Suspensão de operação de minério de ferro do grupo J. Mendes poderia ser revertida com expansão da mina

A JMN Mineração, que teve as atividades suspensas neste mês, tem processo de licenciamento para expansão em trâmite no Estado
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Suspensão de operação de minério de ferro do grupo J. Mendes poderia ser revertida com expansão da mina
Foto: Reprodução J. Mendes

A competitividade da operação de minério de ferro da JMN Mineração, que ficou comprometida devido às atuais condições de mercado, associadas às características específicas da unidade, poderia ser revertida com uma expansão da mina. A empresa do grupo J. Mendes, com atuação entre Desterro de Entre Rios e Piracema, na região Central de Minas Gerais, tem processo de licenciamento para ampliação em trâmite no Estado.

Informações disponibilizadas no Ecosistemas, portal de serviços do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), mostram que a mineradora entrou com pedido de licença para ampliar o empreendimento em 2024. Na última movimentação do processo, em 23 de julho deste ano, foi determinado que a empresa retificasse a solicitação.

De acordo com o diretor do Sindicato Metabase Inconfidentes, Rafael Ávila, a JMN Mineração informou ao sindicato que comprou um terreno ao lado da mina para expansão. No entanto, enfrenta dificuldades para regularizá-lo e, consequentemente, obter a licença ambiental para ampliar a frente de lavra e buscar novas reservas aproveitáveis.

No portal do Sisema consta um documento, assinado no último dia 6 de julho, no qual a JMN Mineração solicita a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) a adequação do processo de licenciamento para incorporar um imóvel recém-adquirido, bem como direitos minerários adquiridos da Atlântica Minas Empreendimentos, Participações e Mineração.

“Em razão dessa alteração de titularidade e da estratégia operacional adotada pela empresa, a área objeto do Processo SLA nº 501/2025 passará a integrar o complexo minerário da mina Morro dos Coelhos, tornando os dois empreendimentos operacionalmente dependentes e ambientalmente integrados”, diz a empresa no material, reiterando que a incorporação da área ocorrerá exclusivamente para fins de ampliação da frente de lavra.

Segundo Ávila, a suspensão da operação da empresa, anunciada neste mês, é praticamente um fechamento da unidade e está relacionado à exaustão mineral, além de redução de custos. Serão 44 colaboradores demitidos, 39 transferidos para a Ferro+ Mineração, que pertence ao grupo J. Mendes e atua entre Congonhas e Ouro Preto, na região Central, enquanto 27 seguirão na planta para manutenção dos equipamentos e da infraestrutura.

O diretor afirma que já há algum tempo a mineradora consegue extrair apenas minério de baixo teor em Desterro de Entre Rios e Piracema. As demissões que ocorreram no início de 2025, em uma reestruturação, conforme comunicado à época, tinham relação com isso.

Ele acrescenta que, para manter a operação em funcionamento, o grupo J. Mendes vinha transportando minério de maior teor extraído em Congonhas e Ouro Preto para misturar com o da JMN Mineração. Porém, agora, decidiu suspender essas atividades na mina para reduzir custos com transporte e apostando na expansão da Ferro+ Mineração.

Procurado, o grupo J. Mendes não se manifestou sobre as informações do sindicato.

Em nota, apenas reiterou o posicionamento de que, em janeiro de 2025, a JMN Mineração reduziu o efetivo e passou a operar em apenas um turno, na tentativa de preservar a viabilidade da operação, entretanto, as atuais condições de mercado, associadas às características específicas da unidade, comprometeram sua competitividade e levaram à decisão de suspender as atividades a partir de 7 de outubro.

Também reforçou que, por consequência, será necessário desligar parte dos colaboradores até que condições mais favoráveis permitam a reavaliação da operação.

Ainda conforme o grupo J. Mendes, a Ferro+ Mineração segue operando normalmente, sem alterações em suas atividades. “A decisão anunciada está restrita à JMN Mineração e faz parte das medidas adotadas pelo grupo J. Mendes para preservar sua sustentabilidade e a continuidade de suas demais operações.”

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)


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