Educação em Movimento

A educação na era do (excesso) de informação

Acesso e excesso de informação mudaram a forma aprender, sobretudo para as novas gerações
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Já se foi o tempo em que a informação era um bem precioso e escasso. Hoje, a combinação de smartphones com a internet nos dá, literalmente na palma da mão, acesso a todo tipo de informação de forma imediata. As conversas de boteco, antes longas e divertidas sobre quem era aquele jogador da década de 70 ou qual foi o filme ganhador do Oscar em determinado ano, geralmente ganho pelos argumentos falados com mais confiança (e não necessariamente corretos), hoje são resolvidas em uma busca de 10 segundos no Google.

Entretanto, a informação não se transforma em conhecimento de forma direta e espontânea. Pelo contrário, há um excesso de informação, muitas vezes contraditórias. Está cada vez mais difícil saber qual é a verdade atrás dos fatos e com o desenvolvimento das IAs, até se os fatos são realmente fatos ou parte de uma narrativa deliberadamente construída para parecer verdade.

O acesso e excesso de informação mudaram a nossa forma de aprender, principalmente as novas gerações, já acostumados a descobrir respostas de maneira imediata, alternando diferentes fontes de informação e utilizando recursos multimídia. Aprendem assistindo, ouvindo, experimentando, colaborando e produzindo conteúdo, tanto dentro quanto fora da sala de aula. Ao mesmo tempo, a facilidade de acesso pode criar a falsa impressão de que pesquisar é o mesmo que compreender. Saber onde encontrar uma resposta não significa necessariamente saber utilizá-la.

Nesse cenário, o papel da educação, e do professor(a) em especial, é crucial na formação dos nossos jovens. Se antes o professor(a) era a principal fonte de informação, hoje sua função é ajudar os estudantes a avaliar a credibilidade das fontes, conectar conceitos, formular boas perguntas, aplicar o conhecimento para resolver problemas reais e, principalmente, desenvolver o pensamento crítico frente a essa enxurrada de informações.

Fato é que aprender deixou de ser uma etapa da vida para tornar-se um processo permanente. As profissões evoluem rapidamente, novas tecnologias surgem continuamente e as competências exigidas pelo mercado se renovam em ritmo acelerado. O desafio está na curadoria da informação disponível, separando o que é útil (e verdadeiro) do restante. Essa competência vai fazer toda a diferença.

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Sobre o autor

Gustavo Palmisano

Diretor de Graduação da Fundação Dom Cabral

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