Economia

Vendas de imóveis superluxo crescem 43% em BH em 2025, aponta Secovi-MG

Segmento residencial respondeu por 90% das vendas e metro quadrado subiu 6,2% na capital mineira
Vendas de imóveis superluxo crescem 43% em BH em 2025, aponta Secovi-MG
Foto: Reprodução/Adobe Stock

As vendas de apartamentos do padrão superluxo (imóveis acima de R$ 4 milhões) cresceram 43% em 2025, na comparação com o ano anterior, segundo levantamento da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), apresentado na sede da entidade na manhã desta quinta-feira (12).

Apresentação Secovi
Apresentação dos resultados do mercado imobiliário em 2025 | Foto: Diário do Comércio/ Juliana Sodré

Apesar do volume expressivo, o diretor do Secovi-MG, Leonardo Matos, comenta que a relevância em termos de número de unidades vendidas não é tão significativa. “Eles cresceram 40%, mas não representam 1% do total de imóveis comercializados”, pontua.

Na opinião do diretor, o aumento está relacionado à tipologia e ao valor dos imóveis, especialmente dos terrenos em Belo Horizonte.

“Hoje, para se produzir um imóvel em Belo Horizonte, é preciso considerar os custos do terreno e da construção e os parâmetros urbanísticos disponíveis. Esses aspectos limitam a construção e fazem com que o preço final do imóvel aumente, o que desestimula a oferta de novos apartamentos em padrões mais econômicos. A conta não fecha”, analisa.

Ainda conforme o levantamento Data Secovi, do Instituto de Pesquisas da entidade, o mercado imobiliário de Belo Horizonte registrou a venda de 27.961 unidades em 2025, considerando lotes, casas, apartamentos, lojas, salas comerciais, galpões e vagas de garagem. O número representa um aumento de 1,4% em relação a 2024, quando foram comercializadas 27.576 unidades.

“Esse número está relacionado à quantidade de imóveis comercializados, mas, quando avaliamos o valor médio dos imóveis, o aumento chegou perto de 5%”, destaca Matos.

Melhor resultado desde a pandemia

Ainda assim, ele ressalta que este é um dos melhores resultados desde a pandemia, quando o mercado se recuperou. “Estamos no melhor ano desde 2021 e só não foi ainda melhor em função dos desafios com a alta da taxa Selic. Ela gerou impacto porque aumentou o custo do financiamento imobiliário e o custo do crédito”, pontua o diretor do Secovi-MG, Leonardo Matos.

Em relação aos apartamentos do padrão econômico (faixas 2 e 3 — imóveis de até R$ 350 mil), apesar de representarem o maior volume de vendas e serem responsáveis por 34,7% das unidades comercializadas, o resultado foi uma queda de 20%.

Apesar da queda, segundo Matos, o segmento ainda representa 40% das negociações. No entanto, ele pondera que os compradores das faixas 2 e 3, que incluem, por exemplo, imóveis do Minha Casa, Minha Vida, acabam buscando cidades vizinhas para adquirir um novo lar, maior e com incentivos governamentais.

Já o padrão econômico faixa 4 (imóveis de R$ 350.001 a R$ 500 mil) representou 20,3% das vendas em 2025, com crescimento de 4% no número de unidades em comparação com 2024.

Imóveis tiveram valorização média de 5%

Ainda de acordo com o estudo, o segmento residencial manteve papel central no desempenho do mercado em 2025 e respondeu por cerca de 90% das unidades vendidas na capital mineira. Os apartamentos concentraram a maior parte das transações, com 77% das unidades comercializadas na cidade.

Ao todo, foram vendidas 20.833 unidades no segmento em 2025, um crescimento de 1% na comparação com 2024, quando foram registrados 20.564 negócios. No mesmo período, o valor médio do metro quadrado subiu de R$ 13,5 mil para R$ 14,3 mil, o que corresponde a uma valorização de 6,2%.

Apartamentos e casas registraram valorização média de 5% em relação ao ano anterior: o preço médio passou de R$ 636,7 mil, em 2024, para R$ 662,8 mil em 2025.

Região Centro-Sul segue como a mais valorizada

O estudo também identificou diferenças significativas nos valores praticados entre os bairros de Belo Horizonte. Belvedere, Santa Lúcia e Funcionários lideram o ranking dos preços mais elevados, com valor médio do metro quadrado de R$ 27 mil.

Na outra ponta, Granja de Freitas e Distrito Industrial do Jatobá aparecem entre os bairros com os menores preços, com valores abaixo de R$ 3,5 mil por metro quadrado.

Melhora no mercado é esperada para este ano

As expectativas para 2026 também foram comentadas durante a apresentação dos dados. Conforme o Diário do Comércio havia antecipado, a expectativa do mercado imobiliário é de crescimento diante da queda dos juros. Os empresários esperam que a redução da taxa Selic (hoje em 15%) impulsione o setor, com alta de cerca de 5% no volume de unidades vendidas, entre imóveis novos e usados.

A implantação do novo Plano Diretor de Belo Horizonte é outro fator que motiva o mercado. No entanto, as eleições e os movimentos do cenário macroeconômico seguem como pontos de atenção.

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