Finanças

Puxada por combustíveis e alimentos, inflação avança em março na RMBH

Inflação em Belo Horizonte registra 0,93% impulsionada por alta de preços em alimentos e reajuste de combustíveis, superando índice nacional
Puxada por combustíveis e alimentos, inflação avança em março na RMBH
Foto: Adobe Stock

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de março apresentou variação de 0,93%, ficando 0,17 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada em fevereiro (0,76%), na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10), a alta no grupo Alimentos e bebidas e os reajustes dos combustíveis impactados pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, no Oriente Médio, foram os principais fatores que impactaram a alta da inflação.

Conforme o IBGE, o índice da RMBH ficou acima da variação nacional, que foi de 0,88% e ocupa o sexto lugar entre os mais altos das 16 regiões pesquisadas pelo instituto, empatado com Campo Grande (0,93%). As regiões metropolitanas de Salvador (1,47%), São Luís (1,39%), Belém (1,31%), Recife (1,1%) e Porto Alegre (0,96%) apresentaram índices de inflação mais altos que a RMBH no mês.

Em março, os destaques ficaram com os grupos de Alimentação e bebidas, com alta de 1,95%, impulsionada sobretudo por tubérculos, raízes e legumes (16,25%), mais especificamente pelo tomate (34,52%) e pela cenoura (28,45%), além de leite e derivados (7,43%). No caso do leite, a economista e professora da Una, Vaníria Ferrari, atribui o aumento ao reajuste do lácteo nas bacias leiteiras da RMBH. “Esse reajuste visava cobrir as quedas consecutivas que ocorreram em 2025 estreitando as margens dos produtores”, lembra.

Em seguida, o grupo Transportes apresentou alta de 1,24%, com destaque para combustíveis, especialmente diesel (11,58%) e gasolina (2,61%). Segundo o economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, esses dois grupos responderam por 41,5% do índice no período.

O analista do IBGE responsável pela pesquisa em Minas Gerais, Venâncio da Mata, ressalta ainda o aumento das passagens aéreas (8,09%) e do transporte por aplicativo (7,55%) como subitens que também contribuíram para a alta do grupo de Transportes.

Com exceção do grupo Educação, que teve queda de 0,11%, todos os outros grupos pesquisados apresentaram alta em março em relação a fevereiro na RMBH: Despesas Pessoais (0,8%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,59%), Artigos de Residência (0,38%), Comunicação (0,18%) e Habitação (0,14%).

No ano, o IPCA da RMBH acumula alta de 2,15%, ficando maior que o índice nacional (1,92%). Já nos últimos doze meses, o índice da RMBH ficou em 3,96%, menor que a alta de 4,14% da média nacional nesse intervalo de tempo.

Na avaliação do economista da Fiemg, o resultado na Região Metropolitana foi superior ao nacional, principalmente em função do maior impacto de Alimentação e Bebidas que, além de possuir peso mais elevado na estrutura de consumo local, apresentou variação mais intensa, contribuindo para uma inflação mais robusta na região.

A economista e professora da Una acredita que as restrições impostas no Estreito de Ormuz, que elevaram o preço do barril de petróleo, causaram os maiores impactos nos dois grupos principais. O primeiro, Transportes, com o reflexo da alta do diesel e da gasolina, e o segundo, Alimentos e Bebidas, pela redução da oferta de commodities em nível global, acarretando um aumento dos preços, além do impacto do custo do frete.

Na avaliação dela, o grupo Transportes, no entanto, é o que mais impactou a inflação no mês. “É um custo de produção comum a todos os setores, uma vez que todos os produtos dependem de combustível para serem distribuídos”, alega.

Pelo viés da indústria, as pressões inflacionárias, segundo Pio, seguem impactando o setor por meio do encarecimento dos insumos, especialmente os custos logísticos, também afetados pelo aumento dos combustíveis.

Fato que deve continuar, no curto prazo, refletindo nos custos da cadeia industrial. “A elevação do preço do petróleo, em meio às incertezas geopolíticas, deve continuar impactando os custos logísticos e produtivos, com efeitos disseminados sobre a cadeia industrial”, acredita.

Ainda que haja sinais de moderação em alguns componentes, como serviços, a pressão de alimentos e os custos energéticos devem sustentar um cenário inflacionário desafiador nos próximos meses, avalia o especialista.

Coincide com este pensamento a visão que a professora Vaníria Ferrari traz. Para ela, enquanto os conflitos internacionais persistirem ou se intensificarem, existe o risco de uma elevação ainda maior no preço do barril de petróleo. “Como consequência, os combustíveis podem ficar mais caros, o que tende a pressionar a inflação ainda mais”, finaliza.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas