Ibovespa rompe 200 mil pontos e bate recordes com euforia após 1º turno

Índice encerra em alta histórica de 7,70% e analistas veem perspectiva fiscal favorável após eleição
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Ibovespa rompe 200 mil pontos e bate recordes com euforia após 1º turno
Foto: Reuters/Carla Carniel

O Ibovespa encerrou a segunda-feira (5), com um dos movimentos mais fortes da história em resposta ao primeiro turno das eleições. Além de renovar o recorde nominal e real ao romper a faixa dos 200 mil pontos, o índice também teve a maior alta diária desde 24 de março de 2020, quando havia subido 9,69%.

O índice fechou em alta de 7,70%, aos 206.911,89 pontos, nova máxima histórica, nominal e real (considerando a inflação). O pico anterior foi batido em 14 de abril de 2026, ao fechar em 198.657,33 pontos.

Naquela data, o Ibovespa atingiu o pico intradiário de 199.355 pontos, o que equivalia a 203.063 pontos considerando o IPCA. Esse foi o maior nível atingido corrigido pelo indicador, de forma que o resultado desta segunda também supera a marca.

O giro financeiro também foi intenso, superando com folga a média dos pregões, ao bater R$ 79 bilhões (ações do Ibovespa), também um dos maiores da história. No ano, o principal índice da bolsa sobe 28,4%.

A disparada das ações se alastrou para praticamente todos os setores, com exceção das exportadoras, que sofreram com ajustes pela forte queda do dólar ante o real. É o caso da Vale, que impediu um rali ainda mais forte do Ibovespa.

Todos os grandes índices da B3 avançaram intensamente: o índice de consumo (ICON) subiu 10,5%, enquanto o imobiliário (IMOB) avançou 9,87%; o índice de utilities (UTIL) teve alta de 8,4% e o índice do setor financeiro (IFNC), no destaque, disparou 14,2%.

Todo o movimento é uma direta resposta ao desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições. Até a última sexta-feira (2), antes da votação, as pesquisas eleitorais apontavam para um crescimento de Flávio, mas não tão visível quanto os números das urnas mostraram. O candidato saiu à frente do presidente Lula (PT), além dos números do Congresso mostrarem uma consolidação do PL, o que potencialmente indica um alinhamento para aprovação de pautas desenhadas pelo Executivo.

“A onda de direita que vem atravessando a América Latina está prestes a continuar no Brasil. Com isso, a tendência é que os ativos brasileiros, incluindo o real, sigam em forte alta após a surpreendente vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, impulsionados pela expectativa de uma consolidação fiscal mais agressiva e de uma combinação de crescimento mais sustentável sob uma eventual presidência de Flávio”, diz o analista de mercados da Ebury, Diego Barnuevo.

O movimento forte dos bancos foi um grande amparo para o Ibovespa no dia e o motivo principal para isso é a leitura de que, sob um novo governo à direita, o ambiente econômico pode ficar mais favorável com uma melhora na capacidade de pagamento dos clientes, em meio a um ciclo de juros que pode se manter de queda caso as iniciativas fiscais se tornem realidade.

“Por enquanto, o mercado está antecipando uma melhora. A continuidade desse movimento vai depender dos próximos passos da disputa eleitoral e, principalmente, das propostas e medidas que efetivamente serão adotadas para garantir maior equilíbrio fiscal”, afirma a head de Produtos e Alocação da HCI Advisors, Luise Coutinho.

Para o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, as estatais também se beneficiam de um alívio impulsionado pela expectativa de uma gestão mais rigorosa do ponto de vista fiscal.

“Para a sequência do período até ao segundo turno, o mercado antecipa a manutenção deste patamar de valorização, embora não se descartem eventuais realizações de lucro pontuais decorrentes do forte ritmo de alta recente”, pondera.

Conteúdo distribuído por Agência Estadão

Juliana Machado
Sobre o autor

Juliana Machado

Agência Estadão


Publicidade Legal

Impresso

Ver outras datas

Digital

Ver outras datas
Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas

Acessos importantes

Conteúdo Especial
Conectados 60+: os desafios e as oportunidades da inclusão digital na terceira idade