Economia

VLI recebe lote final de locomotivas produzidas em Sete Lagoas e projeta investir R$ 1,2 bilhão em 2026

Maior parte dos recursos serão aplicados em Minas Gerais; produção local eleva competitividade da companhia
VLI recebe lote final de locomotivas produzidas em Sete Lagoas e projeta investir R$ 1,2 bilhão em 2026
Foto: Diário do Comércio/ Leonardo Morais

A VLI Logística recebeu, nesta segunda-feira (9), o último lote de uma encomenda de oito locomotivas destinadas à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). Produzidas em Sete Lagoas, na região Central de Minas, as máquinas receberam aporte de aproximadamente R$ 200 milhões e já estão prontas para operar nos trilhos que cortam Minas Gerais.

A aquisição, junto à fornecedora Progress Rail, faz parte de um ciclo robusto de modernização. Desde 2024, a companhia já adquiriu 27 novas locomotivas, totalizando investimentos de R$ 600 milhões, e, para 2026, anunciou aportes de aproximadamente R$ 1,2 bilhão na malha ferroviária.

O incremento promete impulsionar o transporte de cargas, conectando o interior do País aos portos do Sudeste. O reforço visa atender ao aumento na demanda por cargas gerais, como grãos, açúcar, fertilizantes, produtos siderúrgicos e minerais.

Presente na solenidade, o CEO da VLI, Fábio Marchiori, destaca que a maior parte dos investimentos na FCA deve se concentrar em Minas Gerais, por o Estado possuir a maior malha ferroviária. Para Sete Lagoas, ele avalia que a produção local, além de impulsionar a cidade, também é estratégica para a companhia, já que é capaz de elevar a competitividade a partir da qualidade dos serviços de manutenção.

“O mais importante não é apenas a disponibilidade da locomotiva, mas tê-la o máximo de tempo rodando, levando carga. Quanto maior o volume transportado, maior a diluição do custo fixo e, consequentemente, maior a competitividade”, argumenta.

Ele acrescenta que os novos modelos, denominados SD70ACe, foram projetados para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. “Isso reforça nosso papel na construção de uma logística de baixo carbono e mais sustentável para o País”, completa.

‘Renovação da concessão promete ser o maior projeto de investimento ferroviário do País’

Discutido há cerca de dez anos, o novo ciclo de concessão da Ferrovia Centro-Atlântica permitirá a continuidade de investimentos nos trilhos que cortam o Estado. O ritmo dos aportes está atrelado à renovação da concessão da FCA, prevista para este ano, cujos investimentos podem superar R$ 30 bilhões.

A concretização da renovação, segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, segue em andamento, sem impedimentos. “O processo está em reta final de análise técnica, jurídica e contratual e, até março, vai para o Tribunal de Contas da União (TCU), com conclusão até o fim do primeiro semestre”, detalha.

A etapa é encarada como essencial para que o projeto seja entregue com maturidade, harmonizando os interesses das esferas pública e privada, além do braço social. “Mesmo com a renovação não concluída, a continuidade dos investimentos pela VLI demonstra que a empresa confia nos projetos de âmbito federal, e as entregas continuam em andamento”, ressalta Sampaio.

O executivo da VLI complementa que existem esforços conjuntos para que essa renovação seja concluída e destaca que o próximo ciclo será o maior projeto de investimento ferroviário do País. “Em volume, é o maior visto em concessões e um terço virá para Minas Gerais, além das locomotivas já compradas”, avalia.

Também presente no evento, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, reafirma a importância dos aportes realizados para Sete Lagoas e para o Estado. Além da produção de locomotivas, a aquisição promete impulsionar a cadeia produtiva local a partir de contratos de manutenção.

“Isso gera emprego, gera oportunidades em Sete Lagoas. Fico feliz em ver o setor ferroviário em Minas avançar. Estamos avançando também com o metrô, que não deixa de ser ferrovia”, finaliza.

* O repórter viajou para Sete Lagoas a convite da VLI

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