Tabocas prevê faturar R$ 1,5 bilhão no próximo ano de olho em mercado bilionário de licitações
Com sede em Belo Horizonte, a Tabocas, especializada na construção de linhas de transmissão e subestações, consolida a atuação com a liderança no mercado de energia nacional. De olho em uma fatia estratégica dos R$ 50 bilhões em obras de transmissão que devem ser licitadas até 2027, empresa projeta faturar R$ 1,5 bilhão já no próximo ano, sendo responsável pela execução de 20% de todas as linhas de transmissão licitadas no País.
Ao longo de 26 anos, a empresa acumula importantes projetos realizados e já licitou 20 mil quilômetros (km) de linha de transmissão entre 230 e 800 quilovolts (kV). O número equivale a sete voltas na Terra considerando a medida de todos os cabos lançados.
Em Minas Gerais, que já possui transmissões consolidadas, a empresa participou da construção de um terço das linhas da chinesa State Grid, onde foram instalados 800 kvs em corrente continua que cortam parte do Estado. “É a maior tensão de transmissão no Brasil, um marco para o País em meados de 2011. Quanto maior tensão, maior a distância que se alcança com menos perda de energia”, comenta o CEO da Tabocas, Caio Barra.
Durante a pandemia da Covid-19, quando foi considerada uma atividade estratégica, a empresa chegou a alcançar 11 mil funcionários diretos em diferentes regiões do País. Segundo Barra, o impacto estimado em geração de emprego era de 55 mil pessoas.
Passados alguns anos, a atividade segue sólida, com períodos cíclicos em termos de contratações, que dependem do andamento de projetos. “Hoje estamos com 3 mil funcionários em um período de entregas de obras. Para 2026, devemos atingir entre 6 e 6,5 mil oportunidades”, explica o executivo.
Além das licitações, o otimismo projetado para o próximo ano está ancorado no interesse em participar de um novo nicho de negócio: a subtransmissão de energia junto a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A ideia é participar de licitações para integrar parte de distribuição de 138 kV ao portfólio do negócio.
“Temos uma boa relação com a Cemig a partir de pequenos e trabalhos e queremos aumentar ao longo do ano que vem. Vamos participar das licitações”, destaca Barra.
Tabocas viabilizou obra histórica na Amazônia
Outro grande projeto citado é a parceria da mineira Tabocas com a Alubar e Brametal para viabilizar uma das maiores obras de infraestrutura de energia do País dos últimos anos. Com R$ 3,5 bilhões em investimentos, a linha de transmissão Manaus-Boa Vista, licitada em 2011, entrou em operação em setembro deste ano com 724 km de conexão.
O projeto corta a Floresta Amazônica e é responsável por conectar Roraima ao sistema elétrico brasileiro. Ao todo, são 1.390 torres, que atravessaram 125 km da terra indígena Waimiri Atroari, em um processo conduzido com diálogo, seguindo premissas da sustentabilidade.
“Roraima era a única capital que não estava interligada ao sistema nacional. É uma linha emblemática e a única no mundo que passa por dois diferentes hemisférios”, acrescenta o executivo.
Para não demolirem árvores da floresta, a construção utilizou quatro drones grandes, sendo pioneira na técnica lançar as cordas sem tocar nas árvores. “Foi uma operação totalmente aérea, conduzida por 300 pessoas, seguindo o que foi solicitado pelos indígenas”, ressalta.
Ouça a rádio de Minas