Polo Moveleiro de BH espera alta de 30% nas vendas em agosto

Setor é o principal da América Latina, com mais de 100 estabelecimentos ao longo dos quase 3 Km da avenida Silviano Brandão
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Polo Moveleiro de BH espera alta de 30% nas vendas em agosto
Foto: Reprodução Adobe Stock

A 14ª edição da campanha coletiva “Liquida na Silviano Brandão”, entre 21 e 30 de agosto, deve impulsionar as vendas do polo moveleiro da avenida Silviano Brandão em 30% na comparação com julho. Essa é expectativa da Associação dos Lojistas do Polo Moveleiro da Silviano Brandão e Região (Alo Sb), que também espera que esse aumento possa dar fôlego ao arranjo produtivo local ao longo do segundo semestre.

Considerado o maior polo moveleiro da América Latina, o trecho reúne mais de 100 estabelecimentos ao longo de quase três quilômetros, passando pelos bairros Floresta, Sagrada Família, Santa Tereza e Horto. A estratégia de descontos de até 50% em móveis e itens de decoração é coordenada entre os lojistas e tem sido usada como resposta à expansão do e-commerce e às exigências do Código de Postura da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).

Para a presidente da Alo Sb, Eliana Reis, a ação em agosto é importante para os lojistas esperarem a Black Friday, em novembro, quando há uma alta nas vendas. “Agosto ajuda a equilibrar o caixa e manter as equipes motivadas”, assinala. Para ela, a ação consolidada há 14 anos já faz parte do calendário do consumidor e reforça o papel do polo como referência em móveis e decoração.

Segundo Eliana Reis, manter um polo forte significa mais que geração de empregos diretos e indiretos. É preservar um ecossistema que integra comércio, design de interiores, entrega, montagem e logística urbana. Com o resultado de agosto, a expectativa da Alo Sb é investir em estoque e divulgação para sustentar o ritmo até novembro, quando o setor aposta no maior pico de vendas do ano.

Eliana Reis
A presidente da Alo Sb, Eliana Reis, destaca que a campanha do polo moveleiro em agosto já é parte do calendário do consumidor | Foto: Arquivo pessoal

Para a presidente da associação, a campanha de agosto funciona como um catalisador: concentra a demanda e aquece toda a cadeia, de lojistas a transportadores e montadores. A oferta vai de móveis planejados e guarda-roupas a sofás, colchões e decoração, atendendo cliente residencial, empresarial e também o público de seminovos. “É essa variedade e o atendimento especializado que mantêm o polo competitivo”, pontua.

Diferentemente de outros polos tradicionais da capital mineira, o segmento de móveis da região Leste manteve sua vocação original, apostando na experiência presencial como diferencial competitivo. Em um setor onde o consumidor valoriza o contato direto com materiais, dimensões e acabamentos, o chamado “ver antes de comprar”, a loja física não é apenas um ponto de venda, mas um showroom sensorial insubstituível. É essa vantagem estrutural que os empresários do polo exploram coletivamente, transformando a concorrência digital em complemento, e não em ameaça existencial.

Eliana Reis compara o polo moveleiro com outros eixos comerciais da capital mineira. No Barro Preto, polo histórico de moda atacadista, a digitalização das compras reduziu drasticamente o fluxo de compradores interestaduais e levou à substituição de antigas lojas de vestuário por escritórios, clínicas e centros de apoio logístico ao e-commerce, muitos deles voltados a equipamentos e acessórios eletrônicos. “A transformação no Barro Preto foi estrutural e o bairro perdeu sua identidade varejista original e reconfigurou-se como zona de serviços”, compara.

Já na Savassi, na região Centro-Sul de BH, Eliana Reis considera que o movimento foi de reinvenção por experiência. O comércio de moda cedeu espaço progressivamente a bares, restaurantes, cafeterias e espaços culturais, apostando em um modelo híbrido onde o consumo presencial se ancora no entretenimento e na sociabilidade. Enquanto na avenida Pedro II, polo automotivo, os espaços de estacionamento foram substituídos por pista exclusiva de ônibus, reduzindo drasticamente a venda presencial, devido à dificuldade de estacionar para a clientela.

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.

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