Finanças

Parece que Deus é brasileiro, diz CEO da B3 sobre perspectivas para o mercado

CEO da B3 e futuro presidente do Santander vê convergência de fatores favoráveis, mas alerta para contas públicas
Parece que Deus é brasileiro, diz CEO da B3 sobre perspectivas para o mercado
Foto: Divulgação/ B3

Para Gilson Finkelsztain, CEO da B3 e futuro presidente do Santander, as perspectivas para o mercado brasileiro em 2026 endossam um ditado popular propagado até por Papa Francisco.

“Parece que Deus é brasileiro”, disse ele em evento da B3 com a Anbima nesta terça-feira (7), em São Paulo. A leitura é que o país vive um momento de rara convergência de fatores favoráveis para o desenvolvimento do mercado, desde a queda do dólar até a perspectiva de um “ajuste fiscal de brinde” em meio à disparada do petróleo no exterior.

“Se falássemos no início do ano passado, quando tínhamos o dólar a R$ 6,30, que o dólar estaria a R$ 5,15 em abril de ano eleitoral e com o presidente atual [Luiz Inácio Lula da Silva] com chance de reeleição em 50%, seríamos tachados de malucos”, afirmou ele.

“Mas aqui estamos. E com perspectiva de o câmbio cair mais, de queda da Selic ao longo do ano. Precisamos ver qual será o impacto dos preços do petróleo, mas, para o Brasil, acaba sendo até um ajuste fiscal meio de brinde, ainda que tenha algum respingo na inflação. Parece que Deus é brasileiro e estamos começando a surfar nessa onda.”

O cenário, segundo ele, parece propício para que a janela de IPOs (ofertas públicas iniciais de ações, na sigla em inglês) volte a abrir no país. Essa já era a aposta de Finkelsztain em fevereiro, antes da guerra no Irã assustar os mercados globais, e se mantém mesmo com a possibilidade de uma eventual pressão inflacionária nublar os próximos passos do Banco Central.

A justificativa para isso se baseia no apetite do investidor estrangeiro por mercados distantes das turbulências geopolíticas causadas pelos Estados Unidos e pelo governo Donald Trump. O preço dos ativos domésticos está ainda atrativo, pontuou, e o Brasil é um dos poucos lugares “baratos, com boas empresas, bons negócios”, ainda que o investidor local se mantenha distante da renda variável por causa da Selic no maior patamar em quase duas décadas.

“A perspectiva me parece de continuidade de entrada de recursos por parte do estrangeiro. E parece que o estrangeiro está dando menos importância para a transição política e acredita que vamos conseguir, de alguma forma, a sustentabilidade fiscal.”

Finkelsztain, porém, temperou o otimismo com um alerta: a melhora no longo prazo depende de uma virada estrutural nas contas públicas a partir de 2027.

Por mais que os preços do petróleo possam ser um “ajuste fiscal de brinde” — já que pode aumentar o superávit da balança comercial —, os subsídios aos combustíveis anunciados pelo governo Lula vão na direção contrária do objetivo de “fazer o Orçamento caber no país”.

“A reação do governo para o choque do petróleo é até esperada em ano eleitoral. Ninguém está surpreso com essa atitude. Penso menos no curto prazo e mais em como podemos aproveitar o cenário eleitoral para cobrar que, a partir de 2027, tenhamos juros mais baixos, boas empresas, bons investimentos, uma indústria mais sofisticada.”

O Executivo tem implementado medidas para conter os efeitos da guerra no Irã sobre os preços de combustíveis e passagens aéreas, cujos aumentos preocupam o presidente Lula em ano eleitoral. Na segunda-feira (6), o governo anunciou uma subvenção extra para o diesel e o gás de cozinha, além da decisão de zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o biodiesel e o querosene de aviação.

No conjunto, as iniciativas têm um impacto fiscal calculado em R$ 31 bilhões, a serem compensados principalmente pelo imposto sobre exportação de petróleo instituído em março.

Conteúdo distribuído por Folhapress

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