Dólar fecha em alta após ataque de EUA e Israel ao Irã; Bolsa avança com Petrobras
O dólar fechou em alta de 0,60%, cotado a R$ 5,164, nesta segunda-feira (2), na primeira sessão após os ataques de EUA e Israel ao Irã e a retaliação iraniana, que atingiu outros países do Oriente Médio. O desempenho doméstico da moeda norte-americana acompanhou o do exterior. Lá fora, o índice DXY, que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,78%, a 98,37 pontos.
Pela manhã, a moeda chegou a subir 1,59%, na máxima de R$ 5,215. Ao longo da tarde, porém, perdeu força e reduziu os ganhos.
A Bolsa brasileira, por sua vez, encerrou o dia em alta de 0,27%, aos 189.307 pontos. O movimento foi impulsionado pela valorização do petróleo, que chegou a avançar 10,15% nesta segunda-feira e favoreceu empresas brasileiras do setor.
O destaque do pregão ficou para as ações da Petrobras. Durante o dia, os papéis preferenciais da estatal – que dão prioridade no recebimento de dividendos, mas não conferem direito a voto – tiveram alta de até 5,59%.
O movimento também beneficiou o setor de maneira geral. As ações da PRIO e da Brava Energia, outras petroleiras brasileiras, chegaram a avançar 6,68% e 4,98%, respectivamente, nas máximas do pregão.
“A redução do tráfego de embarcações, o aumento dos custos de seguro e o maior risco de navegação estão comprimindo a oferta disponível no curto prazo e incorporando um prêmio geopolítico ao Brent. A duração do conflito será determinante para a magnitude dos efeitos”, afirma relatório do banco BTG Pactual, divulgado nesta segunda.
Nesta segunda, o comandante da Guarda Revolucionária do Irã disse que o estreito de Hormuz está fechado e que o Irã incendiará qualquer navio que tentar passar, informou a mídia iraniana.
O conflito escalou no último sábado (28). Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã de surpresa, em uma ação mirando a cúpula do governo e das Forças Armadas do país persa.
Os bombardeiros mataram o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o ex-presidente do país Mahmoud Ahmadinejad no último sábado (28), além de deixarem centenas de mortos em outros pontos do país.
Em resposta, o regime islâmico atacou portos, bases dos EUA e outros locais nos Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Omã e Kuwait.
Nesta segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, estimou que a guerra no Irã pode durar entre quatro e cinco semanas, mas afirmou que o país tem capacidade para “ir muito além disso”.
Segundo Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos, a declaração de Donald Trump gerou uma melhora parcial nos mercados. “Embora tenha afirmado que a guerra durará o tempo que for necessário, o mercado tende a interpretar qualquer sinalização de prazo como uma tentativa de delimitar o cenário de incerteza”.
Lucca Bezon, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, destaca que a maior parte das moedas de economias emergentes tem se desvalorizado no pregão frente ao dólar. “Reflete um ambiente de maior aversão ao risco, e ativos de risco tendem a ser prejudicados diante da incerteza. Ao mesmo tempo, vemos uma alta do dólar e do ouro, que historicamente são buscados em momentos de incerteza”, afirma.
Para Rodrigo Moliterno head de renda variável da Veedha Investimentos, o ponto central é o petróleo, especialmente se o estreito de Hormuz, importante via de escoamento da commodity, for fechado por muito tempo.
“Caso haja confirmação de fechamento por um período mais prolongado, o petróleo pode chegar a níveis próximos de US$ 100. Vale lembrar que o petróleo tem peso significativo nos índices de inflação. Aproximadamente 20% da produção global passa por essa rota, e o impacto se daria principalmente via preços”, afirma.
O conflito também atingiu os preços de commodities. O barril do tipo Brent, referência mundial do preço de petróleo, atingiu um pico de 13% na abertura do mercado internacional neste domingo (1º), cotado a US$ 81,89. Nesta segunda, o Brent chegou a custar US$ 80,27, uma alta de 10,15%.
A cotação do domingo foi o maior valor do petróleo durante a sessão desde 22 de junho de 2025, quando o preço chegou a US$ 81,40. Na ocasião, o aumento também foi causado pelo mesmo confronto, pois foi o dia em que os EUA entraram diretamente no conflito entre Irã e Israel.
O barril do petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também subiu desde domingo, chegando a saltar a US$ 74,99 (R$ 385,03), alta superior a 12%. Nesta segunda, a commodity chegou a US$ 73,37, alta de 9,47%.
O aumento está relacionado às preocupações dos investidores com as restrições de tráfego no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e que é em grande parte controlado pelos iranianos.
Os riscos para a navegação comercial dispararam nas 24 horas após os ataques. Mais de 200 navios -incluindo petroleiros e embarcações de gás natural liquefeito – se ancoraram nas imediações do estreito de Hormuz e em águas próximas, segundo dados de tráfego marítimo.
“A alta do petróleo, do gás e de outras commodities reflete o receio de interrupções no fornecimento global de energia diante das tensões envolvendo o estreito de Hormuz”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
No Brasil, o governo avalia os ganhos e os riscos que a alta do petróleo pode trazer ao país em meio à crise no Oriente Médio.
Por um lado, o Brasil pode se beneficiar por ser um grande exportador de petróleo bruto. Há perspectiva de impacto positivo sobre o PIB e de melhora nos déficits fiscais. Por outro lado, o país importa derivados refinados – como gasolina, diesel e querosene de aviação – e a elevação dos preços internacionais pode pressionar o mercado interno.
Lilian Linhares, sócia e head da Rio Negro Family Office, afirma que há potencial inflacionário. “Se o conflito pressionar de forma consistente o preço do Brent, isso pode gerar impacto direto sobre combustíveis e transporte e indireto sobre a inflação de serviços e bens industriais.”
No Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central do Brasil, a expectativa para a inflação ao fim de 2026 foi mantida em 3,91%. O levantamento, porém, não considerou eventuais impactos do conflito no Oriente Médio, já que foi fechado na sexta-feira (27).
A meta perseguida pelo Banco Central para a inflação é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% (piso) e 4,5% (teto).
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