Economia

St George adquire terreno para instalar plantas de nióbio e terras-raras em Araxá

Unidades de nióbio e terras-raras serão instaladas em uma área de 166 hectares próxima do local de concessão da companhia australiana no Alto Paranaíba
St George adquire terreno para instalar plantas de nióbio e terras-raras em Araxá
Foto: Divulgação/St George

A australiana St George Mining comprou um terreno de 166 hectares (ha) para instalar as unidades de processamento de nióbio e terras-raras do Projeto Araxá, no Alto Paranaíba. O acordo foi celebrado junto a agricultores locais no dia 13 deste mês.

Em comunicado ao mercado, a empresa disse que pagará R$ 14 milhões aos antigos proprietários em duas parcelas iguais. O primeiro depósito ocorreu no ato da assinatura do contrato, enquanto o outro será realizado no dia 30 de setembro.

O lote adquirido é plano e se encontra desmatado. Além disso, fica a menos de dois quilômetros (km) da área de concessão mineral da companhia e em uma zona do município classificada para uso de mineração e industrial.

Conforme destaca o diretor da mineradora no Brasil, Thiago Amaral, o terreno está em um local com vocação para a finalidade proposta pela St George e em posição estratégica, permitindo que a empresa aproveite integralmente a área dos direitos minerários.

Thiago Amaral
Thiago Amaral destaca posição estratégica do terreno adquirido Foto: Diário do Comércio / Thyago Henrique

Ele também realça que a compra foi em condições favoráveis, a preço de mercado, algo que nem sempre acontece, já que o setor mineral frequentemente paga valores acima do mercado devido à urgência na implantação dos projetos.

“Foi uma grande oportunidade”, afirma. “Isso destrava, de forma muito significativa, diversos pontos dos nossos procedimentos, como: ‘onde nós vamos processar?’, ‘existe esse local?’, ‘já está negociado?’. Eram dúvidas que ficavam dentro do projeto e, com essa aquisição, retiramos todas elas da frente”, salienta.

Cabe mencionar que a produção de nióbio do Projeto Araxá está prevista para ser iniciada em 2028 e a de terras-raras em 2029. Antes, a empresa estimava começar a produzir no fim de 2027, ajustou o cronograma para resolver outras etapas do projeto, segundo Amaral.

Compra de área para ser transformada em zona verde de conservação

A St George também adquiriu, de agricultores locais, por R$ 6 milhões, uma área de 163 ha, localizada a 19,5 km do terreno destinado às plantas de nióbio e terras-raras em Araxá.

Essa outra área possui vegetação madura, incluindo Mata Atlântica, e será transformada em uma zona verde de conservação. Além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) da futura operação de mineração, ela atende às exigências ambientais do processo de licenciamento do projeto, conforme explica o diretor da mineradora.

“Dentro do processo de licenciamento, é preciso compensar as supressões vegetais necessárias. Replantar, manter uma área verde, com características similares às da área suprimida. Essa compra destrava as etapas de compensação para a nossa futura mina”, diz.

Estado concede regime tributário preferencial para a mineradora

Outro passo da St George divulgado recentemente foi um regime tributário preferencial assinado pelo governo de Minas Gerais, que reduzirá significativamente os custos de desenvolvimento do Projeto Araxá.

No acordo, equipamentos e materiais adquiridos pela mineradora para desenvolver o empreendimento, inclusive para a planta-piloto e a planta industrial, ficam isentos da alíquota de até 18% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) que seria cobrada no momento da compra.

“Estamos recebendo a isenção nesse momento inicial e vamos pagar os impostos na hora em que tivermos o produto final”, afirma o diretor da companhia no Brasil.

“Não é uma redução de carga tributária, que é a mesma, mas significa um melhor fluxo de caixa. A gente deixa de pagar esses impostos no momento em que compro as matérias-primas, quando estou fazendo um investimento para construir a planta, e pagamos quando tiver o produto industrializado, com a planta funcionando. Isso ajuda o fluxo de caixa e também contribui para um melhor cenário econômico para o nosso projeto”, ressalta.

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