Especial

Desenvolvimento coletivo no cerne da Dedo de Gente

Antônio Batista, Adriana Muls, Pedro Henrique (coordenador), Luiz Carlos Costa e Yvan Muls | Crédito: Alessandro Carvalho
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00

Um espaço gerador de oportunidade múltiplas de desenvolvimento humano e profissional.

Agraciada com na oitava edição do Prêmio José Costa, na categoria “Geração e Distribuição de Riquezas”, essa é a cooperativa Dedo de Gente, que, há 26 anos, estimula a criatividade, gera oportunidades e trabalha o desenvolvimento de jovens em situação de vulnerabilidade de Minas Gerais.

Com sede em Curvelo, na região Central do Estado, e uma unidade em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, a Dedo de Gente transforma a vida de famílias por meio de sucatas.

Milhares de produtos já foram criados ao longo deste tempo, peças que contam a história do sertão mineiro, da cultura, do povo e até da culinária. Atualmente quase 50 cooperados atuam na Dedo de Gente e, entra ano, sai ano, muitos são recrutados por empresas da região e outros montam seus próprios negócios. Porque a cooperativa também ensina outros valores, como conta a presidente Doralice Barbosa Mota.

“Queremos ser estimuladores do coletivo e do dividir, mas ao mesmo tempo e conjuntamente, do somar. Incentivamos o protagonismo juvenil, de maneira que esses homens e mulheres colaborem para a construção de um futuro melhor. O empreendedorismo pode ser o caminho para que consigam transformar suas realidades e mudar suas vidas”, justifica.

E para isso, conforme ela, o sentimento de pertencimento e valorização local é bastante incentivado. Prova disso é que Guimarães Rosa é o personagem mais presente entre as peças da cooperativa. Grande pesquisador e conhecedor de diversas línguas, Guimarães Rosa fez inúmeras viagens de campo, tornando sua literatura uma fusão de arcaísmos, cultura popular e mundo erudito. São principalmente as localidades rurais e seus universos de pobreza, sempre periféricas ao mundo do capital e da divisão do trabalho, que aparecem na obra do autor.

Da mesma forma, o compromisso ambiental da cooperativa também é explícito, uma vez que a própria matéria-prima vem de resíduos e sucatas e mostra que é possível transformar sem gerar lixo.

“Nosso portfólio valoriza a cultura do sertanejo e resgata a essência dos afazeres do homem e da mulher de Minas Gerais. Nosso objetivo também é elevar a autoestima pela observação da cultura do lugar a que esses jovens pertencem”, completa.

Desde 1996, mais de 2.600 jovens passaram pela cooperativa e o número de peças criadas chega a cerca de 3.500. Mas o legado vai além. Está na vida. É o que acredita Doralice Barbosa.

“Nossos jovens são aptos a estarem não só na Dedo de Gente, mas onde desejarem estar. Também praticamos o empreendedorismo e a própria essência do cooperativismo, mas não nos limitamos apenas aos aspectos técnicos. Eles levam na bagagem a formação humana. No mundo de hoje as empresas não contratam apenas pelo currículo. E é nesse quesito que nossos meninos se destacam. São éticos, participativos e ajudam a resolver conflitos”, destaca.

Milhares de produtos já foram criados pelos membros da Dedo de Gente ao longo dos anos | Crédito: Christian Oliveira / Cenario Fotografias

Em suma, a Dedo de Gente reúne o que há de melhor quando o assunto é criatividade em Minas Gerais, disse o coordenador de Produção da Cooperativa Dedo de Gente, Pedro Henrique Teixeira de Oliveira Marques. Além do artesanato, há exposições, oficinas de arte e ofícios a partir de madeira, ferro e barro. E não para por aí, bordados em panos, tintas de terra, flores do campo e frutas do sertão e do cerrado em forma de doces, licores e geleias também compõem esse vasto cardápio. “Minas são muitas”, como bem disse o saudoso Guimarães Rosa. E a Dedo de Gente reproduz todas elas pelas mãos talentosas de seus jovens cooperados.

Atuação com jovens é reconhecida pelo Prêmio José Costa

Sob a perspectiva do coletivo, do empreendedorismo e da contribuição para um mundo melhor, o DIÁRIO DO COMÉRCIO não poderia deixar de homenagear essa iniciativa. Por isso, a Dedo de Gente esteve entre os agraciados do Prêmio José Costa 2022 que, em sua oitava edição, trouxe o tema “Liderança transformadora para os futuros da humanidade”.

A cooperativa foi premiada na categoria “Geração e Distribuição de Riquezas”. Qualidade da Cidadania; Qualidade da Democracia; Qualidade de Vida; Qualidade Ambiental; Qualidade da Inovação e Produção Tecnológica; Qualidade da Cultura e Educação; Produção Responsável e Competitividade e Personalidade 2022 são as demais categorias do Prêmio.

“Ao longo desses anos tivemos vários reconhecimentos por diversas instituições. Mas, hoje, sermos reconhecidos pelo Prêmio José Costa, o qual conhecemos a seriedade e a credibilidade nos enche ainda mais de orgulho e enriquece nosso currículo. Pois sabemos não se tratar de uma premiação de massa. É cada empresa, cada iniciativa, cada instituição sendo reconhecida na sua categoria pelo trabalho que faz e isso nos motiva cada vez mais”, conclui.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas