Juros altos freiam setor moveleiro mineiro, que aposta em recuperação no segundo semestre
O ano de 2026 do setor moveleiro de Minas Gerais pode ser definido com a seguinte tríade: resiliência, expectativa e otimismo, mesmo que em menor escala. O segmento está em uma fase em que o foco, neste primeiro semestre, é manter-se em funcionamento para que haja uma reação na parte final do ano.
O presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário e de Artefatos de Madeira no Estado de Minas Gerais (Sindimov-MG), Maurício de Souza Lima, destacou alguns pontos que traçam o atual cenário moveleiro do Estado. Segundo ele, de janeiro a maio, o segmento apresentou leve recuo e que fatores internos e externos influenciaram o resultado. Mas um item se destacou pelo impacto no setor e gerou um efeito cascata: os juros altos.
“São vários fatores que influenciaram nosso resultado. Mas não é surpresa o primeiro semestre ser mais fraco. É algo até normal. A expectativa é que tenhamos uma melhora a partir de agosto”, disse.
O custo do crédito, na visão do sindicato, tem sido um grande dificultador para a modernização e a expansão da indústria, pois, com uma demanda sem elevação e crédito caro, investir se torna uma tarefa mais complexa.
“Porém, nosso primeiro semestre poderia ter sido melhor, já que o principal fator para este início de ano difícil são as altas taxas de juros. Elas acabam gerando restrição ao crédito. A Copa do Mundo também contribui para a queda na demanda, especialmente neste ano”, revela.
Incertezas e dependência
Apesar de ter expectativa de melhora para o segundo semestre, o presidente do Sindimov mantém cautela diante das incertezas do período eleitoral, que, segundo ele, “deve ter uma influência negativa” no setor.
Um fator que pode ser determinante para a recuperação dos resultados é a construção civil mineira voltar a engrenar. O motivo é a ligação direta entre o lançamento e a venda de novos empreendimentos e a demanda por móveis para abastecer esses espaços, gerando consumo.
“O setor moveleiro depende muito da construção civil. Como o setor de construção está com movimento enfraquecido, o setor moveleiro também passa por um desaquecimento na demanda”, comenta Lima.
Mão de obra escassa
Segundo o Sindimov-MG, o setor moveleiro de Minas tem enfrentado muitos desafios em relação às questões financeiras. Todavia, o fator humano tem contribuído para aumentar os contratempos. “A falta de mão de obra qualificada, a dificuldade de investimentos devido à alta nas taxas de juros e a forte concorrência com a informalidade estão sendo elementos difíceis de lidar”, disse o presidente da entidade..
“Para enfrentar o desafio da falta de mão de obra, temos trabalhado em parceria com o Senai, o Cedetem e prefeituras de alguns municípios para a formação de profissionais. Criamos uma escola itinerante que levamos até os municípios, onde as prefeituras contratam o Senai e o Cedetem, e nós levamos equipamentos e instrutores para essa formação nas dependências disponibilizadas pela prefeitura”, ressalta o dirigente.
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