Cenário de 2026 é avaliado como desafiador para Banco do Brasil
São Paulo – O Banco do Brasil (BB) registrou lucro acima do esperado no quarto trimestre, mas o cenário para 2026 permanece desafiador, conforme executivos do banco, em meio a uma pressão ainda proveniente da carteira de crédito do agronegócio.
“2025 foi desafiador, 2026 será desafiador”, afirmou a presidente-executiva da instituição, Tarciana Medeiros, em teleconferência com analistas sobre os resultados do banco, acrescentando que são desafios que o BB aprendeu como lidar.
De acordo com o vice-presidente de agronegócios e agricultura familiar, Gilson Bittencourt, a carteira de agro deve continuar com inadimplência elevada no primeiro trimestre do ano, “beliscando” abril, reflexo de operações realizadas na safra anterior, na metodologia antiga, que estão vencendo agora.
“A expectativa é que com a nova metodologia, com a nova forma de concessão, a nossa matriz de resiliência… (o BB) comece a ver o resultado a partir do segundo trimestre…e a partir do segundo semestre tende a ter uma queda bem mais expressiva na inadimplência”, afirmou em coletiva de imprensa sobre o balanço.
De acordo com o executivo, o BB mudou a sua forma de analisar o crédito e de exigir mais garantias, basicamente a partir do início do Plano Safra 25/26.
Uma das estratégias da instituição financeira no trabalho para lidar com a elevada inadimplência no segmento foi a linha BB Regulariza Agro, que passou a operar em outubro de 2025, oferecendo condições especiais para a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos.
De acordo com o banco, até o último dia 10, essa linha somava R$ 35,5 bilhões, sendo R$ 32,2 bilhões em recursos livres e R$ 3,3 bilhões de fontes supervisionadas.
No quarto trimestre, a inadimplência acima de 90 dias do BB atingiu 5,17%, de 4,51% no terceiro trimestre e 3,16% um ano antes. Na carteira de crédito para o agronegócio, a inadimplência acima de 90 dias alcançou 6,09%, de 4,84% três meses antes e 2,23% um ano antes.
Pessoa física
Tarciana Medeiros também destacou na apresentação a analistas estratégia de gestão de crédito do BB para 2026, afirmando que o banco buscará crescer em qualidade e rebalancear o mix da sua carteira, mirando linhas cada vez mais seguras.
No caso de pessoa física, ela afirmou que o BB buscará fortalecer sua liderança no crédito consignado, mas também crescer no crédito não consignado, mirando público estratégico, com histórico de adimplência, além de linhas com garantias de imóveis, previdência e investimentos.
No cartão de crédito, o BB buscará crescer observando o perfil do cliente, a capacidade de pagamento, mas também os segmentos de clientes. “A tendência é que o BB realmente expanda e aumente a carteira do cartão de crédito”, diz.
No quarto trimestre do ano passado, carteira de pessoa física cresceu 1,8% no trimestre e 7,6% ano a ano, com a inadimplência atingindo 6,56%, de 6,01% no terceiro trimestre e 4,66% um ano antes.
ROE
De acordo com o vice-presidente de gestão financeira e de relações com investidores, Geovanne Tobias, o BB trabalha para continuar entregando retorno sobre o patrimônio de dois dígitos e afirmou que uma expectativa “cautelosa” seria um percentual na casa dos 15% em 2026.
“Temos sido cautelosamente otimistas… porque não é que a situação simplesmente se resolveu num passe de mágica. Há muito suor, muito trabalho…mas, olhando para 2026, estamos mirando no famoso ‘mid teens’, naquela região dos 15%”, afirmou a jornalistas na coletiva em São Paulo.
“Pode ser 14%, pode ser 16%. Isso vai também depender muito do quão rápido se recuperam esses agricultores que conseguiram alongar suas dívidas. Vai depender muito de nós na eficiência da cobrança. Vai depender muito também do estancamento das recuperações judiciais”, acrescentou.
Para este ano, o banco estima lucro líquido ajustado de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões. Em todo o ano de 2025, o lucro líquido somou R$ 20,7 bilhões.
Reportagem distribuída pela Reuters
Ouça a rádio de Minas