Gasolina recua quase 2% em Minas após redução anunciada pela Petrobras
Os preços dos combustíveis em Minas Gerais recuaram em fevereiro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Em destaque, a gasolina comum (-1,94%) registrou a queda mais acentuada, enquanto etanol (- 1,49%) e diesel (-0,51%) também sinalizaram retração.
No período, o preço médio da gasolina comum nas bombas em território mineiro saiu de R$ 6,19 no final de janeiro para R$ 6,07 ao fim de fevereiro. O resultado pode ser reflexo da redução de preços de venda do combustível para as distribuidoras em 5,2%, anunciada pela Petrobras no final de janeiro.
Já o etanol ficou mais barato, após sucessivas altas em decorrência de uma combinação de fatores econômicos, regulatórios e produtivos. O combustível encerrou fevereiro a R$ 4,62, frente aos R$ 4,69 registrados no mês anterior.
Apesar da queda no preço do etanol em Minas Gerais, o custo no Estado continua acima da média da região Sudeste (R$ 4,52). Com isso, o valor praticado em Minas ainda reflete fatores como a dinâmica regional de oferta e demanda, além de custos logísticos e tributários.
O diesel, por sua vez, encerrou fevereiro em estabilidade, com um discreto decréscimo de 0,51% na comparação com janeiro. Apesar da queda no Estado, o combustível registrou leve aumento de 0,51% em Belo Horizonte, indicando que o movimento de preços pode variar conforme a cidade.
Por outro lado, Belo Horizonte ajudou a puxar para baixo o preço médio da gasolina em Minas Gerais. Em fevereiro, o combustível ficou 4,37% mais barato na Capital, caindo de R$ 6,18 para R$ 5,91. No mesmo período, o etanol recuou de R$ 4,71 para R$ 4,58, queda de 2,76%, também acima da média registrada no Estado.
O economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Izak Carlos da Silva, reforça que boa parte da queda nos preços dos combustíveis está ligada ao anúncio da redução do valor da gasolina na refinaria pela Petrobras. Como consequência, a diminuição do preço do etanol tende a acompanhar esse movimento, especialmente em um período em que os estoques estão relativamente elevados em função da safra da cana-de-açúcar.
“Esse movimento de fevereiro é relativamente esperado e foi motivado muito mais por reajustes das distribuidoras, do que por algum tipo de alteração estrutural na relação entre oferta e demanda”, destaca.
Para o economista, a queda nos preços de combustíveis tem potencial de impactar outros setores na economia, justamente por ser um insumo transversal que passa por todos os segmentos econômicos. O alívio deve chegar de forma significativa, principalmente no bolso do consumidor, já que o insumo pesa de forma geral no orçamento das famílias.
Conflitos no Oriente Médio podem afetar preços nos próximos meses
Para os próximos meses, as expectativas, que antes eram mais otimistas, agora estão ponderadas, em decorrência das incertezas no conflito entre os Estados Unidos e Irã, no Oriente Médio. “O conflito tem um potencial bastante grande de impactar o preço do barril de petróleo. Nós já estamos observando o barril subir e, naturalmente, quando isso acontece, os derivados e até os substitutos tendem a ficar mais caros também”, pontua Silva.
Além disso, a cotação do açúcar no mercado internacional segue avançando, o que pode impactar os preços. Ao longo do ano passado, o preço internacional do insumo permaneceu valorizado, tornando mais rentável direcionar a produção para o açúcar ao invés do etanol, desvio que tende a afetar ainda mais a disponibilidade de etanol, elevando os preços.
“Nesse cenário, a expectativa é de reajustes para cima nos próximos meses. O repasse ao mercado interno vai depender da política de preços da Petrobras, que costuma ocorrer com defasagem de três a cinco meses, conforme a pressão do cenário global”, finaliza o economista.
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