Minas vê nas terras-raras oportunidade de ampliar comércio com o Japão
A relação histórica entre Minas Gerais e Japão está diante de um novo ciclo de expansão, com o aumento do interesse pelas terras-raras no Brasil. O Estado, que exporta itens como minério de ferro e café, agora vê nos minerais críticos um caminho para fortalecer o comércio bilateral com o país asiático, que movimenta cerca de US$ 1,5 bilhão por ano.
Contudo, o aproveitamento desse potencial esbarra no gargalo da pesquisa mineral, ainda insuficiente para dar escala aos projetos. A complexidade jurídica e tributária também pode afastar investidores cautelosos, como os japoneses, que tendem a postergar investimentos à espera de maior previsibilidade.
Ao Diário do Comércio, o executivo e cônsul geral honorário do Japão em Belo Horizonte, Wilson Brumer, comenta que o interesse por minerais críticos no Brasil, como cobre, níquel, zinco, lítio e terras-raras é uma demanda global voltada para a redução da dependência da China. O Brasil, por supostamente ter a segunda maior reserva do mundo, atrai olhares de estrangeiros interessados em investir no projeto.
Um dos exemplos recentes bem-sucedidos, segundo o executivo, é o acordo de cooperação entre Goiás e Japão, focado na exploração e pesquisa de minerais críticos e terras-raras. O memorando, firmado no último dia 9 junto à Organização Japonesa de Segurança em Metais e Energia (Jogmec), prevê parcerias em pesquisa, tecnologia e exploração de minerais críticos no território.
Mesmo com acordos bem-sucedidos, Brumer chama atenção para o fato de que a mineração nunca foi inserida dentro de uma estratégia nacional, mesmo sendo uma das maiores fontes de receita nacionais. Por vivenciar décadas de processo inflacionário, o País teria deixado de investir em mecanismos que facilitem pesquisa mineral, alimentando um ambiente de insegurança para investidores.
“Para o Brasil avançar, é necessário partir para um processo de pesquisa mineral em escala nacional. Hoje, talvez conhecemos apenas 30% do subsolo brasileiro, com algumas exceções, como no Pará”, destaca o executivo.
Somente com essa previsibilidade, determinados países ampliariam o interesse em desenvolver projetos de mineração, como em Minas Gerais. “O Japão é mais cauteloso e deve segurar decisões. O Brasil precisa se preparar para oferecer maior segurança jurídica, menos complexidade tributária para criar um ambiente favorável”, pontua Brumer.
Além das trocas comerciais, Japão mantém presença estratégica na indústria mineira
O Japão é um dos principais parceiros comerciais de Minas Gerais, fornecendo cerca de US$ 400 milhões anuais em itens de alto valor agregado para a indústria, como automóveis, autopeças e equipamentos de mineração. Em contrapartida, o Estado envia ao país asiático commodities, com destaque para o café, além do minério de ferro, ferro-ligas, celulose e soja.
Mesmo com os entraves jurídicos e econômicos, o país asiático também participa em importantes projetos no Estado. Empresas importantes para a economia, como CBMM, Panassonic, Cenibra contam com participação japonesa e modelos estratégicos japoneses de gestão.
A participação japonesa também é relevante para a história da Usiminas, já que desde a fundação atuaram como parceiros estratégicos no desenvolvimento da siderúrgica mineira. Ao longo das décadas, essa relação se manteve por meio de participação acionária e cooperação tecnológica, e hoje, o capital japonês segue presente na estrutura da empresa.
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