SAM e CGN vão implantar um parque solar em Minas

Aportes de R$ 3 bilhões buscam atender à demanda da mineração do Projeto Bloco 8
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SAM e CGN vão implantar um parque solar em Minas
Crédito: Pixabay

A Sul Americana de Metais (SAM), subsidiária da chinesa Honbridge Holdings, e a CGN Brasil Energia vão construir um parque solar no Norte de Minas Gerais para atender o chamado Projeto Bloco 8, mega empreendimento da mineradora na região. O protocolo de investimentos com o governo do Estado já foi assinado e prevê inversões de R$ 3 bilhões, porém, ainda depende da obtenção da Licença Prévia (LP) do complexo minerário.

De acordo com a diretora de Relacionamento e Meio Ambiente da SAM, Gizelle Andrade, o acordo prevê a formação de uma joint venture entre as duas empresas e a implementação do parque a partir de 2024, com duração de cerca de dois anos. Dessa maneira, o empreendimento entraria em operação juntamente com a planta de minério, no fim de 2026.

A capacidade instalada projetada é de aproximadamente 800 megawatts (MW) e visa inicialmente o atendimento da demanda do Projeto Bloco 8 da SAM, que será de 1,5 milhão de MWh/ano. É esperada a geração de 2.500 empregos no pico da obra.

“Este projeto integra um plano maior da SAM de caracterizar o Projeto Bloco 8 como uma plataforma para o desenvolvimento sustentável do Norte de Minas. Existe a meta de o empreendimento usar 100% de energia renovável a partir do quinto ano de operação e o parque permitirá mais esse objetivo. O uso de energia limpa e a promoção do processo de descarbonização já era um compromisso da empresa e a iniciativa ao lado da CGN, que detém a expertise, dá ainda mais consistência ao plano”, diz.

Implementação de parque solar depende da Semad

Ainda conforme a diretora, a operação em fases não está descartada, mas detalhes sobre o desenvolvimento, construção e operação do parque ainda serão estabelecidos pelas empresas quando da formalização da joint venture. Este será o próximo passo para implementação. Mas depende da LP a ser concedida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). E vale lembrar que a mineradora tem enfrentado alguns obstáculos ambientais e legais para a obtenção dos documentos.

Sobre esses pontos, Gizelle Andrade afirma que o projeto avançou bastante nos últimos meses. Segundo ela, a Agência Nacional de Mineração (ANM) já aprovou o plano de aproveitamento econômico. E quanto às etapas do licenciamento ambiental, duas audiências públicas foram realizadas e a Semad realizou vistoria técnica no terreno que abrigará a planta.

“As audiências foram bem-sucedidas, inclusive com uma participação popular positiva muito grande. Agora estamos aguardando a emissão do parecer técnico final para avaliação do Copam. Nossa expectativa é de que a licença seja emitida ainda este ano”, revela.

Projeto Bloco 8

O Projeto Bloco 8 prevê a extração do minério de baixo teor (20% de ferro) e a transformação em produto de alta qualidade, a partir de investimentos de US$ 2,1 bilhões – ou o equivalente a mais de R$ 10 bilhões.

Para isso, vai contar com uma usina de concentração de minério, barragem de rejeitos com capacidade de armazenagem de 845 milhões de metros cúbicos, além de barragens de água. A construção da barragem de água do rio Vacarias permitirá a disponibilização de água às comunidades locais. E também haverá um projeto de irrigação para apoio à agricultura familiar local. Até 27,5 milhões de toneladas de minério de ferro poderão ser produzidas por ano a partir de jazidas de Grão Mogol e Padre Carvalho.

Cronograma

Inicialmente o complexo da SAM estava previsto para entrar em operação até 2025. Porém, a data já foi revista em função dos atrasos nas autorizações. Conforme a executiva, o cronograma prevê três anos de obras. Isso significa início das atividades em 2026, a depender das aprovações. “Com a obtenção da LP ainda em 2022, esperamos ter a licença de instalação até o fim de 2023 para darmos início às obras e concluí-las em 2026”, detalha.

Por fim, Gizelle Andrade enaltece a estruturação do Bloco 8, destacando que se trata de um projeto greenfield, que já nasce com DNA sustentável e iniciativas ESG muito fortes. O complexo prevê a geração de 6.200 postos de trabalho diretos durante o pico da fase de implantação e mais 1.100 empregos durante a operação, por exemplo.

“Estamos falando de uma região com um dos menores IDHs, carente de fomento e atenção. O projeto da SAM inaugura uma nova mineração com pontos costurados em torno dos ODS da ONU. Energia renovável, água e fomento à agricultura familiar são apenas alguns deles”, conclui.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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