Guerra no Oriente Médio pode manter taxa de juros elevada no Brasil
A notícia para empresários, gestores e pessoas físicas não é boa. Após o encerramento do primeiro trimestre, a tendência para 2026 é de pressão inflacionária nos próximos meses no Brasil. E como a economia brasileira está muito conectada aos movimentos globais, deve sofrer os impactos ao longo do ano.
Os conflitos no Oriente Médio têm sido determinantes para esse cenário de instabilidade. O efeito em cascata da alta do petróleo afeta o dia a dia de todos os setores econômicos: a pressão sobre os preços de insumos aumenta para quem produz, criando um ambiente propício à elevação da inflação. O remédio para conter essa “explosão” de preços? A manutenção da taxa de juros elevada, atualmente em 14,75% ao ano.
O contexto de incerteza pode forçar o Banco Central a manter a taxa básica no patamar atual ou até mesmo elevá-la, a fim de administrar uma alta repentina de preços na economia brasileira.
“O choque inflacionário está começando a chegar ao Brasil e aos Estados Unidos. Mesmo que os conflitos se encerrem, o valor do barril de petróleo não deve voltar aos níveis pré-conflito, ficando na casa dos US$ 80 ou US$ 90. Assim, inevitavelmente, o Copom terá que revisar a manutenção dos 14,75%. Acho improvável que haja corte – pode até ser que a taxa volte a 15%”, comenta o analista de investimentos e finanças Beny Fard.
“O petróleo é um grande transmissor inflacionário em nível global. Combustíveis mais caros afetam transportes, alimentos, passagens aéreas e serviços, pressionando os preços”, complementa.
Conexão global
Outro fator que pode intensificar o processo inflacionário na economia brasileira em 2026 é a forte ligação que nossos setores produtivos mantêm com os mercados internacionais , uma conexão que impacta todo tipo de vínculo comercial e econômico no País.
“O Brasil tem uma economia muito indexada. Tudo é ajustado à inflação: contratos de imóvel, de trabalho, entre outros. Temos um processo quase estrutural de construção inflacionária. E quando ocorrem movimentos muito relevantes, como os geopolíticos no Oriente Médio, gera-se um choque de oferta , não relacionado à demanda em si, mas à oferta, que impacta diretamente no preço final dos produtos”, explica o professor do curso de Economia do Ibmec, Gustavo Andrade.
Estrutura inflacionária
O processo inflacionário brasileiro pode ter caráter estrutural, com “memória inflacionária”, alta indexação da economia e propagação da inflação inicial, fatores que, para o professor Gustavo Andrade, justificam a postura do Banco Central em relação aos juros.
“Não sabemos se os efeitos da guerra, com as oscilações do petróleo, serão estruturais ou não. Se o repasse do preço mais alto do petróleo chegará a outros vetores, como nos fertilizantes, por exemplo, produto que impacta diretamente a inflação de alimentos e pode gerar uma inflação estrutural. Por isso, acredito que a postura do Banco Central, na última reunião do Copom, foi bastante razoável”, finaliza.
Ouça a rádio de Minas