Economia

Estacionamento sobe 16% e supera inflação em BH e região metropolitana

Levantamento do Mercado Mineiro aponta que a alta é o triplo do IPCA, com variação de valores em shoppings e hospitais
Estacionamento sobe 16% e supera inflação em BH e região metropolitana
Crédito: Gil Leonardi/ Imprensa MG

O preço para estacionar em Belo Horizonte e na região metropolitana registrou alta três vezes acima da inflação em um ano. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano de 2025 em 4,26%, o preço da hora em estacionamentos na RMBH subiu 16% entre março do ano passado e março deste ano. Já a fração de 15 minutos teve aumento de 10,11%.

Os dados são de um levantamento do site Mercado Mineiro, realizado entre os dias 10 e 13 de março, em 63 estabelecimentos da Capital e região citada, e divulgado nesta segunda-feira (16). O estudo ainda apontou a variação de preços entre estacionamentos: a fração de 30 minutos apresentou alteração de 757%, com preços entre R$ 3,50 e R$ 30. Já o valor da hora variou de R$ 7 a R$ 60, também com diferença de 757%. No caso da diária, os preços vão de R$ 20 a R$ 110, uma alternância de 450%.

A discrepância também aparece em modalidades mais longas: a pernoite varia de R$ 15 a R$ 80, diferença de 433%, enquanto a mensalidade pode custar entre R$ 187 e R$ 631, variação de 237%.

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Segundo o administrador do site Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, a localização e a demanda são fatores determinantes para os valores cobrados. “As variações ocorrem principalmente em função da localização. A região do hipercentro, por exemplo, concentra uma demanda maior. O custo do aluguel muitas vezes também é mais alto, assim como o valor do próprio imóvel. Além disso, o aumento dos preços está muito ligado à demanda e ao custo operacional”, afirma.

Ele destaca que o aumento da hora média de estacionamento, principal referência do setor, ficou acima da inflação no período. “Se você observa um aumento de 16% no valor da hora, que é o principal balizador, percebe que está bem acima da inflação. Isso acaba dificultando muito para o consumidor que vai ao centro da cidade ou para quem precisa visitar um paciente em um hospital, onde os preços também sobem acima da inflação”, diz.

Estacionamento em shoppings

Nos principais shoppings de Belo Horizonte, o levantamento indica alta no preço médio das quatro primeiras horas, que passaram de R$ 18,71 em março de 2025 para R$ 19,43 em março de 2026, aumento de 4%.

Segundo Abreu, o custo do estacionamento passou a influenciar a decisão de consumo. “Muitas vezes a pessoa ia ao shopping fazer uma compra e até gastava mais porque não tinha o custo do estacionamento. Hoje, muita gente deixa de ir justamente por causa do preço para estacionar”, completa.

Preços em hospitais

Nos hospitais, onde a demanda tende a ser menos flexível, os valores também apresentam diferenças relevantes. O levantamento mostra que a hora média nesses estabelecimentos subiu de R$ 18,29 para R$ 19,86 em um ano, alta de 9%.

Entre os hospitais pesquisados, a tarifa por hora varia de R$ 16 no Hospital Life Center a R$ 25 no Hospital Vila da Serra. Já a diária vai de R$ 35 no Hospital Felício Rocho até R$ 80 em unidades como o Mater Dei e o Hospital Vila da Serra.

De acordo com Abreu, a concentração de hospitais e clínicas em determinadas regiões contribui para elevar os preços. “O valor mais alto encontrado, de R$ 60 por hora, está naquela região dos hospitais, nas ruas dos Otoni, perto da avenida Brasil. Isso acontece porque há grande concentração de hospitais e clínicas e pouco espaço para estacionar nas ruas”, explica.

Falta de vagas nas ruas

Outro fator apontado para a alta dos preços pelo levantamento é a escassez de vagas gratuitas na cidade, que acaba empurrando motoristas para estacionamentos privados. “Hoje muitas vezes não há muita escolha. Em Belo Horizonte é difícil encontrar um lugar para parar que não tenha faixa azul. O motorista fica entre deixar o carro na rua ou recorrer ao estacionamento particular, que é mais seguro, mas acaba sendo caro”, pontua Abreu.

Diante desse cenário, ele avalia que, dependendo da região e do tempo de permanência, pode ser mais vantajoso utilizar transporte público ou aplicativos de transporte. “Dependendo do horário e do local, imagine ficar no centro da cidade pagando R$ 60 por hora”, conclui.

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