Febraban: bancos elevam projeção para crédito em 2026
Os bancos promoveram uma ligeira melhora na projeção para as suas operações de crédito este ano, embora ainda esperem uma desaceleração gradual em meio aos juros ainda elevados. É o que mostra a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), divulgada nesta quarta-feira (18). O levantamento é realizado a cada 45 dias, após as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), e na edição atual ouviu 21 instituições entre os dias 3 e 9 de fevereiro.
De acordo com a sondagem, as projeções para o crescimento das carteiras de crédito neste ano subiram de 8,2%, em dezembro, para 8,4%. Se confirmado, o desempenho representaria uma pequena perda de força em relação ao avanço de 10,2% registrado em 2025
A alta seria puxada principalmente pelo crédito direcionado, cuja projeção avançou de 9,4% para 9,6%. No segmento de crédito para empresas, a previsão subiu de 9,7% para 11,1%, diante dos programas governamentais para micro, pequenas e médias empresas. Já na carteira direcionada às famílias, a estimativa cedeu de 9,1% para 9%.
‘Leve moderação’
O levantamento indicou ainda projeção de alta de 7,6% na carteira com recursos livres em 2026, estável na comparação com a pesquisa anterior. A elevação esperada para a carteira a pessoas físicas, crédito ao consumo, passou de 8,6% para 9,1%, ajudada pelo mercado de trabalho resiliente. Para pessoa jurídica, houve uma queda na previsão, de 6,2% para 5,6%.
O diretor de economia, regulação prudencial e riscos da Febraban, Rubens Sardenberg, afirma que a revisão em alta seguiu concentrada na carteira livre às famílias e, na direcionada, às empresas. “Mesmo com uma taxa Selic bastante elevada, o crédito deve manter um bom ritmo de expansão neste ano, ainda que com leve moderação”, destacou.
Para o ano de 2027, a pesquisa aponta expectativa de crescimento de 7,7% na carteira total, com incremento esperado de 7,4%, para a carteira livre, e de 8,3% para a direcionada.
Selic em queda
Os bancos brasileiros preveem que o Banco Central abrirá o ciclo de corte de juros com uma redução de 0,5 ponto porcentual na Selic em março, segundo o levantamento da Febraban.
De acordo com a pesquisa, pouco mais de 60% das instituições participantes disseram acreditar que a taxa básica deve encerrar 2026 abaixo de 12,25%. Para 76,2% dos bancos consultados, o Copom acertou ao manter a Selic em 15% na reunião do mês passado e ao sinalizar o início da flexibilização monetária para o mês que vem.
Em relação às perspectivas para a atividade econômica no País, a proporção daqueles que projetam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano na faixa de 1,8% (patamar que representa o consenso atual do mercado) caiu de 55%, na edição de dezembro, para 38,1% agora. Por outro lado, a parcela dos que esperam uma expansão acima desse nível avançou de 15% para 28,6%. Um terço dos participantes (33,3%) preveem crescimento abaixo do consenso
Fiscal
Sobre os rumos da política fiscal, 71,4% dos bancos ouvidos entendem que o governo precisará adotar medidas adicionais para cumprir a meta fiscal de 2026, abaixo dos 80% auferidos em dezembro. Destes, 47,6% avaliam que a agenda será focada em medidas voltadas às despesas, com contingenciamento ou exclusão de despesas da meta.
A pesquisa indicou também que a projeção para a inadimplência da carteira livre dos bancos ficou estável em 5,2% este ano, ante uma taxa de 5,5% observada em 2025. Para 2027, a estimativa é de 4,9%.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Conteúdo distribuído por Estadão Conteúdo
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