Vale construirá usina em Barão de Cocais para processar rejeitos
A Vale vai construir uma usina de processamento de rejeito e estéril, capaz de produzir dois milhões de toneladas anuais de minério de ferro, em Barão de Cocais, na região Central de Minas Gerais. As obras devem durar cerca de 19 meses, com início da operação estimado para 2027. O anúncio foi feito pela companhia nesta sexta-feira (10).
A planta será implementada na antiga mina Gongo Seco, paralisada desde 2016, e beneficiará materiais provenientes da descaracterização da barragem Sul Superior, prevista para ser concluída em 2029, e de duas pilhas da unidade. Trata-se de um projeto integrado, com movimentação concentrada na área interna do empreendimento e escoamento do produto pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).
“Optamos por uma solução de concentração magnética que maximiza a recuperação de minério de ferro contido no rejeito. O reaproveitamento desses materiais ocorrerá ao longo dos próximos anos, seguindo o cronograma de descaracterização da estrutura geotécnica”, disse a diretora de Minas Paralisadas do Corredor Sudeste da Vale, Juliana Cota, em nota.
“Além de adotarmos uma tecnologia de beneficiamento mais simples e compacta, com menor ocupação de área, estamos desenvolvendo uma engenharia modular, para termos uma obra mais rápida, econômica e com menor geração de emissões de gás carbônico”, afirmou o engenheiro da mineradora e responsável pelo projeto, Luis Gustavo Silva.
A empresa não informou quantos empregos serão gerados. Também não revelou quanto investirá na usina. Cabe relembrar que, em setembro do ano passado, quando reinaugurou a mina Capanema, em Ouro Preto (região Central), a Vale anunciou R$ 67 bilhões em investimentos no Estado até 2030, com foco em sustentabilidade, inovação e segurança.
Nova planta ampliará produção de minério de ferro de fontes circulares
A usina em Barão de Cocais faz parte do programa de mineração circular da Vale, que visa transformar rejeito e estéril em novos produtos, reduzindo a geração de resíduos, otimizando o uso das reservas minerais e contribuindo para a sustentabilidade das operações. Com a planta, a companhia ampliará a produção de minério de ferro de fontes circulares.
Como o Diário do Comércio mostrou, a empresa projeta ter, até 2030, 10% da produção anual obtida via minério recirculado. Em 2025, a mineradora produziu 26,3 milhões de toneladas (t) dessa forma, um crescimento de 107% em relação a 2024, superando a expectativa de 20 milhões/t. Cerca de 80% do volume foi produzido em Minas Gerais.
“Os resultados de 2025 mostram que a circularidade já é uma alavanca relevante do nosso negócio. Produzir 26,3 milhões de toneladas por fontes circulares comprova que é possível unir produtividade, inovação e sustentabilidade”, destacou o vice-presidente executivo técnico da Vale, Rafael Bittar, em nota divulgada pela empresa no mês passado.
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