Porto do Açu exportará coque produzido pela Petrobras em Betim

Envio está previsto em um contrato recém-firmado entre as empresas para a operação regular de exportação do subproduto do refino
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Porto do Açu exportará coque produzido pela Petrobras em Betim
Produto será exportado por meio do Terminal Multicargas (T-Mult) do Porto de Açu, que fica em São João da Barra, no Rio de Janeiro | Foto: Divulgação Porto Açu

O coque de petróleo produzido pela Petrobras na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), será exportado por meio do Terminal Multicargas (T-Mult), do Porto do Açu, em São João da Barra, no Rio de Janeiro.

As empresas firmaram recentemente um primeiro contrato para a operação regular de exportação do subproduto gerado no processo de refino.

Válido por um ano, com possibilidade de renovação por mais cinco, o acordo estabelece uma nova rota logística de escoamento da produção tanto da planta mineira quanto da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), que fica no território fluminense, e da Refinaria de Paulínia (Replan) e Refinaria Henrique Lage (Revap), ambas situadas em São Paulo.

A expectativa é que sejam movimentadas até 600 mil toneladas de coque por ano, contemplando as etapas de recebimento, armazenagem e exportação da carga.

“Isso vai ajudar a fortalecer a nossa movimentação de produtos mineiros. Já fazemos bastante importação de coque e algum percentual de exportação, mas agora, nesse contrato, um dos grandes focos é sair da Regap e exportar através do porto”, realça o CEO do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo, ao Diário do Comércio.

“Devemos ter em torno de 40 mil a 45 mil toneladas por embarque. A previsão é que cada um mês e meio, mais ou menos, tenhamos um. O primeiro deve começar em outubro”, diz.

Conforme o CEO, o coque a ser exportado poderá sair de qualquer uma das quatro refinarias do Sudeste ou até mesmo ser misturado. Segundo ele, ainda é preciso aguardar a própria empresa nomear a carga para saber sua origem.

Nesse sentido, o diretor de terminais e logística do Porto do Açu, João Braz, pontua que a maior parte do coque da Petrobras que o T-Mult vai exportar é produzido em Betim.

Maior disponibilidade de caminhões e menor custo

Ainda segundo Braz, o contrato com a Petrobras traz benefícios também para outros clientes. Ele explica que o fluxo do T-Mult atualmente é cerca de 70% de importação e 30% de exportação. A partir do acordo, o terminal amplia o volume de embarques, o que aumenta a disponibilidade de caminhões e frete de retorno, reduzindo o custo do transporte.

“Por mais que seja uma exportação de coque da Petrobras, todos os clientes vão se beneficiar porque tem mais caminhão disponível e diminui o custo rodoviário, que é o principal ofensor no País em termos de custo. Isso foi muito importante pra gente”, ressalta.

Petrobras visa expandir operações no exterior

Em nota, a Petrobras afirma que firmou contrato com o Porto do Açu com o objetivo de expandir suas operações no exterior, com a exportação do coque verde de petróleo (CVP), que é produzido em algumas de suas refinarias e exportado para importantes mercados internacionais, incluindo China e Índia.

Conforme a empresa, o coque com baixo teor de enxofre e metais se destaca no mercado por suas características diferenciadas, que o tornam adequado para aplicações industriais de maior valor agregado, e sua elevada qualidade contribui para a maximização da geração de valor e para o fortalecimento da competitividade da companhia.

“Entre os principais usos estão a produção de coque calcinado para a indústria de alumínio, de coque grafitizado empregado em materiais anódicos para baterias de íons de lítio e de carbeto de silício, insumo utilizado em aplicações que vão desde refratários e abrasivos até componentes eletrônicos e semicondutores avançados”, esclarece.

Questionada sobre a quantidade que deve ser enviada pela Regap para exportação no Porto do Açu considerando o total previsto no contrato, a Petrobras diz que não comenta volumes de produção, exportação ou detalhes relacionados à comercialização de produtos de unidades específicas, por se tratarem de informações de caráter estratégico e comercial.

“A companhia avalia continuamente as melhores alternativas de comercialização e logística para seus produtos, considerando as condições de mercado e buscando maximizar a geração de valor”, pondera.

Exportação de locomotivas produzidas pela Wabtec em Contagem

Outra operação nova do Porto do Açu, também relacionada a Minas Gerais, foi a exportação, entre dezembro de 2025 e maio deste ano, de 17 locomotivas produzidas pela Wabtec Corporation em Contagem, na RMBH, para a Austrália.

Figueiredo afirma que o acordo com a empresa para o envio do lote decorreu de uma aproximação com a comunidade de negócios mineira. Braz pontua que os embarques foram um teste bem-sucedido e poderão acontecer novamente.

200 milhões de toneladas de cargas movimentadas de Minas Gerais

Em funcionamento desde 2014, o Porto do Açu tem registrado a movimentação de 200 milhões de toneladas de cargas com origem ou destino em Minas Gerais e 824 mil toneladas pelo T-Mult. O Estado representa 47% das movimentações do complexo e 60% do terminal.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)


Publicidade Legal

Impresso

Ver outras datas

Digital

Ver outras datas
Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas

Acessos importantes

Especial
Aos 94 anos, Diário do Comércio revisita as campanhas que ajudaram a moldar Minas