Combustíveis mais baratos ajudam a frear inflação na RMBH
A inflação na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) registrou alta de 0,34% em maio, ficando abaixo da média nacional, de 0,58%, e inferior ao apurado em abril, quando atingiu 0,61%. O resultado foi influenciado principalmente pela menor pressão dos alimentos e pela queda mais intensa nos preços dos combustíveis. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados por especialistas.
Com o resultado, a inflação atingiu 3,12% entre janeiro e maio deste ano na RMBH. No acumulado dos últimos 12 meses o IPCA atingiu 4,26%, de acordo com o IBGE.
O economista do Grupo ISF Soluções Financeiras, Leonardo Baldez, afirma que o resultado já era esperado pelo mercado. Segundo ele, a alta de 0,34% indica uma desaceleração em relação aos períodos de maior pressão inflacionária, mas ainda mostra que o processo de convergência da inflação para níveis mais confortáveis ocorre de forma gradual. “Não foi uma surpresa, mas também não é um resultado que permita dizer que a inflação está totalmente sob controle”, afirma.
Para o economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano, um dos fatores que mais contribuíram para que o IPCA da RMBH ficasse abaixo da média nacional foi a menor pressão dos alimentos. “A alimentação no domicílio subiu 1,29% na RMBH, ante 1,65% no cenário nacional, e isso tem peso importante dentro do índice”, afirmou. Segundo ele, também houve desaceleração na alimentação fora do domicílio, levando o grupo Alimentação e bebidas a registrar alta de 0,92% na capital mineira, ante 1,33% no Brasil.
Outro fator relevante apontado pelo economista foi o comportamento dos combustíveis. “A gasolina caiu cerca de 3,8% em Belo Horizonte, contra 1,46% no índice nacional, e o etanol recuou mais de 11%, acima da queda registrada no restante do País, de 6,2%. Isso fez com que o grupo Transportes apresentasse uma deflação mais intensa”, explicou. Na RMBH, a queda foi de 0,93% no grupo Transportes, enquanto no Brasil a redução foi de 0,46%.
No grupo Habitação, a alta na RMBH foi de 0,81%, com impacto mais moderado da energia elétrica. Conforme destaca Serrano, apesar da mudança da bandeira tarifária, reajustes mais expressivos observados em outras capitais não tiveram efeito relevante em Belo Horizonte no período. “A variação refletiu basicamente a bandeira tarifária, sem outros aumentos significativos no mês, o que ajudou a manter o índice mais baixo”, disse. Ele acredita que o reajuste de 5,21% aplicado pela Cemig em 28 de maio seja refletido de forma mais intensa apenas no próximo mês.
Dos nove grupos analisados pelo IBGE, apenas três registraram queda na RMBH: Transportes (-0,93%), Educação (-0,03%) e Comunicação (-0,09%). Os demais grupos apresentaram alta. Além de Alimentação e bebidas (0,92%) e Habitação (0,81%), já citados, houve avanços em Vestuário (0,83%), Saúde e cuidados pessoais (0,77%), Despesas pessoais (0,47%) e Artigos residenciais (0,13%).
Inflação no País fica acima das expectativas do mercado
No cenário nacional, o IPCA ficou acima do esperado pelo mercado (0,58%), mas apresentou uma composição considerada mais favorável pelo economista do BMG. “Ele veio um pouco mais alto do que a gente esperava, mas não foi uma leitura ruim, porque a composição foi melhor”, avaliou o economista.
A principal pressão partiu dos alimentos, especialmente no domicílio. “Alimentos subiram 1,65%, acima da nossa projeção. Isso foi o principal fator de surpresa”, afirmou. Serrano atribui o movimento à volatilidade de preços, com destaque para itens como tubérculos. “A batata subiu mais de 100% nas últimas semanas, o que impacta bastante o grupo”, avalia.
Apesar disso, ele pondera que esse tipo de pressão tende a ser temporário. “A gente entende que é algo transitório. Com a normalização da oferta, os preços devem desacelerar”, disse.
Por outro lado, os núcleos de inflação e os serviços vieram abaixo do esperado, o que melhora a leitura qualitativa do indicador. “Serviços vieram com variação de 0,40%, abaixo do esperado, e os núcleos também mostraram uma dinâmica melhor. Isso é importante porque são esses indicadores que refletem a tendência da inflação”, explicou.
Ainda assim, o cenário segue desafiador. “Mesmo com essa melhora qualitativa, os níveis continuam altos. A inflação ainda está em um patamar que preocupa o Banco Central”, afirmou.
Na avaliação do economista, o dado reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária. “A expectativa é de um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, mas com uma sinalização mais conservadora, indicando que o Banco Central pode estar próximo de interromper o ciclo para avaliar os efeitos das medidas já adotadas”, concluiu.
Em consonância com a avaliação do economista do BMG, o economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, afirma que o arrefecimento da inflação em maio está associado à queda nos preços da gasolina e do etanol, que contribuíram para a deflação de 0,46% no grupo Transportes no País.
No entanto, Pio ressalta que, embora a inflação mensal sugira certo arrefecimento, a variação acumulada em 12 meses acende um sinal de alerta ao atingir 4,72%, patamar acima do teto da meta. “Esse resultado tende a pressionar as decisões do Copom em relação à política monetária e pode comprometer a continuidade do ciclo de cortes da taxa de juros”, disse.
Para os próximos meses, Pio acredita que a perspectiva seja de um alívio apenas momentâneo. “A desaceleração dos combustíveis pode contribuir para leituras mais benignas apenas no curto prazo. Mas a leitura geral permanece negativa, uma vez que a alimentação no domicílio segue pressionada, sobretudo por itens in natura”, comentou.
Além disso, Pio ressalta que a mudança da bandeira tarifária de verde para amarela adiciona pressão sobre as tarifas de energia elétrica residencial nos próximos meses.
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