Preço dos combustíveis cai em Minas; etanol pode ser encontrado a R$ 2,99 em BH

Biocombustível teve a maior redução no período, com queda de 4,13% no Estado e de 5,32% na Capital
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Preço dos combustíveis cai em Minas; etanol pode ser encontrado a R$ 2,99 em BH
Foto: Alessandro Carvalho / Arquivo / Diário do Comércio

Os preços médios dos combustíveis vendidos ao consumidor em Minas Gerais caíram no último mês, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A maior redução foi registrada no etanol, que caiu 4,13% no Estado de julho para agosto e 5,32% em Belo Horizonte no mesmo período. Na Capital, há postos em que o biocombustível está sendo vendido a R$ 2,99 o litro.

Enquanto, na primeira semana de julho, o litro do etanol foi vendido, em média, a R$ 3,94 em Belo Horizonte, na primeira semana de agosto o valor caiu para R$ 3,73, uma redução de 5,32%.

Na Capital, o preço médio do litro do diesel também caiu no período, passando de R$ 6,88 para R$ 6,77, uma redução de 1,6%. Já a gasolina apresentou a menor queda, de 0,82%, com o preço médio do litro passando de R$ 6,05 para R$ 6.

No Estado, o litro do etanol foi vendido, em média, a R$ 4,11 na primeira semana de julho, enquanto, na primeira semana de agosto, o valor caiu para R$ 3,94, uma redução de 4,13%. O preço médio do litro do diesel também recuou 1,46%, passando de R$ 6,83 para R$ 6,73. A gasolina apresentou a menor redução no período, com o preço médio do litro passando de R$ 6,26 para R$ 6,19, queda de 1,11% de julho para agosto.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é image-11.png
Fonte: ANP

Maior oferta e concorrência pressionam preços para baixo

De acordo com o coordenador do curso de Ciências Econômicas do Centro Universitário Ibmec BH, Ari Francisco de Araújo Júnior, a queda dos preços reflete uma combinação de fatores relacionados à oferta e à concorrência. Segundo ele, houve recuo nos preços ao longo da cadeia de distribuição, maior disponibilidade de combustíveis e um ambiente de mercado mais competitivo.

“No caso dos combustíveis automotivos, as reduções no preço do etanol ajudaram a pressionar a gasolina para baixo, já que os dois produtos concorrem diretamente pelos consumidores”, afirma.

Ainda segundo o coordenador do Ibmec, o etanol costuma apresentar maior sensibilidade às condições da safra de cana-de-açúcar. Com a oferta mais favorável neste período, houve aumento da disponibilidade do produto, o que contribuiu para uma queda mais intensa dos preços em comparação com a gasolina e o diesel. “Na Grande BH, levantamentos apontam redução em alguns casos de até 9% no período”, ressalta.

O economista e professor do curso de Gestão e Negócios do Uni-BH, Fernando Sette Júnior, também associa a queda dos preços a fatores externos. Segundo ele, além do período de safra, que favorece a concorrência no mercado interno, o petróleo apresentou menor volatilidade no mercado internacional do que nos meses anteriores, reduzindo as pressões sobre os preços dos combustíveis derivados.

“Além disso, Minas Gerais é um importante produtor de cana e está próximo das principais regiões produtoras de São Paulo e Goiás. Essa proximidade reduz custos de transporte e facilita que a maior oferta chegue ao mercado mineiro. Outro aspecto é que, com a gasolina apresentando menor variação, as usinas precisam manter o etanol competitivo para preservar sua atratividade ao consumidor flex, o que reforça a pressão por preços menores”, diz.

Sobre os preços mais baixos dos combustíveis em Belo Horizonte em comparação com a média estadual, Araújo Júnior explica que a Capital se beneficia da escala de mercado, do maior volume de vendas e da concorrência mais intensa entre os postos. “Além disso, cidades mais distantes dos principais centros de distribuição tendem a incorporar custos logísticos maiores, elevando a média estadual”, diz.

Ainda segundo o coordenador, Belo Horizonte possui elevada concentração de postos, distribuidoras e consumidores, o que aumenta a concorrência e favorece o repasse mais rápido das reduções de preços.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas