Economia

Preço do etanol cai 2,13% em Minas Gerais; gasolina sobe

Biocombustível registra maior queda entre maio e junho, enquanto gasolina tem alta e diesel se mantém estável com intervenção governamental
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Preço do etanol cai 2,13% em Minas Gerais; gasolina sobe
Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Charles Silva Duarte

O preço médio do litro do etanol registrou a maior queda entre os combustíveis na passagem de maio para junho em Minas Gerais. De acordo com dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana de 17 a 23 de maio, em comparação com 14 a 20 de junho, o etanol caiu 2,13%.

Os preços variaram de R$ 4,22 para R$ 4,13 o litro. Em contrapartida, a gasolina, principal concorrente do biocombustível, foi a que registrou a maior alta, 1,62% no período analisado, passando o preço médio no Estado de R$ 6,17 para R$ 6,27.

O professor e coordenador do Curso de Ciências Contábeis do Ibmec-BH, Ari Araújo Jr., explica que a dinâmica segue, em grande medida, em função de fatores nacionais e internacionais, com movimentos distintos entre etanol, gasolina e diesel.

No caso do etanol, a principal explicação para a queda no período é o aumento da oferta. “Com o avanço da safra da cana-de-açúcar na região Centro-Sul, onde está a maior parte da produção brasileira, houve elevação significativa de produção e da disponibilidade de biocombustível, o que pressiona os preços para baixo nas distribuidoras e nos postos”, comenta.

Além disso, em 2026, segundo Araújo Jr., o biocombustível vem registrando uma sequência de reduções após picos observados em 2025, com o litro atingindo este mês um dos níveis mais baixos em um ano.

Já a gasolina apresenta tendência de alta (1,6%) e maior rigidez de preços, explicada por fatores conjunturais, entre eles o reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no início de 2026, que elevou diretamente os preços ao consumidor; e o fato de o etanol anidro, que compõe a mistura obrigatória da gasolina, também pressionar os custos em momentos anteriores, lembra o professor.

“Soma-se a isso a influência do mercado internacional do petróleo, que voltou a registrar alta em função de tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, impactando os derivados fósseis”, diz.

Atuação do governo federal ‘amortece’ preço do diesel

No caso do diesel, a economista e professora do curso de Gestão e Negócios do Centro Universitário Una, Vaníria Ferrari, analisa que a pequena queda apresentada na comparação anual (0,5%) deve reduzir os custos produtivos. “Isso pode favorecer os setores de agro, mineração e indústria, já que reduz custos operacionais”, avalia.

Para Ari Araújo Jr., a relativa estabilidade observada do diesel, com pequenas oscilações, está diretamente ligada à atuação do governo federal. Segundo o professor do Ibmec-BH, subsídios e mecanismos de compensação foram implementados para evitar repasses mais bruscos ao consumidor, diante da volatilidade do petróleo internacional.

“Essas medidas incluíram pagamentos por litros a produtores e importadores e isenções tributárias, o que ajudou a conter aumentos mais expressivos. Por outro lado, esses subsídios não necessariamente reduzem preços de forma significativa, mas atuam mais como um amortecedor, evitando altas maiores”, explica.

E completa: “Dessa forma, o quadro atual pode ser resumido da seguinte forma: o etanol cai em função de fatores de oferta agrícola, a gasolina sobe por influência tributária do mercado internacional e o diesel permanece relativamente estável devido à intervenção governamental”.

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