Redução das emissões de carbono é prioridade em MG

Documento estratégico inclui trabalho em conjunto com o setor produtivo
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Redução das emissões de carbono é prioridade em MG
Plano junto ao setor produtivo é baseado em mitigação das emissões, conversão e compensação | Crédito: Arquivo/Agência Brasil

Depois do pioneirismo na América Latina e Caribe ao aderir à campanha mundial Race To Zero, o governo de Minas busca, agora, construir junto do setor produtivo, as melhores práticas e caminhos para zerar as emissões de carbono nos próximos anos. Concluído recentemente, o Plano de Ação Climática de Minas Gerais (Plac-MG) acaba de ser incluído na carteira de projetos prioritários e estratégicos do Estado para o período 2023-2026.

Na prática, o plano prevê a neutralização da emissão regional de gases de efeito estufa em 20% até 2030 e em 100% até 2050. O documento está dividido em 28 ações, 103 sub-ações e 199 metas. Das 28 ações, 16 são de mitigação da emissão de gases e as outras 12 se relacionam à adaptação, trabalhando a resiliência do Estado frente às mudanças climáticas.

Mas os esforços do Executivo no campo da sustentabilidade não param por aí. Durante o painel Race To Zero e a Economia de Baixo Carbono, realizado ontem (12), em Belo Horizonte, para discutir caminhos e ações em prol de um futuro saudável, resiliente e com baixa emissão de gases, o vice-governador Mateus Simões (Novo) falou sobre o trabalho do governo na construção de premissas que ancorem as metas estabelecidas. E também sobre os desafios impostos no que se refere às cadeias produtivas e ao mercado internacional.

“Temos o compromisso de tentar construir e aplicar ainda dentro do governo Zema a política de carbono zero de Minas Gerais. O plano é público e qualquer pessoa pode consultar a estratégia que temos adotado para construir a neutralidade de carbono necessária para a economia”, afirmou.

Plano prevê mitigação, conversão e compensação

O vice-governador ponderou que, historicamente, a conversão do modelo produtivo se tornou a forma mais óbvia de se buscar a neutralidade. Mas que alguns setores precisarão de medidas compensatórias ou a substituição da matriz simplesmente não vai acontecer. Por isso, o plano aborda três grandes aspectos: a mitigação da emissão, a conversão e a compensação para cada um dos setores.

“Um compromisso construído conjuntamente com o setor produtivo. Não assinamos sozinho o Race To Zero. A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e a Federação da Agricultura (Faemg) assinaram conosco. E eles, que são, na verdade, quem tem de cumprir as metas, participaram da construção do que seria o mapa da neutralidade até 2050”, alertou.

Em relação aos desafios, Simões ressaltou a preocupação com o mercado internacional no que se refere às limitações de mercado, baseando-se no cumprimento de metas e ações sustentáveis.

Para Marília, “mudança do clima não é agenda do Meio Ambiente”

Da mesma forma, a secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Marília Melo, ressaltou que a implementação da campanha não é uma exclusividade do Estado. Ou seja, para ela, o Poder Executivo precisa de parceria para seguir em frente. Seja com o setor produtivo, com detentores de novas tecnologias ou até mesmo com demais agentes públicos e representantes de órgãos e instituições mineiras.

“De fato é um grande desafio e passa por diversas áreas do conhecimento. A gente acha que mudança do clima é uma agenda de Meio Ambiente e não é. É um grande desafio em termos de política pública, mas só será viável se o setor privado, o setor público e a sociedade se engajarem. Esta é uma agenda muito mais da economia do que do meio ambiente. Por isso, o Race To Zero se tornou um programa estratégico do governo de Minas. A iniciativa integra a carteira de projetos do governador e vai ser acompanhada periodicamente com todas as ações e metas que foram estipuladas”, garantiu.

Ainda no campo público, o vice-presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Antônio Claret Junior, abordou a atuação da instituição de fomento nestas e em outras iniciativas sustentáveis. Segundo ele, o BDMG trabalha com diferentes opções de fundings junto a bancos multilaterais, que exigem contrapartidas alinhadas à sustentabilidade. “Se não formos um banco literalmente verde, não conseguimos o dinheiro”, explicou.

Neste sentido, ele citou a parceria com o Banco Europeu de Investimento (BEI). Em 2019, o governo mineiro assinou um convênio com o BEI de 100 milhões de euros. Os recursos, quase em sua totalidade, foram aplicados em projetos de energia solar. Em função da pandemia, o banco autorizou que parte dos recursos fosse destinada às empresas de pequeno e médio porte, como capital de giro. Além disso, o contrato recebeu um aditivo em 2021, para liberar outros 20 milhões de euros.

Painel discutiu a emissão de carbono em diversos setores

O vice-governador, a secretária e o vice-presidente do BDMG falaram sobre as ações sob a ótica da gestão pública durante o painel Race To Zero e a Economia de Baixo Carbono. Este foi o primeiro de uma série de palestras, debates e propagações que acontecerão Brasil afora. O objetivo é discutir uma nova forma de olhar para a questão climática ambiental não apenas no País, mas no mundo.

Em uma realização do grupo Celo4 | Earth e com o apoio de uma série de entidades e do Grupo Verden, o start ocorreu em Belo Horizonte não por acaso. Mas como forma de impulsionar o Estado no cumprimento de sua meta de zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050. Já o próximo encontro está marcado para São Paulo, no próximo dia 29.

A idealizadora do evento, consultora Sócio-Ambiental e Membro Nacional do Meio Ambiente, Patrícia Boson, enfatizou a importância desse tipo de discussão. Ela considera o movimento “um novo negócio para transformar a questão ambiental no ativo que deve ser preservado, valorizado e assim ter um mercado promissor de ativos ambientais”.

Para isso, os organizadores reuniram grandes lideranças do governo e da área empresarial e industrial, especificamente, do segmento de transporte.

Neste contexto, o CEO Zero Carbon Logistics, Felipe Marçal Cota, apresentou o case da empresa, que oferece soluções logísticas e locações para reduzir as emissões de carbono. Entre os ativos da antiga Transcota, estão veículos elétricos e uma fazenda sustentável que compensa todo o carbono emitido nas operações da empresa.

Por fim, o CEO da Celo4 | Earth, Murilo Ferreira, também criador da Plataforma Verden, apresentou a tecnologia que permite a gestão das emissões de gases de efeito estufa, a compensação especializada e certificada de emissões veiculares. A proposta é democratizar o acesso das empresas de transporte ao mercado de créditos de carbono.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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