas ampliações

Em paralelo à planta química de lítio, a AMG havia anunciado também que iria expandir a produção anual de tântalo de 100 mil libras para 400 mil libras.

Fabiano Costa revela que as fases 1 (espirais e hidrociclones torre 1) e 2 (separação magnética) desse projeto foram concluídas em outubro e estão em ramp-up, enquanto a 3 (pré-concentração de grossos e finos) está em construção, com previsão de iniciar as operações até o segundo trimestre de 2026. O valor total do investimento é de US$ 14,2 milhões.

De acordo com o executivo, a empresa avalia novas ampliações para a unidade. Para a planta de concentrado de lítio, não há, por enquanto, previsão de novas expansões. O executivo sublinha que, após a recente expansão, a produção dessa instalação já se aproxima de 130 mil toneladas anuais, o que representa uma alta produtiva de 44% e o reaproveitamento de 3,8 milhões de toneladas por ano de rejeito de tântalo. O CEO também ressalta que a geração de CO2 caiu com a implementação de um sistema de tubulação de bombeamento da matéria-prima para alimentação da unidade, em substituição a caminhões.

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