Economia

Roscoe defende “pacto social” e fala sobre prioridades para Minas Gerais ao deixar a Fiemg

Ao anunciar afastamento da Fiemg para disputar eleições, Flávio Roscoe propõe novo pacto social
Roscoe defende “pacto social” e fala sobre prioridades para Minas Gerais ao deixar a Fiemg
Crédito: Sebastião Jacinto Júnior

Ao anunciar de forma oficial seu afastamento da presidência da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), nesta quarta-feira (1º) para disputar as eleições, Flávio Roscoe afirmou que Minas Gerais precisa reposicionar o debate público, substituindo a ideia de “desafios” por uma agenda centrada em oportunidades e escolhas estratégicas.

Segundo ele, o ponto de partida deve ser a construção de um “pacto social” que coloque o cidadão no centro das discussões políticas. “Precisamos discutir o cidadão: que qualidade de ensino vamos entregar, que saúde queremos e que infraestrutura vamos priorizar”, afirma.

Roscoe defende que esse debate inclua, de forma transparente, a questão dos custos. Para o presidente da Fiemg, qualquer política pública passa necessariamente pela definição de prioridades, já que os recursos são limitados. “Tudo tem custo. Quando se discute custo, se discute o tamanho do imposto que será cobrado. O dinheiro é finito, tanto o do Estado, quanto o da União, quanto o do cidadão”, diz.

Nesse contexto, ele propõe uma revisão do Pacto Federativo, com maior clareza sobre a destinação dos recursos. Também defende a ampliação do acesso da população às informações que orientam as decisões públicas. “A sociedade precisa participar dessas escolhas. Temos um volume de recursos e precisamos decidir: vamos investir onde?”, questiona.

O ainda presidente da entidade também destaca o potencial econômico de Minas Gerais como um dos principais ativos a serem explorados no debate eleitoral. Entre os pontos citados estão a matriz energética renovável, a riqueza mineral, as áreas cultiváveis e o patrimônio florestal. “São inúmeras oportunidades com um povo altamente capacitado”, afirma.

Apesar do desempenho relativamente positivo do ensino superior no Estado, Roscoe aponta um problema recorrente: a saída de profissionais qualificados em busca de melhores condições fora de Minas. “Hoje, o maior item de exportação de Minas não é o minério, é o mineiro”, destaca, ao criticar o ambiente de negócios que considera “complexo”.

Para ele, o desafio ou a oportunidade, como prefere pontuar, está em criar condições para que os jovens possam escolher permanecer no Estado. “Precisamos dar opção para que as pessoas fiquem, que tenham oportunidade de crescer aqui, com desenvolvimento sustentável”.

Roscoe também chama a atenção para a necessidade de um discurso mais realista por parte dos candidatos. “Político não gosta de falar de sacrifício, mas toda escolha envolve custo. Não vai ser tudo fácil”, declara, ao lembrar de temas como o enfrentamento das dívidas públicas.

Ao deixar o comando da Fiemg, Flávio Roscoe sinaliza que pretende levar para o debate eleitoral uma agenda baseada em prioridades, transparência e participação social, com diálogo entre todas as partes e foco na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável para a sociedade.

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