O Pacto Global é uma iniciativa desenvolvida, justamente, com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial - Crédito: Divulgação

Para as empresas, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) representam um grande desafio e uma excelente oportunidade de alavancar negócios, porém, nem sempre é fácil entender como isso é possível.

O Pacto Global é uma iniciativa desenvolvida, justamente, com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores fundamentais e internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção, refletidos em 10 princípios.

Em rede, como propõe o ODS 17, essa missão fica mais fácil. Entre as iniciativas do Pacto está o projeto “Empresas com Refugiados”. A plataforma, lançada em Belo Horizonte no último dia 11, visa auxiliar as empresas no processo de contratação e ampliar a inserção de refugiados no mercado de trabalho brasileiro.

Segundo dados divulgados pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), o Brasil reconheceu, apenas em 2018, um total de 1.086 refugiados de diversas nacionalidades.

Neste contexto, Minas Gerais passou a fazer parte da iniciativa de interiorização de refugiados, desenvolvida pelo Ministério da Cidadania, Forças Armadas e Agências da ONU, com o apoio de entidades da sociedade civil.

De acordo com o secretário-executivo do Pacto Global, Carlo Linkevieius Pereira, a plataforma apresenta informações gerais, materiais de referência, pesquisas relevantes e orientação sobre o processo de contratação. A ideia é inspirar mais empresas a contratar refugiados. A plataforma já publicou 20 cases de diferentes empresas e a expectativa é lançar mais alguns até o final o ano. Até o momento, mais de 1,8 mil refugiados foram impactados pelos cases da plataforma.

“Quando um empresário vê outras organizações já atuantes nesta frente e percebe os benefícios diretos para o negócio, é estimulado a fazer o mesmo. Acreditamos que os bons exemplos podem gerar transformação social. Além disso, promovemos desde 2015 o projeto Empoderando Refugiadas, que já beneficiou mais de 130 mulheres da Colômbia, Síria, Moçambique, República do Congo e Venezuela. O projeto qualifica profissionalmente mulheres refugiadas no Brasil para que consigam um emprego no País, além de promover relacionamentos, colocando as refugiadas em contato com empresas e com oportunidades de trabalho”, explica Pereira.

Por um lado, o projeto colabora para a inserção dos refugiados na sociedade brasileira através do trabalho. Por outro, com empresas que precisam de funcionários com conhecimentos específicos, como o conhecimento de línguas estrangeiras, e encontraram estes funcionários com a ajuda do projeto. Em Minas, o secretário-executivo do Pacto Global Brasil destaca o caso da Líder Interiores, empresa sediada na Capital.

“Muitas pesquisas também mostram que a diversidade é positiva para o crescimento dos negócios. Então é um projeto que traz benefícios para todos: trabalhadores e empresas. A Líder é uma empresa mineira, relativamente familiar, que viu o potencial de trabalho de alguns refugiados e selecionou alguns candidatos em parceria com o Serviço Jesuíta. Importante mencionar que não importa o tamanho da empresa, setor ou localização para atuar com o tema do refúgio. Basta que a empresa se disponha a incluí-los e rapidamente ela percebe o ganho competitivo para o negócio”, afirma o executivo.

Outro exemplo de rede empresarial que busca alinhar empresas a um futuro de maior qualidade de vida para todos é o Instituto Capitalismo Consciente. Criada nos Estados Unidos em 2008, chegou ao Brasil em 2013 e acaba de alcançar a marca de 66 corporações associadas. A expectativa é ter até o final do ano cerca de 100 associados.

Segundo o diretor-geral do Instituto, Hugo Bethlem, o crescimento de aproximadamente 80% de associados nos últimos seis meses, na adesão de empresas aos fundamentos do capitalismo consciente no Brasil, vem ao encontro de uma tendência mundial. Em agosto deste ano, nos Estados Unidos, mais de 180 CEOs de grandes companhias assinaram um manifesto para declarar que os lucros das corporações devem vir junto com ações de sustentabilidade, impactos positivos nas comunidades onde estão inseridas e bem-estar social para todas as partes envolvidas com as marcas.

Livrar os empresários do estereótipo do “malvado que só pensa no máximo lucro explorando a mão de obra à exaustão” seria um dos resultados desse trabalho.

“Esse estereótipo faz sentido, mas não cabe mais nesse mundo. Nosso objetivo é ajudar a transformar o Brasil a partir da inspiração de empresas conscientes, sustentáveis e inovadoras buscando cuidar das pessoas para que elas cuidem dos negócios. Infelizmente, ainda tem gente que não acredita nisso. Já provamos o contrário. As empresas humanizadas que focam no propósito, com certeza, são mais rentáveis e duradouras. E não tem como fazer isso sem olhar as pessoas, o planeta. O lucro não é feio, o capitalismo trouxe bem para a humanidade, mas também males por essa competição desenfreada”, analisa Bethlem.

Neste ano, o Instituto apoiou o desenvolvimento da primeira pesquisa Empresas Humanizadas do Brasil. O relatório preliminar mostra que empresas que adotam os fundamentos do capitalismo consciente apresentam rentabilidade duas vezes maior que a concorrência. Esse conjunto de práticas que impactam a sociedade positivamente também reflete em outros aspectos para a empresa, como alcançam junto aos clientes uma satisfação 240% superior, e os índices de engajamento e bem-estar dos colaboradores chegam a ser 225% maior.

“Acreditamos – vendo nossos parceiros – que um mais é muito mais que dois. Só em cooperação e não em competição vamos conseguir vencer as dificuldades”, completa o presidente do Instituto Capitalismo Consciente Brasil.

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