Economia

Tensão no Irã pode elevar custos logísticos e pressionar indústria mineira, alerta Fiemg

Entidade aponta risco de alta no petróleo, seguros marítimos e fretes, com reflexos nas exportações e na competitividade de Minas Gerais
Tensão no Irã pode elevar custos logísticos e pressionar indústria mineira, alerta Fiemg
Bombardeio no Irã | Foto: Stringer/ Reuters

A logística das exportações e os preços do petróleo, com reflexos para a indústria, podem ser os efeitos mais imediatos da escalada das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã. A análise sobre possíveis impactos nos negócios internacionais e nos custos globais de energia é da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

“O cenário internacional exige atenção permanente. O aumento do risco já afeta seguros, fretes e expectativas de preços. Para Minas Gerais, isso pode significar maior custo logístico nas exportações e pressão sobre energia e combustíveis, fatores que impactam diretamente a competitividade da indústria”, afirmou o presidente da entidade, Flávio Roscoe.

A Fiemg lembrou que o ponto central da tensão é o Estreito de Ormuz, faixa marítima com cerca de 33 quilômetros em seu trecho mais estreito, por onde circula aproximadamente 20% do petróleo mundial. Embora a rota não tenha sido formalmente fechada até o momento, a federação pontua que o aumento do risco geopolítico já tem provocado efeitos.

Entre eles estão a cautela operacional por parte de armadores, a elevação do chamado “war risk” (risco de guerra) e a redução no fluxo de navios na região. “A expectativa é de pressão sobre os preços internacionais do petróleo, embora haja, como fator atenuante, o anúncio da OPEP+ de aumento da produção a partir de abril de 2026”, informou.

Relação comercial é relevante entre Brasil e países da região

As exportações brasileiras para mercados do Golfo e do Oriente Médio somaram US$ 73,84 bilhões entre 2021 e 2025, sendo concentradas em carnes, açúcar, milho, soja e minério de ferro, segundo dados levantados pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiemg. O montante equivale a cerca de 4,5% das exportações totais do Brasil no período.

Já as importações brasileiras provenientes da região, no mesmo intervalo, somaram aproximadamente US$ 42,87 bilhões, sobretudo em combustíveis minerais e fertilizantes oriundos principalmente da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Catar e de Omã. O montante representa aproximadamente 3,3% do total importado pelo País. “Essa dependência reforça a sensibilidade da economia nacional a eventuais disrupções logísticas ou oscilações de preços no Golfo Pérsico”, pontuou a Fiemg.

Relação de Minas com os países da região

O fluxo comercial com os países da região também é expressivo em Minas Gerais. Entre 2021 e o ano passado, o Estado registrou US$ 13,85 bilhões em exportações para:

  • Emirados Árabes Unidos,
  • Arábia Saudita,
  • Omã,
  • Bahrein,
  • Iraque,
  • Irã,
  • Catar,
  • Israel,
  • Kuwait,
  • Líbano
  • e Síria.

O total representa cerca de 6,7% das exportações totais de Minas Gerais, ainda conforme o CIN.

No mesmo período, as importações mineiras provenientes desses países somaram aproximadamente US$ 1,64 bilhão (cerca de 2% do total importado pelo Estado). “De forma agregada, Minas exporta principalmente minério de ferro, açúcar, produtos siderúrgicos e itens do agro, como carnes, soja, café e milho, enquanto importa insumos industriais e agrícolas, com destaque para enxofre e fertilizantes”, contextualizou a Fiemg, em nota.

Quando a análise é centrada no Irã, os dados mostram que Minas exportou US$ 610,7 milhões entre 2021 e 2025, com foco na soja (75,4%) e no milho (14,6%). No mesmo ínterim, as importações somaram aproximadamente US$ 2,6 milhões.

“Para a indústria mineira, o risco mais direto está no aumento de custos logísticos, na elevação de seguros marítimos e na possível ampliação do tempo de transporte nas exportações. Além disso, eventual alta nos preços internacionais do petróleo pode pressionar os custos de energia e transporte, impactando cadeias produtivas diversas”, pontuou a Fiemg.

Efeitos também na aviação

Por fim, a Fiemg declarou que a escalada no Golfo também começa a gerar efeitos nas rotas aéreas e nas conexões internacionais. Segundo a entidade, companhias aéreas tendem a evitar determinados espaços aéreos e hubs estratégicos da região, como Dubai, Doha e Abu Dhabi.

Essa situação, conforme a entidade, provoca cancelamentos e retenção de passageiros em conexões na Ásia. Além disso, tensões envolvendo Dubai podem comprometer arranjos operacionais utilizados para o comércio e pagamentos internacionais, elevando a incerteza e o custo das transações.

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